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Wimbledon ainda não é Nikolskoye. Spielberg talvez seja

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Ora aqui está uma fotografia da final de Wimbledon de 2008, entre Rafael Nadal e Roger Federer. Ninguém se admiraria se, 11 anos depois, a final fosse precisamente essa

Ora aqui está uma fotografia da final de Wimbledon de 2008, entre Rafael Nadal e Roger Federer. Ninguém se admiraria se, 11 anos depois, a final fosse precisamente essa

David Ashdown/Getty

À hora que o estimado leitor receber esta missiva na sua caixa de correio electrónico, já se estarão a trocar as primeiras bolas nos (ainda) lustrosos relvados do All England Lawn Tennis and Croquet Club, uma das quatro Mecas do ténis, o exclusivo clube onde a cada ano se disputa o torneio de Wimbledon.

Wimbledon vai resistindo às mudanças, tão aferrado aos equipamentos imaculadamente brancos quanto o próprio ténis aos seus três reis magos, os mesmos que na última década, década e meia, com umas breves intermissões à conta de baixas de forma que até homens extraterrestres têm permissão para sofrer, têm dominado o mester das raquetes e das bolas amarelas.

Roger Federer terá 38 anos daqui a mês e pouco, Rafael Nadal tem 33 e Novak Djokovic 32. Salvo uma qualquer surpresa, será entre estes três que o torneio se irá decidir - tal como acontece de forma consecutiva desde o US Open de 2016, ganho então por Stan Wawrinka.

Daí para cá, é tudo entre eles e não há NextGen que valha ao ténis. Não há Thiem, Zverev ou Tsitsipas que, para já, lá cheguem. As guerras entre gerações, que nos deram incontáveis livros e filmes, não têm vez no ténis. Bazarov, o jovem herói (ou anti-herói, depende da perspectiva) de “Pais e Filhos”, de Ivan Turgueniev, seria no ténis apenas um aspirante a qualquer coisa, o seu niilismo e desrespeito pelas ideias clássicas e pelos mais velhos seria visto de lado, as suas viagens a Nikolskoye com outros membros do novo pensamento motivo de chacota.

Wimbledon será outra vez sobre os mais velhos, sobre os grandes clássicos. Caso chegue às meias-finais, Federer tornar-se-á no primeiro jogador a vencer 100 partidas num torneio de Grand Slam, caso ganhe o 9.º título, cimenta o título de rei de Wimbledon. Se for Nadal a vencer, o espanhol ficará apenas a um do recorde de 20 torneios do Grand Slam do helvético. E se for Djokovic, o sérvio repete o triunfo do ano passado, o título do grande regresso depois de ano e meio de lesões impossíveis.

Talvez o lugar de Bazarov por estes dias não fosse o ténis. Mas talvez fosse a Fórmula 1. Ou pelo menos a Fórmula 1 deste último fim de semana, em que dois miúdos de 21 anos, Max Verstappen e Charles Leclerc lutaram pelo primeiro lugar até à última volta no GP Áustria, em Spielberg. Em que um tal de Lando Norris, rapaz de 19 anos e com nome de personagem de série de banda desenhada, mostrou que a rapidez não precisa de experiência - e o carisma muito menos.

Verstappen, Leclerc e Norris têm em comum a tenra idade e a pouca necessidade de pedir licença para passar. É claro que a F1 é, mais vezes do que não, chata e previsível e que teremos Lewis Hamilton e os seus 34 anos para muitas temporadas. Mas é com eles que a Fórmula 1 se vai fazer daqui dois, três, quatro anos, quando as regras forem outras e o domínio da Mercedes mais ameaçado.

O que se passou

Houve mais uma assembleia geral do Sporting atribulada - e no próximo fim de semana há mais.

Terminaram os Jogos Europeus, em que Portugal conquistou 15 medalhas, três delas de ouro.

