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88 razões para se acreditar em Jesus

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Jorge Jesus, de microfone em punho, com Gabigol ao lado, algures no alto do Rio de Janeiro, a liderar cânticos

Jorge Jesus, de microfone em punho, com Gabigol ao lado, algures no alto do Rio de Janeiro, a liderar cânticos

Wagner Meier/Getty

A natureza humana, tramada como é, formata a memória que nem uma caixa de supermercado, onde as últimas impressões gozam de fila prioritária e tudo o que veio antes leva um desconto amnésico. Quando saiu de Portugal, a memória coletiva tinha Jorge Jesus como um grandioso taticista, treinador mestre no treino, cândido e honesto no falatório público, brusco no trato dos jogadores, que muito prometia e ganhava ao início, mas que morria, demasiadas vezes, à beira-mar dos títulos, perdendo finais ou jogos que, no fundo, eram como finalíssimas.

Era o treinador teimosão, que se inflacionava nas conferências de imprensa, por vezes quase disléxico, a enganar-se em números e nomes, que juntou 12 títulos em Portugal, mas ouvia as pessoas a falarem mais do que não conseguiu ganhar - do Kelvin que o ajoelhou na relva e do golo que o derrotou à segunda final seguida da Liga Europa, ambos aos 92 minutos; dos 88 pontos com que o Benfica superou o seu Sporting; dos ochenta y ocho minutos em que se aguentou a ganhar ao Real Madrid.

O Jorge Fernando Pinheiro de Jesus que começou a treinar no Amora, em 1991, ganhou a terceira divisão no ano seguinte, chegou à primeira em 1995, com o Felgueiras, evadiu-se para a Arábia Saudita e, depois, à revelia da opinião do empresário e grande parte dos amigos, foi para o Brasil, terra onde os estrangeiros pouco se aventuram. E, em menos de 24 horas, ganhou o Brasileirão e a Copa dos Libertadores, que conquistou com golos aos 88 e 92 minutos de uma final, portanto, por demais simbólica.

Cada um dos três parágrafos anteriores tem 88 palavras, número tão usado para troçar de Jesus. Ao mesmo tempo, é a quantidade de motivos que ele poderia usar para explicar que um treinador se define não pelo que perde, nem pelo que ganha, mas pela maneira como faz as coisas - e, se essa forma o leva, há uma década, a lutar por títulos e a estar ou quase chegar a finais, alguma coisa estará a fazer bem.

Eu tenho a minha opinião sobre Jorge Jesus, todos temos, mas, olhe-se e valorize-se o que se queira, ganhou 11 das 17 finais que jogou e, com 65 anos, idade em que muitos e bons treinadores são carimbados com o atestado de obsolescência, foi campeão do Brasil e das Américas. Tudo em apenas seis meses.

De repente, o simbolismo é todo seu: reina a crença no treinador cujo apelido é siamês da devoção religiosa do país.

Não querendo ser puxa saco, coisa que muito se tem visto e que ele não precisa, o homem merece. Desde que chegou ao Braga, há 10 anos, que Jorge Jesus ganha troféus em todos os clubes, vence mais de metade dos jogos e tem impacto, quase imediato, em quem treina.

Seja pelo método, os exercícios de treino que inventa, o esmiuçar com que trata os adversários ou a comunicação que tem com os jogadores, é um treinador que deixa a pegada bem vincada, que vence e perde como todos os outros, com defeitos e virtudes, que são percecionadas ao gosto de cada um.

Neste momento, Jorge Jesus é bem capaz de ser o segundo treinador português mais conhecido e falado no mundo onde há portugueses a treinar em todo o lado. Provavelmente, até seria o primeiro, não tivesse José Mourinho ressuscitado, de novo, em Londres.

Antes do ano terminar haverá Mundial de Clubes, no Qatar, onde, quem sabe, terá uma final para jogar com o Liverpool e uma obra, esta sim, com mais contornos milagreiros, para Jesus operar. Há seis meses, muita gente teria, pelo menos, 88 motivos para acreditar que nada disto seria possível, quanto mais exequível.

O que se passou

O Benfica ainda se assustou em Vizela, mas acordou a tempo de sobreviver na Taça de Portugal. O FC Porto livrou-se do Vitória de Setúbal e fez o mesmo. E, em Inglaterra, o retornado José Mourinho já pôs o Tottenham a ganhar.

Em outros fusos horários, Frederico Morais espetou uma bandeira portuguesa nas areias do Havai, ganhou um evento de 10.000 pontos, garantiu (de vez) o regresso ao world tour do surf e lidera o circuito de qualificação.

