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A impassibilidade do guarda-redes no momento do penálti

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Toni Albir/EPA

No grande quadro de todas as grandes coisas, é provável que não haja pior profissão que a do guarda-redes – e logo a seguir vem a do segundo guarda-redes. Comecemos por aqui. O homem ou a mulher que jogue nesse lugar distante chamado banco de suplentes aguarda pacientemente pela sua oportunidade e, embora não o diga, por uma destas três coisas: uma lesão, um castigo ou uma sequência de frangos do número um. É uma longa e angustiante espera, pois ninguém quer que a sua equipa perca, mas a verdade é que só perdendo é que ele pode fazer alguma coisa pela vida.

Esta é a primeira-parte do jogo; a segunda começa quando ele vai para baliza e se submete ao mais violento dos escrutínios populares, onde não há meio-termo, apenas o bom e o francamente mau. Isto acontece sobretudo no futebol, onde as múltiplas repetições dos mais variados ângulos destapam o peru, o “tempo de reação tardio” e a “saída dos postes”, mas nos outros desportos a crítica também é epidérmica e instantânea, do tipo “eh pá, este gajo não defende uma”

E assim chegamos a Ângelo Girão, o guarda-redes da seleção nacional de hóquei em patins.

O facto de ter de especificar a modalidade para efeitos de identificação, significa que Girão parte imediatamente atrás de, por exemplo, Rui Patrício ou Vítor Baía. Nenhum deles foi campeão do mundo como Girão, mas o desconhecimento generalizado é só um dos problemas do hoquista.

Os outros não são filosóficos, mas físicos.

Imagine o que é passar praticamente 50 minutos de cócoras, em cima de patins, com um stick na mão a servir de bengala enquanto se estica uma das pernas ao nível da cabeça e se mantém o equilíbrio possível numa posição invejável para qualquer guru de yoga. Tudo para defender uma bola com um perímetro de 23 centímetros rematada à queima-roupa, como uma bala.

Pois bem, no domingo, Girão defendeu cinco bolas paradas e ainda três grandes penalidades na final contra Argentina. Foi o super-herói do Mundial e um colega pediu que lhe fosse construída uma estátua; ele disse que este era o resultado da amizade e do companheirismo, porque “todos se dão bem” apesar de alinharem em clubes diferentes.

“O hóquei está vivo”, sentenciou Girão, uma frase que poderia ter escrita por Mary Shelley. Na verdade, o campeonato português é o melhor campeonato do mundo, embora grande parte de nós não o saiba ou siga ou reconheça. E Portugal somou o 16.º título, 16 anos depois.

E o resto é história.

O que se passou

Novak Djokovic aguentou o ataque de Roger Federer, sobreviveu a dois match-points contra e ao público hostil, para conquistar o mais emblemático dos torneios de Grand Slam: Wimbledon. Lewis Hamilton fez história em Silverstone, o Benfica cilindrou a Académica, o Sporting empatou com o St. Gallen, e Portugal ganhou à Itália na estreia no Europeu de sub-19.

“Passava férias com o Mozer, que dava porrada no meu pai nos clássicos. Os jogadores dão-se bem fora de campo, o clima tem de mudar”

No dia em que Jonas se despediu do futebol, Gonçalo Paciência escreveu nas redes sociais para lhe agradecer a "belíssima carreira". O ex-avançado do FC Porto foi insultado por muitos adeptos e tinha consciência de que a publicação também teria esse impacto. Mas o português quis dar o exemplo, mesmo sabendo que não vai ser ele a "mudar o mundo". À <strong>Tribuna Expresso</strong>, diz que o futebol português tem que "ser mais livre", que os clubes deviam "deixar de ser tão picuinhas" e deixarem os jogadores "falarem mais". Porque, em Portugal, "parece que se está a criar uma guerra"

“Antes do jogo com o FCP pus no Face: ‘ótimo dia para dois golos’. O mister fez-me apagar o post, eu fiz o bis. A minha confiança é anormal”

Há quatro anos, Hugo Vieira viu o primeiro amor da sua vida, Edina Carvalho, perder a batalha contra o cancro e diz ter percebido que o importante é ajudar os outros e viver o presente. Andou por Espanha, Japão e agora Turquia mas foi na Sérvia que encontrou o amor por uma sérvia que lhe deu uma nova razão de viver: a filha Bianca. Confessa que era um miúdo traquina, muito convicto das suas ideias, que queria ser adulto depressa. O avançado de 31 anos que já tem uma agência de viagens e uma empresa no ramo imobiliário, revela pormenores da sua vida, afirma que sempre que diz que vai marcar golo, marca, e conclui que o futebol português está pior do que quando saiu para o estrangeiro

A média de 1.3 travadinhas por jogo (dados Goalpoint) de Florentino e a Taça Hospital da Luz que tanto diz a Fejsa (por Um Azar do Kralj)

Vasco Mendonça viu a goleada do Benfica à Académica por 8-0 e já está irritado com Caio Lucas, apesar de estarmos apenas em meados de julho. Congratula-se também com Tiago Dantas, mais uma pérola do Seixal, a primeira em que o valor fixado para a cláusula de rescisão - 88 milhões - coincide com a altura do jogador em centímetros

Sinisa Mihajlovic revela que sofre de leucemia

Treinador que na época passada chegou a ser apresentado como técnico do Sporting vai iniciar tratamentos na terça-feira, enquanto continua à frente do banco do Bolonha

O que aí vem

Segunda-feira, 15 de julho
Ciclismo: Volta a França, com a participação de Rui Costa (UAE-Team Emirates), Nelson Oliveira (Movistar) e José Gonçalves (Katusha-Alpecin), até 28. 10.ª etapa: Saint-Flour - Albi, 217,5 km.

Terça-feira, 16 de julho
Futebol: FC Porto - Fulham (Jogo particular, no Estádio Municipal de Albufeira, 20h30)

Quarta-feira, 17 de julho
Ciclismo: Volta a França, com a participação de Rui Costa (UAE-Team Emirates), Nelson Oliveira (Movistar) e José Gonçalves (Katusha-Alpecin), até 28. 11.ª etapa:. Albi - Toulouse, 167 km.
Futebol: Fase de grupos do euro sub-19. Grupo A: Portugal – Espanha, 18h45 (Estádio Banants) e Arménia – Itália, 21h00 (Estádio Republican).

Quinta-feira, 18 de julho
Ciclismo: Volta a França, com a participação de Rui Costa (UAE-Team Emirates), Nelson Oliveira (Movistar) e José Gonçalves (Katusha-Alpecin), até 28. 12.ª etapa. Toulouse - Bagnères-de-Bigorre, 209,5 km.
Futebol: Campeonato da Europa sub-19, na Arménia. Grupo B: República Checa – Noruega, 18:45 (Estádio FFA Academy) República da Irlanda – França, 21:00 (Estádio Banants).

Sábado, 20 de julho
Futebol: Benfica - Chivas (21h, Internacional Cup, EUA)

Zona mista

Temos de começar a prender esta malta, seja preto, vermelho, azul ou verde, Bruno Lage, treinador do Benfica, sobre a idiotices na bancada no Académica - Benfica

O que se passou

Reviver é voltar a 2003

Há 16 anos, Portugal sagrou-se campeão do mundo de hóquei, em casa, numa final que teve apenas um golo e muitos sorrisos e lágrimas e festejos. Este é o jogo completo, cortesia da internet, para relembrar que há desportos em que somos realmente melhores