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A importância de um til

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Steven Paston - PA Images

Não sei se alguma vez pegou numa raquete e disputou dois ou três pontos de ténis só por desporto contra quem joga regularmente. Se o fez e é como eu - algumas aulas num respeitável recinto suburbano durante as férias escolares de verão — terá logo percebido que a humildade é uma bola que bate na rede. Ou fora de campo. Ou no court do lado quando se tenta um passing shot desajeitado, estupidamente influenciado por demasiadas horas a ver Roger Federer.

Infelizmente, o ténis não está todo no punho e na pega, mas está em tudo: nos olhos, nas pernas, nas costas, e também no estômago e na cabeça, porque na verdade se joga lá dentro deles, gerindo expetativas, medos, ansiedades, ponderando riscos e escolhas.

O ciclo da vida entre pancadas.

Daí a dificuldade e daí a imprescindibilidade de ir ao pormenor. E isso dá trabalho e é no trabalho e nas rotinas que João Sousa se encontra. Disse-me ele um dia, durante uma reportagem e a propósito de um outro tenista mais talentoso do que ele:

- Então, no intervalo de um jogo, o tipo foi ver o resultado do jogo de futebol. Isso é impensável. O talento a este nível não chega.

Tens de estar absolutamente concentrado, basta pensar noutra coisa por um instante para tudo cair, continuou João Sousa, cuja carreira é incomparavelmente superior à do fanático da bola que ele descrevia.

O rapaz de Guimarães, que já não é um rapaz, mas um homem que chegou onde ninguém chegara a jogar ténis em Portugal, tem esta tarde (13h) o desafio mais mediático da sua vida. Está nos oitavos-de-final de Wimbledon, o torneio mais tradicional do calendário ATP, onde os jogadores se vestem protocolarmente de branco imaculado para esconder o suor, e nas bancadas há dress code e códigos de conduta para cumprir. Há estrelas de cinema, estrelas de rock & roll, e há a realeza que assiste ao esplendor na relva nos melhores dias de Federer.

Do outro lado da rede, como se costuma dizer, João Sousa terá Rafael Nadal, adversário que também é um amigo — ou o mais parecido que há com um amigo num mundo de um contra um – com quem já estagiou anteriormente. Têm os dois na pancada de direita a melhor arma, ambos ajeitam meticulosamente as garrafinhas de água junto dos pés na mudança de campo, mas as semelhanças terminam aí. Nadal é um monstro, implacável em quaisquer contextos e circunstâncias, mesmo nas ocasiões em que pela frente tem um rival inquestionavelmente menos capaz. É provável que Sousa perca, e não há mal algum nisso, pois 80% dos adversários quebram diante do top spin do espanhol. O importante é o til português esteja no nome.

Neste João e no outro João de que toda a gente fala: Félix, há pouco apresentado no Atlético de Madrid. Que o comprou por 126 milhões ao Benfica e que lhe pagará seis milhões líquidos por ano, aos 19 anos e com seis meses consistentes de primeira Liga; o pai de João Sousa teve de contrair um empréstimo para que o filho pudesse treinar em Espanha.

O desporto também é perspetiva.

O que se passou

Bruno de Carvalho foi expulso de sócio do Sporting, mas a coisa pode não ter ficado por aqui; os EUA conquistaram o Mundial feminino, batendo a Holanda numa final histórica; o Brasil derrotou o Peru e ganhou a Copa América; Messi transformou-se noutro homem qualquer; Miguel Oliveira caiu, levantou-se e ficou fora dos pontos e João Félix foi apresentado há bocadinho.

Mentiras sofisticadas e mentes crédulas: Lance Armstrong e o Tour e o ciclismo, por Bruno Vieira Amaral

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Bruno Caires: “O meu pai morreu de cancro, tinha eu 14 anos. Tenho noção de que posso ter prejudicado o meu irmão para continuar no futebol”

Aos 43 anos, o ex-médio do Benfica, que tinha como imagem de marca cabelo comprido e ar tímido, perdeu o cabelo mas não a vontade de manter-se ligado ao futebol, ainda que num papel de gestão. Coordenador da formação do Amora FC, clube onde iniciou a carreira antes de rumar à Luz, recorda à <strong>Tribuna Expresso</strong> o seu percurso, que passou por Espanha e também pelo Sporting, ainda que sempre de forma discreta. Com dois filhos adotados, Bruno Caires revela de quem foi a ideia do famoso livre em que ele e Dani fingem que se zangam e conta alguns episódios que viveu no Japão com a seleção de sub-18, campeã da Europa em 1994

O Sporting não é o leão que ruge. É um saco de gatos

Bruno de Carvalho, o brunismo e o Sporting são a tríplice relação sobre a qual Vasco Mendonça, de Um Azar do Kralj, disserta no dia em que os sócios do clube que "não é diferente coisíssima nenhuma" votam a destituição do ex-presidente como sócio. Ou no dia em que "os sportinguistas debatem um possível gesto de humanidade como se isso interessasse, como se tal fosse resolver os problemas do Sporting, como se o Bruno C não fosse cobrar presenças assim que sair da casa"

Bruno de C. nomeado para sair de casa

Algures num universo espaço-temporal paralelo, a que poderíamos chamar de <em>reality show</em> e Diogo Faro batizou de "Casa dos Sportinguedos", é retratada a ascenção e queda de Bruno de Carvalho, para o humorista chegar à conclusão de que, afinal, foi mesmo tudo "um fabuloso espectáculo de realidade"

Lá Em Casa Mando Eu escreveu o discurso de BdC: “Bardamerda para quem não me quer como r̶e̶i̶ presidente e não me segue no Facebook”

Sábado é dia cheio no Sporting Clube de Portugal: os sócios vão votar a expulsão de sócio de Bruno de Carvalho no Pavilhão João Rocha e a Tribuna Expresso antecipa o que o ex-presidente dirá na AG. Está tudo na cabeça de Catarina Pereira, que idealizou o conceito e escreveu-o neste texto

Zona Mista

Tenho vergonha por esta massa associativa ter-me demitido. Sinto vergonha pelo atual presidenteBruno de Carvalho, ex-presidente do Sporting

O que vem aí

Tour: não vale a pena especificar, é seguir dia-a-dia a extraordinária corrida

Hóquei em patins: está a decorrer o Mundial e Portugal bateu a Colômbia por 8-2 no primeiro jogo do Grupo B. Seguem-se: Argentina-Portugal (esta segunda-feira, 21h, RTP3) e Chile-Portugal (terça-feira, 17h, RTP3). No Grupo A estão Espanha, Itália, Angola e França.

Futebol: Benfica-Anderlecht, na quarta-feira, apresentação aos sócios (20h30, BTV)

Hoje deu-nos para isto

As reviengas de Paulo Futre

Ora então, por ocasião da apresentação de João Félix no Atlético de Madrid, recuperamos aqui o maior dos portugueses a jogar pelos colchoneros: Paulo Futre. É verdade que houve Tiago ou Simão, mas não houve outro como Futre, poderoso e instintivo, por vezes egoísta como só os grande craques podem ser