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Sobre um improviso de Marcel Keizer

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Dores de cabeça para o treinador holandês do Sporting? Não serão poucas

Dores de cabeça para o treinador holandês do Sporting? Não serão poucas

MÁRIO CRUZ/LUSA

Ainda espero o amor
como no ringue o lutador caído
espera a sala vazia

Lembrei-me destes versos enquanto afoitas câmaras da realização apanhavam no Estádio do Algarve os olhos vazios da desilusão, o espanto das caras afundadas nas mãos, a raiva das lágrimas de quem se vê, no dia 1 da época oficial, caído no ringue, à espera que a ofensiva acabe, a desejar o anonimato da sala vazia, por oposição àquele campo diretamente televisionado para largos milhares lá nas suas casas.

São versos de um poema ao qual desavergonhadamente roubei o título para esta newsletter, que me perdoe o José Tolentino Mendonça, porque deve ser outra coisa que não o futebol que passa pela cabeça dos poetas quando sacam da folha branca e começam a juntar palavras e frases. Mas talvez lhes passe pela cabeça sentimentos tão humanos quanto a desilusão, o espanto e a raiva, coisas que o futebol tem de sobra.

Indiretamente ou não, a desilusão, o espanto e a raiva (aos quais junto a preocupação) que tantos adeptos do Sporting deverão estar a sentir neste preciso momento, 12h45 de segunda-feira, 6 de agosto, se foi dos primeiros a abrir este texto, nasceram de um improviso, não de John Coltrane como no poema, mas sim de Marcel Keizer, que chegou à Supertaça com um onze que havia provado cerca de zero vezes durante a pré-temporada leonina. O Sporting entrou bem, mas estratégias destas não permitem erros ou falhas ou displicências na hora de visar o objetivo, neste caso, a baliza.

O resultado, 5-0 para o Benfica, não será, sejamos justos, fruto de se assumir que se tem menos armas que o adversário. Não será sequer fruto dessa nova estratégia, desse novo sistema, inédito nas últimas semanas para os jogadores do Sporting. Mas será seguramente fruto daquilo que restou quando, ao intervalo, Bruno Lage desmontou a surpresa de Keizer: o problema do Sporting não foi improvisar, foi ser obrigado a ir à pauta e não saber ler.

E assim se arranca uma temporada, com um Benfica adulto, preparado, no qual, para já, não se notam as saídas. Com um FC Porto onde ainda há mais dúvidas que certezas (e com um teste de fogo já na quarta-feira para a Liga dos Campeões, frente ao Krasnodar) e com um Sporting, de momento, afundado por uma derrota pesada e, aparentemente, sem arte ou engenho para sair de apertos e desafios como os que o Benfica lhe colocou à frente na 2.ª parte da Supertaça. E com Bruno Fernandes, o farol de talento que tantas vezes mitigava a evidência de que o Sporting é um conjunto de jogadores mas não uma equipa, de saída e sem um sucessor à vista.

O campeonato começa já na próxima sexta-feira.

O que se passou

O Manchester City foi mais forte que o Liverpool nas grandes penalidades e venceu a Supertaça britânica, num daqueles duelos elétricos à inglesa.

Na Volta a Portugal, o domínio é azul e branco e foi João Rodrigues (24 anos, muito talento) a vencer na mítica chegada à Torre.

A regularidade de Miguel Oliveira valeu-lhe mais uma corrida nos pontos no GP República Checa, em Brno. No próximo fim de semana há mais, na Áustria.

Na Fórmula 1, Lewis Hamilton executou na perfeição a estratégia arriscadíssima da Mercedes para ultrapassar Max Verstappen nas derradeiras voltas do GP Hungria e vencer a última prova antes da paragem de verão.

Esqueçam Lennon e McCartney, amigos. Rafael Alexandre e Luís Miguel é o que está a dar

Um Azar do Kralj dedicou a Rafa alguns versos de 'We Belong Together', um tema dos Vampire Weekend, e a Pizzi saudou o facto de nenhum gigante europeu andar atrás dele, porque "pode ter os seus defeitos, mas rende muito contra estas equipas mais pequenas"

Ah, as saudades que Diogo Faro tinha de jogos oficiais. E Bruno Fernandes já deve estar pronto para a Nova Zelândia