Miguel Oliveira amealhou mais uns pontinhos no Mundial de MotoGP e a Espanha é campeã da Europa sub-21.

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Aos 45 anos o jogador que chegou a ser apelidado de "Platini do mar", mas que na família é chamado de Rixa, prepara-se para assumir, pela primeira vez, o papel de treinador principal do U. Lamas. Ansioso pelo começo da época, conta-nos como o boxe o ajuda a libertar o stress e como sofreu na pele o preconceito por gostar de música vanguardista. Começou no FCP, o clube do coração, andou pelo Leixões, Boavista, Rio Ave, Desportivo das Aves, Montpellier, entre outros, mas foi na Coreia do Sul, que foi mais feliz na longa carreira de futebolista. Pai de três filhos, tem na pintura o seu hóbi e confessa, no meio de várias histórias, que comprou um Porsche 911 só para "curtir" o <em>tiptronic</em> e a sua música

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Diogo Faro e o regalo que é olhar para o Instagram da malta da bola: banquetes, aerodinâmica, caça ao pato-bravo em Ibiza

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O apelo de Um Azar do Kralj: querem ganhar o defeso? Gastem uns milhões no passe da Matilde

Vasco Mendonça tem um apelo muito especial a fazer, a propósito de uma bebé igualmente especial, Matilde, que sofre de atrofia muscular espinhal de tipo I: "O futebol português passa tanto tempo na lama que às vezes se esquece da muita felicidade que nos pode trazer. Pois bem, está aqui uma baliza escancarada. Pediram-me um texto sobre o defeso e esta foi a única coisa que me ocorreu. Garantir a renovação da Matilde por muitas décadas. Não me custa nada tentar. E, sim, isto não tem nada a ver com futebol. Pois não. É muito mais importante. Se é demagógico? Que seja. Quero lá saber"

Orgulho e amor (um treinador “amalucado” a defender as suas medalhadas)

Todas as sextas-feiras, a <strong>Tribuna Expresso</strong> publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Lourenço França, o treinador do trio de ginasta acrobática - Bárbara Sequeira, Francisca Maia e Francisca Sampaio Maia - que ganhou três medalhas nos Jogos Europeus

Zona mista

“Se houvesse uma imagem minha a rir-me como Varandas naquela altura em Alcochete, já estava preso em Guantánamo”

Bruno de Carvalho, numa entrevista a esta vossa casa, recordando-nos de forma mais ou menos gráfica e um tudo quanto exagerada que está neste momento acusado de terrorismo pelo Ministério Público. O ex-presidente do Sporting, que será, ao que tudo indica, ouvido dia 3, quarta-feira, no âmbito do caso da invasão de Alcochete, continua a ser um mestre das imagens

O que aí vem

Segunda-feira, 1

Os campeonatos continentais seguem em força. Na CAN, em plena definição da fase de grupos, há um África do Sul-Marrocos (17h, Eurosport 2) e um Quénia-Senegal (20h, Eurosport 2).

A esta hora já se jogam as primeiras partidas em Wimbledon, o terceiro torneio do Grand Slam da época (na Sport TV1 e Sport TV2).

Terça-feira, 2

Inglaterra e Estados Unidos jogam a primeira meia-final do Mundial feminino (20h, RTP2).

Ainda na CAN, dois jogos com as duas equipas lusófonas da prova: Guiné Bissau-Gana (17h, Eurosport 2) e Angola-Mali (20h, Eurosport 2).

Já bem dentro da madrugada, há Superclássico das Américas para definir um dos finalistas da Copa América: Brasil-Argentina (1h30, Sport TV1).

Na Gold Cup, também há meias-finais, entre a surpresa Haiti e o México (1h30, Sport TV3).

Acompanhe o dia 2 de Wimbledon (a partir das 11h, Sport TV1 e 2).

Quarta-feira, 3

A última das meias-finais do Mundial feminino: Holanda-Suécia (20h, RTP2).

