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A lavandaria de futebol

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Os gestos vitoriosos de Jesualdo Ferreira quando, em 2017, ganhou a Taça do Emir do Qatar, com o Al-Sadd

Os gestos vitoriosos de Jesualdo Ferreira quando, em 2017, ganhou a Taça do Emir do Qatar, com o Al-Sadd

KARIM JAAFAR/Getty

Esta manhã, confesso, acordei a saber patavina do que iria aqui escrever até espreitar, pela primeira vez, o telemóvel com olhos de ver e, no ecrã, ler Jamal Khashoggi.

É o nome do jornalista saudita que, em outubro de 2018, necessitado de alguma papelada para se divorciar, entrou pacato no consulado do país, em Istambul, na Turquia, e de lá saiu morto, assassinado e esquartejado por um esquadrão de agentes também sauditas. Cinco foram condenados à morte e juntar-se-ão a Jamal Khashoggi do outro lado, por certo nunca, jamais, nas mesmas parcelas de terreno do Além, para quem acredita que na morte está a implacável mão da justiça entre a benignidade e a malvadez, que separa os bons e os maus em vida, no caso, nascidos na Arábia Saudita.

Este é o nome do país onde os italianos sintonizaram a televisão para, no domingo às 16h45, em dezembro, verem a Lazio ganhar à Juventus e conquistar a Supertaça de Itália. Tinham-no feito já o ano passado e, durante mais uns momentos, o futebol é uma caravana circense e nómada, indiferente ao que se passa nas terras onde vai parando, preocupado apenas em entreter, se lhe perguntarem pelas suas motivações, mas, sobretudo, focado em visitar os lugares onde o dinheiro o chama e a Arábia Saudita chamará, em janeiro, por quatro equipas espanholas, no primeiro de três anos contratualizados para a nação onde a democracia é musculada e os direitos humanos são trinca-espinhas acolher um novo formato da Supertaça de Espanha.

De repente, o que de mais fulcral aconteceu nos futebóis do mundo centralizou-se ali e no vizinho Qatar, onde a versão jesuleirada do Flamengo perdeu a final do Mundial de Clubes, só no prolongamento, com o Liverpool treinado por Jürgen Klopp, que disse ter de ser "influente no futebol e não na política", escolhendo não falar sobre "um assunto sério, que tem de ser falado", ainda assim falando mais do que Razvan Lucescu, do Al-Hilal, que disse não estar autorizado pelo clube dos Emirados Árabes Unidos a falar sobre o facto de a homossexualidade ser ilegal no Qatar que, em 2022, acolherá o próximo Mundial e soma acusações de maus tratos a trabalhadores migrantes, violações de direitos humanos e corrupção.

Ninguém fala, pode falar ou acha que deve falar sobre estes temas. Concebe-se que o futebol é a bola e o resto é isso mesmo, um resto em que não se deve meter, mesmo que países como a Arábia Saudita e o Qatar tenham cada vez mais pegada no futebol e lhe dêem mais itinerância, perguntem a Jesualdo Ferreira, que certamente falará dos quatro anos que passou a treinar o Al-Sadd, os supostos últimos da carreira, mas que agora, aos 73 anos, deve ir treinar o Santos, do Brasil, para onde já foi Augusto Inácio (Avaí), ambos depois de Jorge Jesus desbravar um caminho de quase sucesso total até ir ao Qatar, porque lá se decide hoje em dia o caneco que pretende distinguir o melhor clube do mundo.

O futebol é um globe-trotter e uma lavandaria em eterna rotação, onde se banalizou ouvirmos que nunca se sabe o dia de amanhã pois, de facto, não podia ser mais verdade.

O que se passou

O FC Porto teve uma superação transmontana, o Sporting ressuscitou em pleno ato no Algarve e o Benfica empatou um jogo onde a sua sina estava praticamente decidida, em Setúbal, e assim sobreviveram os dois primeiros na Taça da Liga em que o último tombou. Carissa Moore é a tetracampeã mundial que se fartou de dar voltas ao mundo a bem do surf e anunciou uma pausa até aos Jogos Olímpicos, depois de também Ítalo Ferreira garantir a sua coroa.