Foi mais na raça do que na arte e nenhum torcedor flamenguista foi dormir triste. Na verdade, nenhum torcedor flamenguista foi dormir

O escritor Bruno Vieira Amaral escreve sobre o Flamengo - River Plate que coroou Jorge Jesus na América do Sul

A maldição do minuto final vira contra argentinos, e Jesus se sagra campeão da Libertadores com o Flamengo

Dois gols nos últimos cinco minutos consagram a carreira do treinador português no Brasil. <em>A Tribuna Expresso convidou o jornalista brasileiro Plínio Fraga para escrever sobre Jorge Jesus e o Flamengo com o tom, o sotaque e o ritmo certos do Brasilerão</em>

Edinho: "Onde investi o dinheiro? Comprei um carrossel que costuma estar nas festas do norte. Tenho encontrado gente espetacular nas feiras"

Aos 37 anos, Edinho sente-se com forças e capacidade para voltar a representar a seleção nacional. Recentemente comprou uma máquina utilizada pelos ciclistas da Movistar, para acelerar a recuperação e, inspirado em Cristiano Ronaldo e LeBron James, começou a publicar pequenos vídeos no Instagram, nos quais dá conselhos aos mais novos. Depois da formação feita no Almada, sob supervisão do pai, ex-futebolista, que estava sempre pronto a criticá-lo, rumou ao norte, onde representou SC Braga, Paços de Ferreira e Gil Vicente, antes de regressar a Setúbal. A seguir inicia aventura lá fora, primeiro na Grécia, depois em Espanha e por fim na Turquia. De regresso a Portugal, passa novamente pelo V. Setúbal, e pelo Feirense, até chegar ao Cova da Piedade. Entre várias histórias que metem Fernando Santos e Sérgio Conceição, por exemplo, revela que tem dois filhos, mas que gostava de ainda ter uma menina. E confessa ser viciado na PlayStation

O Messi é agradável, o Cristiano não é mau, mas não há nada mais bonito no futebol do que o sorriso do Fábio Silva (por Lá em Casa Mando Eu)

O FC Porto venceu tranquilamente o Vitória de Setúbal, por 4-0, na 4ª eliminatória da Taça de Portugal, e Catarina Pereira, basicamente, teve de lutar para não adormecer

Um Azar do Kralj não recrimina os jogadores do Benfica, quando ele próprio estava distraído com o Flamengo

Com um olho no Flamengo e outro no Vizela, Vasco Mendonça lá viu o Benfica avançar na Taça de Portugal (2-1), mas, enfim, há poucas coisas boas a dizer, com exceção para este elogio a Vinícius: "Há uns anos tive que recorrer à Chaves do Areeiro depois de horas a tentar abrir a porta de minha casa. Foi embaraçoso. O tipo chegou lá com uma radiografia e abriu aquilo em 10 segundos. Senti-me envergonhado pela minha inaptidão, mas muito feliz por poder entrar em casa. Paguei uma fortuna, mas acabou por parecer-me barato"

A menina da Costa

Sofia Azevedo domina a bola e trata dos grelhados no restaurante da família com o mesmo afinco. Depois do futsal em Itália, segue-se agora o futebol de 11 mais perto de casa, na Costa de Caparica

Mil novecentos e oitenta e dois

Aquele vestuário amarelo e azul e a maneira simples, inocente e líquida como a bola viajava entre os brasileiros talvez me tenham transportado até aos tempos em que jogava ao lado de amigos com uma vestimenta igual. Era tudo simples sem grandes cálculos. O caminho era para a frente. Jogar por jogar. <em>Porque este sábado há Flamengo - River Plate, para a Copa dos Libertadores</em>

Zona mista

"O treinador português tem muita qualidade. Mourinho é o 'King of Europe', mas temos também o 'Rei de África', que é o Manuel José, e, agora, o 'Rei das Américas', com o Jorge Jesus."

Quando corou e estabeleceu reinados, Carlos Carvalhal ainda não sabia que Jesus juntou o Brasileirão à Copa Libertadores, sediando o seu trono das Américas bem no centro do Brasil e dando mais razão às palavras (mesmo que devidamente exageradas pelas analogias) do treinador do Rio Ave. Porque José Mourinho tem duas Ligas dos Campeões e já foi o melhor em Inglaterra, Espanha e Itália, enquanto Manuel José juntou quatro Ligas dos Campeões Africanas com o Al-Ahly, fora seis ligas egípcias. Só reis conquistadores, portanto.

O que aí vem

Segunda-feira, 25

Futebol

Série A
SPAL - Génova (19h45, Sport TV3)

Premier League
Aston Villa - Newcastle (20h, Sport TV1)

Surf

Arranca o Vans World Cup of Surfing, na praia de Sunset, no Havai, último evento do Qualification Series (QS), circuito de qualificação, onde participa Frederico Morais. O português já garantiu a presença no Championship Tour (CT), a principal divisão do surf mundial.