Por este altura, imagina Diogo Faro depois do 5-0 contra o Benfica, a soma de tudo o ainda há de bom na equipa do Sporting "já está disposto a ir jogar para o campeonato neozelandês", porque, se for for para Inglaterra, "vai sempre haver comentadores a dizer: “Bruno Fernandes, cujo último jogo que fez pelo Sporting foi aquele cabaz humilhante de 5 secos lá bem metidos no fundo"

Benfica goleou porque a estratégia tem vida curta, mas o talento não

Marcel Keizer surpreendeu ao apostar num sistema com três centrais e equilibrou a primeira parte, mas assim que Bruno Lage acertou a equipa, Rafa e Pizzi marcaram as (muitas) diferenças, explica o treinador João Almeida Rosa

O Humilde Bernardo

Bernardo Silva não foi um dos nomeados para melhor do mundo e Bruno Vieira Amaral sabe porquê: "Com a bola nos pés é um líder, mas tem o espírito humilde do aguadeiro"

Rui Vitória: “Já aconselhei jogadores meus de que a melhor coisa que podem fazer é irem treinar com outro treinador"

Gosta de ver as coisas a saírem "de forma automática, que não sejam um gesto mecânico" numa equipa sua. Nos treinos, tem um estilo de "descoberta guiada" com os jogadores e não os quer a pensar "'tenho de fazer porque é aquilo que é para fazer'". Diz que "o jogo do futuro no futebol vai obrigar cada vez mais à tomada de decisão do jogador", que é precisamente o que considera ser mais anormal em João Félix, para a idade que ele tem. <em>Esta é a segunda parte da entrevista a Rui Vitória, mais centrada em futebol jogado, originalmente publicada no Semanário Expresso a 20 de julho de 2019</em>

Rui Vitória: “A minha sensibilidade foi: não posso deixar o Benfica assim. Vou tentar até ao limite mesmo que saia daqui prejudicado”

Saiu do Benfica e, 10 dias depois, era confirmado no Al-Nassr. Não tinha planeado ir para a Arábia Saudita porque "nunca" fez "um projeto de carreira definido" e garante que o que lhe deu "mais gozo" no clube da Luz foi apostar na formação e em portugueses e "conseguir ganhar". <em>Esta é a primeira parte da entrevista a Rui Vitória, mais focada na saída do Benfica e na vida na Arábia, originalmente publicada no Expresso de 20 de julho de 2019</em>

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Todos os irmãos são 'doutores', ele ainda tentou sê-lo, mas as pranchas de surf não deixaram. João Cabianca tem 55 anos, é <em>shaper</em> há mais de 30 e faz as pranchas que Gabriel Medina tem debaixo dos pés há uma década. Pagou do próprio bolso as primeiras que desenhou para o brasileiro, por ser amigo do padrasto, quando ele ainda era "um puto chato", antes de virar o " <em>The Freak Kid</em>" que explodiu num evento em França, aos 15 anos. Diz que os <em>shapers</em> mais jovens "dependem muito das máquinas"

Bruno de Carvalho volta a atacar: “Têm de me colocar num calabouço qualquer e esquecer a chave, na esperança de que a sociedade me esqueça”

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O que aí vem

Segunda-feira, 5

Ainda antes de arrancar o campeonato, há Taça da Liga: Feirense-V. Guimarães (19h45, Sport TV1).

No Championship, há um Huddersfield Town-Derby County (19h45, Eleven Sports1).

Segue até ao fim da semana a Volta a Portugal (15h, RTP1).

No ténis, há Masters 1000 de Montreal ao longo de toda a semana (a partir das 17h, Sport TV4).

Terça-feira, 6

Arranca a 3.ª pré-eliminatória da Champions, com um PAOK-Ajax (18h, 11).

Quarta-feira, 7

É a estreia do FC Porto na edição 19/20 da Liga dos Campeões, em casa do Krasnodar (18h, Sport TV1).

O Sp. Braga arranca a participação na Liga dos Campeões Feminina, frente ao Sturm Graz (11h30, 11).

Ainda na pré-época, há um Red Bull Salzburg-Real Madrid (18h, Sport TV3) e um Barcelona-Nápoles (00h30, Sport TV1).

Quinta-feira, 8

Na 3.ª pré-eliminatória de acesso à Liga Europa: Brondby-Sp. Braga (17h30, Sport TV1) e Ventspils-V. Guimarães (17h45, Sport TV2). Para a mesma fase há ainda um Pyunik-Wolverhampton (17h, 11) e um Vaduz-Eintracht Frankfurt (19h30, 11).