José Mourinho perdeu contra o primeiro amor que teve e chegou a revisitar em Inglaterra, Mikel Arteta, aprendiz de treinador, disse que sim à última paixão enquanto jogador, para se experimentar no caldeirão sob fervura que é o Arsenal e, por cá, Ricardo Sá Pinto saiu já esta segunda-feira do Sporting de Braga que tornou um caso sério na Liga Europa, mas foi titubeando no campeonato.

Macumbas de Jesus, o líder espiritual “Macaco”, a seleção do Daesh e a outrora Taça da carica (por Bruno Vieira Amaral)

O escritor Bruno Vieira Amaral deixa-nos uns breves apontamentos pré-natalícios onde cabem algumas considerações sobre o Mundial de Clubes, o sorteio da Taça de Portugal e os resultados da Taça da Liga

De igual para igual: como o Liverpool bateu o Flamengo em jogo equilibrado

Roberto Firmino marcou o golo que roubou o título no Mundial de Clubes ao Flamengo. Jesus exalta “temporada brilhante” do Flamengo; Klopp elogia brasileiros. <em>A Tribuna Expresso convidou o jornalista brasileiro Plínio Fraga para escrever sobre Jorge Jesus e o Flamengo com o tom, o sotaque e o ritmo certos do Brasileirão</em>

Dar e receber

FC Porto está na final four da Taça da Liga após vitória frente ao Desp. Chaves por 4-2. Depois uma entrada de rompante, na 2.ª parte os dragões ofereceram alguns presentes ao adversário, mas já era tarde para os flavienses. Equipa de Sérgio Conceição tem encontro marcado com o V. Guimarães na meia-final

Rui Pinto em entrevista: “O Benfica é um polvo de influência sobre a elite da nação” (entrevista na íntegra)

Preso há nove meses na cadeia da Polícia Judiciária, em Lisboa, Rui Pinto, o rosto do Football Leaks, deu esta semana a sua primeira entrevista desde que foi extraditado para Portugal. Falou em exclusivo à revista “Der Spiegel”, parceira do <strong>Expresso </strong>no consórcio EIC - European Investigative Collaborations, sobre a experiência na prisão e o impacto das denúncias que fez.

Balada dos golos lindos e tristes

O V. Setúbal - Benfica (2-2) era praticamente um jogo de condenados e foi jogado ao ritmo de quem já tem a cabeça em outro lado. Valeram dois grandes golos, de Jota e de Guedes, para dar um pouco de brilho à noite em que os encarnados viram confirmada a saída da Taça da Liga

O karma e o coração

Em Portimão, o Sporting começou por ser surpreendido, depois foi prejudicado e foi já a jogar com menos um que foi buscar o seu melhor futebol para virar o jogo contra o Portimonense para 4-2 e qualificar-se de novo para a final four da Taça da Liga

“Em Angola, estava com outros jogadores do Benfica dentro de água, veio um pescador e atirou uma granada. Os peixes começaram a saltar"

Geraldo Alves tem 39 anos e está a viver na Roménia, país que primeiro estranhou e depois entranhou. Chegou lá em 2010, jogou em três clubes diferentes, conheceu a mulher, teve uma filha e está a tirar o curso de treinador, embora sem a certeza de querer seguir essa carreira. Irmão mais velho de Bruno Alves, não tem dúvidas de que este é melhor do que ele e talvez por isso tenha torcido sempre mais por Bruno do que por si próprio. Entre várias histórias, conta que chegou a ter 200 pares de ténis, gosta de fazer tiro ao alvo e de bom pagode ou samba. Depois de pendurar as botas passou a cuidar melhor da sua alimentação, está quase vegetariano e puxa ferro todos os dias no ginásio

Zona Mista

"Se não consigo êxito no que controlo, estou aqui a mais. Isto não é nada. Não quero isto para a minha vida. Tenho direito de querer ou não viver com isto. Não preciso disto para ganhar dinheiro. Andamos a mentir uns aos outros, é o VAR, é o não sei quê. Eu tenho o direito de não querer isto."

São apenas algumas frases de uma versão exaltada e intempestiva de Carlos Carvalhal, que se virou contra o futebol português no geral após o particular Rio Ave-Gil Vicente, para a Taça da Liga, que teve um golo anulado à sua equipa nos descontos e o fez anunciar que se ia demitir.