Terça-feira, 26

Futebol

Liga dos Campeões
Lokomotiv Moscovo - Bayer Leverkusen (17h55, E1)
Galatasaray - Club Brugge (17h55, E2)

Juventus - Atlético Madrid (20h, E1)
Estrela Vermelha - Bayern Munique (20h, E5)
Tottenham - Olympiakos (20h, E4)
Manchester City - Shakthar Donetsk (20h, E3)
Atalanta - Dínamo Zagreb (20h, E6)
Real Madrid - PSG (20h, E2)

Quarta-feira, 27

Futebol

Liga dos Campeões
Valência - Chelsea (17h55, E3)
Zenit - Lyon (17h55, E2)

RB Leipzig - BENFICA (20h, TVI)
Genk - Red Bull Salzburgo (20h, E6)
Slavia Praga - Inter de Milão (20h, E5)
Lille - Ajax (20h, E4)
Liverpool - Nápoles (20h, E3)
Barcelona - Borussia Dortmund (20h, E2)

Quinta-feira, 28

Futebol

Liga Europa
Trabzonspor - Getafe (15h50, Sport TV3)
Krasnodar - Basileia (15h50, Sport TV2)
Astana - Manchester United (15h50, Sport TV1)

BRAGA - Wolverhampton (17h55, Sport TV2)
Young Boys - FC PORTO (17h55, Sport TV1)
Basaksehir - AS Roma (17h55, Sport TV3)
Feyenoord - Rangers (15h55, Sport TV4)

V. GUIMARÃES - Standard Liège (20h, Sport TV2)
SPORTING - PSV (20h, SIC)
Arsenal - Eintracht Frankfurt (20h, Sport TV3)
Rosenborg - LASK Linz (20h, Sport TV4)

Sexta-feira, 29

Futebol

Ligue 1
Marselha - Brest (19h45, E1)

Liga NOS
Santa Clara - Boavista (20h30, Sport TV1)

Sábado, 30

Râguebi
Barbarians - Gales (14h45)

Futebol

La Liga
Alavés - Real Madrid (12h, E1)
Valência - Villarreal (20h, E1)

Premier League
Newcastle - Manchester City (12h30, Sport TV2)
Tottenham - Bournemouth (15h, Sport TV2)
Chelsea - West Ham (15h, Sport TV, diferido)
Liverpool - Brighton (15h, Sport TV, diferido)

Bundesliga

Paderbonr - Schalke 04 (14h30, E4)
Hertha Berlim - Borussia Dormund (14h30, E1)

Liga NOS
Moreirense - Desportivo das Aves (15h, Sport TV1)
Benfica - Marítimo (18h, BTV)
Portimonense - Famalicão (20h30, Sport TV1)

Domingo, 1

Fórmula 1

Grande Prémio de Abu Dhabi, a última corrida do mundial (Eleven Sports).

Futebol

Série A
Juventus - Sassuolo (11h, Sport TV3)
Nápoles - Bolonha (17h, Sport TV5)
Hellas Verona - AS Roma (19h45, Sport TV2)

La Liga
Atlético Madrid - Barcelona (20h, E1)

Premier League
Norwich - Arsenal (14h, Sport TV2)
Wolverhampton - Sheffield United (14h, Sport TV, diferido)
Leicester City - Everton (16h30, Sport TV3)

Liga NOS
V. Setúbal - V. Guimarães (17h30, Sport TV2)
Gil Vicente - Sporting (20h, Sport TV1)

Hoje deu-nos para isto

Quando a memória humana enferruja, é compensada, em muito, pelo arquivo de recordações televisionadas. Como Jorge Jesus já cá anda há tempo valente - começou a treinar em 1991, no Amora -, ficou devidamente gravado o que disse quando conseguiu a primeira de centenas de vitórias em jogos da primeira divisão.

Era agosto de 1995, estava no Felgueiras, o cabelo era cortado com mais vigor, tinha menos branco a cobri-lo e a voz ainda não se castigara tanto pela rouquidão. Jesus vestiu uma camisa sem gola, compôs-se com um casaco e compareceu no programa "O Dia Seguinte", da RTP, com a sua candidez habitual. Era o primeiro ano de JJ na primeira divisão em Portugal.

A Tribuna Expresso deseja-lhe uma boa semana, cheia de vitórias, sejam elas quais forem, e, de preferência, na nossa companhia: estamos no Facebook, Twitter e Instagram.

"Nenhum treinador tem a equipa que queria. Se pudesse, tinha o Baggio"

Acabara de conseguir a primeira vitória da carreira na primeira divisão e foi ao programa "O Dia Seguinte", da RTP. Cabelo mais curto, menos branco e a voz não tão rouca, assim era Jorge Jesus, no Felgueiras, durante a época 1995/96