Sexta-feira, 9

Arranca a I Liga, com um Portimonense-Belenenses SAD (20h30, Sport TV1).

Dia também de início da Premier League, com o Liverpool-Norwich (20h, Sport TV1) e da Ligue 1, com o Monaco-Lyon (19h45, Eleven Sports1).

No MotoGP, há treinos livres para o GP Áustria (a partir das 8h, Sport TV5).

Sábado, 10

O FC Porto é o primeiro dos grandes a estrear-se na nova edição da Liga, frente ao Gil Vicente (19h, Sport TV1). Segue-se o Benfica-Paços de Ferreira, a uma hora absolutamente incrível para a prática do futebol (21h30, BTV). Antes disso, há Santa Clara-Famalicão (16h30, Sport TV4).

Na II Liga: Nacional-Chaves (11h, Sport TV1).

Na Premier League: West Ham-Man. City (12h30, Sport TV2), Crystal Palace-Everton (15h, Sport TV2) e Tottenham-Aston Villa (17h30, Sport TV2).

Na Ligue 1: Marselha-Reims (16h30, Eleven Sports1) e Angers-Bordéus (19h, Eleven Sports1).

O Sp. Braga volta a jogar na Champions feminina, frente ao Apollon Limassol (16h, 11).

E ainda na pré-época: Atlético Madrid-Juventus (17h05, Sport TV3).

No MotoGP há qualificação para o GP Áustria (a partir das 11h35, Sport TV5).

Domingo, 11

É o dia 1 do Sporting no campeonato, em casa do Marítimo (18h30, Sport TV1). Ainda na I Liga: Boavista-Aves (16h, Sport TV5), Rio Ave-V. Guimarães (20h30, Sport TV3) e Sp. Braga-Moreirense (21h, Sport TV1).

Na II Liga: Académica-Leixões (11h15, Sport TV1) e Benfica B-Estoril (18h, BTV).

Na Premier League: Newcastle-Arsenal (14h, Sport TV2), Leicester-Wolverhampton (14h, Sport TV3) e Man. United-Chelsea (16h30, Sport TV2).

Na Ligue 1: Lille-Nantes (14h, Eleven Sports2) e Paris SG-Nimes (20h, Eleven Sports1).

Na pré-época joga-se o Roma-Real Madrid (19h, Sport TV2).

No MotoGP, siga o GP Áustria (a partir das 10h, Sport TV5).

Hoje deu-nos para isto

Para quem gosta de futebol e desespera com jogos de pré-temporada, silly season e quejandos, este fim de semana foi um bom fim de semana: já houve bola a rolar, já houve troféus oficiais entregues e faltam escassos dias para arrancarem alguns dos mais importantes campeonatos da Europa.

Mas há mais para lá de futebol e muitas vezes o que há para lá de futebol não é bonito: é violento e sádico e cheio de preconceito e muito mais grave que uma derrota, um desaire, um jogo que correu mal, um troféu que se perdeu. A culpa é sempre nossa, nós homens. Nos Estados Unidos, no espaço de poucas horas, dezenas de pessoas (que não são números, claro, mas já são tantas, centenas, que qualquer dia será difícil dar nomes a cada uma delas) sucumbiram a armas de assalto, boa parte delas num supermercado onde elas ali estão, à mão de semear, disponíveis para comprar, ao lado de um quilo de arroz e um raminho de salsa.

E o que nos resta depois disto? Talvez fazer como Alejandro Bedoya. Este internacional norte-americano de origem colombiana e capitão dos Philadelphia Union aproveitou os microfones que pululam as linhas laterais dos estádios de uma MLS que se quer aproximar mais dos adeptos para deixar uma mensagem ao Congresso, aos homens de gravata e às mulheres de tailleur que têm nas mãos a hipótese de alguém acordar ou não a pensar que nesse dia poderá levar um tiro de uma arma comprada de forma legal enquanto faz compras. Tudo aconteceu depois de abrir o marcador do jogo entre os Union e o DC United, a equipa da capital, onde tudo, muito mais do que um jogo de futebol, se decide. Ele, que é latino, sabe do que fala.

O apelo de Alejandro Bedoya: "Congresso, façam alguma coisa já! Acabem com a violência armada”

Depois de marcar o primeiro golo do jogo entre os Philadelphia Union e os DC United, o internacional norte-americano de origem colombiana usou o seu espaço mediático para deixar uma mensagem política