O que vem aí

É semana natalícia em tudo o que é terra cristã, período de recato, repasto e reclusão familiar, equivalente a interrupção dos aparatos desportivos durante alguns dias. É o empanturrar do convívio que emagrece o calendário, mas, ainda assim, haverá motivos para se estar à frente da televisão para ver mais do que filme de época.

Segunda-feira, 23

Na véspera das vésperas de Natal, o único resquício de bola a rolar sobre relva terá João Pereira a fazer parte dos visitantes.

Primeira Liga turca

Konyasport-Trabzonspor (17h, Sport TV1)

Terça-feira, 24

Deste lado do charco atlântico já será dia de consoada e, de madrugada, haverá bolas a saltitarem no chão de pavilhões, a ressaltarem em tabelas e a caírem dentro de cestos, tudo vulgarmente conhecido por três siglas, que terão três jogos a passar na televisão.

NBA

Indiana Pacers-Toronto Raptors (00h, Sport TV3)
Miami Heat-Utah Jazz (00h30, Sport TV1)
Sacramento Kings-Houston Rockets (3h, Sport TV1)

Quarta-feira, 25

Bom, que passe um Feliz Natal.

Quinta-feira, 26

O celebradíssimo dia do qual um certo campeonato se apoderou, faz tempo, com o tradicional Boxing Day, é a atração para curar as ressacas das festividades, com 18 das 20 equipas a entrarem em campo para queimar as calorias.

Premier League

Tottenham-Brighton (12h30, Sport TV1)
Sheffield United-Watford (15h, Sport TV)
Chelsea-Southampton (15, Sport TV)
Bournemouth-Arsenal (15h, Sport TV)
Everton-Burnley (15h, Sport TV)
Aston Villa-Norwich (15, Sport TV)
Crystal Palace-West Ham (15h, Sport TV)
Manchester United-Newcastle (17h30, Sport TV1)
Leicester-Liverpool (20h, Sport TV1)

Sexta-feira, 27

As sobras da típica jornada futebolística da Premier League juntam-se no Wolverhampton-Manchester City (19h45, Sport TV1).

Sábado, 28

Premier League

Brighton-Bournemouth (12h30, Sport TV2)
Southampton-Crystal Palace (15h, Sport TV3, em diferido)
Watford-Aston Villa (15h, Sport TV2, em diferido)
Newcastle-Everton (15h, Sport TV3, em diferido)
West Ham-Leicester (17h30, Sport TV2, em diferido)
Norwich-Tottenham (17h30, Sport TV1)
Burnley-Manchester United (19h45, Sport TV1)

Domingo, 29

Premier League

Arsenal-Chelsea (14h, Sport TV1)
Liverpool-Wolverhampton (16h30, Sport TV1)
Manchester City-Sheffield United (18h, Sport TV2)

Hoje deu-nos para isto

Carlos Carvalhal, nos tempos em que ainda vivia em Inglaterra, aqui a servir de comentador ao lado de Scott Minto, que em tempos jogou no Benfica.

Carlos Carvalhal, nos tempos em que ainda vivia em Inglaterra, aqui a servir de comentador ao lado de Scott Minto, que em tempos jogou no Benfica.

Nick Potts - PA Images

Antes de retornar a Portugal, pegar na equipa do Rio Ave e agora não sabermos bem o que será feito dele, Carlos Carvalhal treinou em Inglaterra durante três anos e protagonizou alguns momentos caricatos nas aparições televisivas pré e pós-jogo, em que se mostrou criativos nas analogias, ofereceu pastéis de nata aos jornalistas e até chegou a sentar-se ao lado de José Mourinho, a meio de uma conferência de imprensa.

Desejo-lhe umas felizes festividades, o resto de uma excelente semana e, se puder, nos intervalos dos sonhos e das filhós, vá passando pela Tribuna Expresso: estamos no Facebook, Twitter e Instagram.

As tiradas de Carlos Carvalhal, uma figura que faz falta

O treinador português passou três anos em Inglaterra, durante os quais protagonizou alguns momentos engraçados, bem-dispostos e, sobretudo, descontraídos com os jornalistas