Na Copa América, Chile e Perú jogam entre si um lugar na final (1h30, Sport TV1).

Últimas decisões também na Gold Cup, com as meias-finais entre Jamaica e Estados Unidos (2h30, Sport TV3).

Siga mais uma jornada do melhor ténis em Wimbledon (a partir das 11h, Sport TV1 e 2).

Quinta-feira, 4

Continua a ação em Wimbledon (a partir das 11h, Sport TV1 e 2).

Sexta-feira, 5

A partir das 19h30 (Sport TV+ e Sport TV1), há sorteio da 1.ª e 2.ª Ligas 2019/20, seguido da entrega de prémios para os melhores de 2018/19.

Jogam-se os primeiros encontros dos oitavos de final da CAN (17h e 20h, Eurosport 2).

Acompanhe os treinos livres do GP Alemanha, mais uma prova do Mundial de motociclismo (a partir das 8h e das 12h15, Sport TV5).

Siga mais uma jornada de ténis em Wimbledon (a partir das 11h, Sport TV1 e 2).

No atletismo, disputa-se a etapa de Lausanne da Diamond League (19h, Sport TV3).

Sábado, 6

No Mundial feminino joga-se o encontro de atribuição do 3.º lugar (16h, RTP2), tal como na Copa América (20h, Sport TV1).

Na CAN há mais dois jogos dos oitavos de final (17h e 20h, Eurosport 2).

E mesmo que ainda possamos estar com a cabeça na época 2018/19, a verdade é que oficialmente a temporada 2019/20 já arrancou e já há jogos de preparação para ver, sejam eles mais ou menos interessantes, como o Arsenal-Boreham Wood (15h, Sport TV5).

Joga-se mais uma jornada em Wimbledon (a partir das 11h, na Sport TV1 e às 14h30, na Sport TV2).

No Mundial de MotoGP, há qualificação para o GP Alemanha (a partir das 11h35, Sport TV5).

Domingo, 7

O jogo grande do dia é mesmo a final do Mundial feminino (16h, RTP2).

Joga-se também a final da Copa América (21h, Sport TV1) e a final da Gold Cup (2h15, Sport TV1).

Na CAN, seguem os oitavos de final (17h e 20h, Eurosport 2).

Acompanhe também o encontro de preparação entre o PSV e o Nice (16h, Sport TV1).

Há GP Alemanha em MotoGP (a partir das 10h, Sport TV5).

Arranca também o Mundial de hóquei em patins, com Portugal a jogar frente à Colômbia (17h, RTP1).

Hoje deu-nos para isto

Tinha 20 anos, ainda fama de nervoso em campo, colarzinho de contas malandro comprado numa qualquer estância turística no pescoço, rabo de cavalo e já um talento raro para a idade. Do outro lado, o seu ídolo, o sete vezes campeão em Wimbledon, o norte-americano Pete Sampras. Em 2001, Sampras procurava um inédito oitavo título em Londres. Era o choque de duas gerações de jogadores, mas nessa altura ganhou mesmo o mais novo. O suíço já tinha chegado à 4.ª ronda no ano anterior e em Roland Garros também já tinha ido longe, mas foi neste jogo da 4.ª ronda de Wimbledon 2001 que Federer disse ao Mundo que ia ser um dos melhores. Dois anos depois levantaria mesmo a taça e em menos de nada tornar-se-ía no tenista homem com mais títulos em torneios do Grand Slam.

Em 2019, pode chegar ao 9.º em Wimbledon e ao 21.º no total.

O dia em que um Roger Federer de rabo de cavalo se apresentou definitivamente a Wimbledon

Em 2001, Pete Sampras procurava aquilo que nenhum homem havia conseguido até então: um 8.º título na relva de Wimbledon. Mas na 4.ª ronda deu de caras com um puto suíço de 20 anos que lhe ganhou numa batalha de cinco sets - e esse puto, sim, viria a tornar-se no maior rei do torneio nos anos seguintes