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Longa vida à defunta Taça da Carica, a mais querida de todas as taças

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AFP

Não estarei a ser demasiado otimista se assumir que toda a gente que nos lê se recorda daquela final da Taça da Liga de 2009, mas também não me custa fazer a um refrescamento de memória coletiva.

Foi assim: o Benfica ganhou ao Sporting por 3-2, no Algarve e após penáltis (1-1 nos 90 minutos), uma competição que tinha nome de cerveja e que muitos passaram a tratar por Taça da Carica.

O humor é timing e esta desconsideração colou-se ao terceiro maior título do futebol português.

Havia, claro, uma ordem de razões que assistiu aos criadores da piada, a primeira das quais o erro de Lucílio Baptista ao assinalar penálti num lance em que a bola bateu no peito de Pedro Silva; Reyes converteu, o Benfica empatou e o sempre castiço Paulo Bento fez aquele gesto com a mão que popularmente se traduz por gamanço.

[Sobre isto, há quem tenha escrito que Aristófanes é o autor original do sinal e há quem garanta que este vem dos napolitanos, pois são particularmente generosos na mímica.]

Bom, adiante, o que resultou dali, além do triunfo dos encarnados, foi o castigo a Paulo Bento, o mea culpa de Lucílio Baptista e o desprezo continuado de portistas e sportinguistas por uma Taça que o Benfica conquistaria em outras seis ocasiões, o que só acentuou o desdém alheio – até ao momento em que a indiferença foi substituída por troféus na vitrine.

Na vida, as prioridades vão mudando em função das circunstâncias. No desporto, a coisa não é assim tão diferente.

E assim, depois de historietas e de alguma história, chegamos à Final Four da Taça da Liga 2019-2020, onde estão Braga e Sporting (terça-feira, 19h45), e Vitória de Guimarães e FC Porto (quarta-feira, 19h45).

Todos a querem pelos mesmos motivos: o Braga está longe do 1.º lugar na Liga, foi eliminado da Taça de Portugal e o ‘projeto-Salvador’ exige títulos; o Sporting está fora da corrida do campeonato, também foi eliminado da Taça de Portugal e a salvação do clube depende de títulos; o Vitória de Guimarães quer legitimar uma ideia de jogo bonito e o FC Porto quer justificar o maior investimento no plantel dos últimos seis anos com algo tangível.

É óbvio que a responsabilidade de FC Porto e Sporting ultrapassa largamente a dos adversários e, na lógica das probabilidades, ambos devem reencontrar-se no fim de semana para disputar o mais ingrato dos títulos: o de campeão de inverno, o slogan pouco original da equipa de Pedro Proença para enobrecer um torneio mal-amado que provoca assinaláveis mudanças no calendário da Liga. Que, na sexta-feira, teve dois grandes jogos cujos desfechos transformaram a defunta Taça da Carica na mais querida de todas.

Pelo menos até sábado.

O que se passou

O Benfica ganhou ao Sporting em Alvalade e o FC Porto foi derrotado em casa pelo Braga, abrindo-se, assim, uma brecha considerável entre o primeiro classificado da Liga e os outros. Houve golos de Cristiano Ronaldo, mais um triunfo para o irresistível Liverpool, hackers na APAF com a cara de Rui Pinto, uma derrota no andebol e a blitzkrieg de Conor McGregor. Em baixo, trago-lhe aquilo que de melhor foi sendo produzido na nossa Tribuna Expresso.

Quando duas equipas jogam um dérbi em casa, de pijama e pantufas

Bruno Vieira Amaral ficou espantado com a falta de qualidade futebolística do Sporting-Benfica: "No meio de tanta pobreza, espantam-me as críticas ao treinador do Sporting. Para mim, Silas é um génio. Um treinador que põe uma equipa com Illori, Doumbia, Bolasie e Luiz Phellype a discutir o jogo e, em certos momentos, a dominar o adversário, está ao nível de um Rinus Michels"

Amor à camisola é ter 47 anos como Mathieu e dar *este* pontapé de bicicleta e cair de costas desamparado (por Diogo Faro)

Aqui vai a análise aos jogadores do Sporting no - sim - rescaldo da derrota contra o Benfica. Fica a recomendação

A poker face de Marcano, a bicicleta do Marco do Big Brother e uma equipa que não acerta um $”%/”#$ de um penálti (por Lá em Casa Mando Eu)

Catarina Pereira lamenta que, perante um adversário que marcou dois golos em bolas paradas, que o futebol continue a não premiar o talento de Marega

No fim, Rúben Dias quis levar uma recordação do jogo e mandou embalsamar Luiz Phellype (por Um Azar do Kralj)

Depois da exibição de Rafa em Alvalade, na vitória do Benfica por 2-0, Vasco Mendonça tem também uma mensagem para os adeptos do Manchester United: Stay the f*ck away, Man United fans. Take Bruno instead. We don’t care.

“Dizíamos aos atrevidos que o Bobó tinha uma irmã gira. Eles lá iam, ele ameaçava bater e aquilo assustava, porque era grande, forte e feio”

Homem do norte, bairrista e boavisteiro, Pedro Barny começa por descrever a falta de condições que encontrou na formação do Boavista, mas como tudo isso era ultrapassado com a carolice de treinadores que eram como uns segundos pais; conta como o major Valentim Loureiro era hábil nas negociações e como foi dificil trocar o Porto por Lisboa, quando vai para o E. da Amadora. Fala das partidas que fez e que sofreu, da época passada no Sporting, dos três anos no Belenenses e de como demorou a perceber que a carreira como futebolista tinha terminado. Amanhã, na parte II da entrevista, revela como tem sido a vida de treinador

“Houve pessoas a morrer no nosso balneário. Foi um filme, quase que tive de saltar por cima de polícias, só pensava: tenho de escapar daqui”

Pai de quatro filhos e com 53 anos, Pedro Barny iniciou carreira de treinador como adjunto de João Alves, na Académica. Depois assumiu o comando do Boavista por três jogos apenas e acabou por sair do Bessa, em litígio, que se mantém até hoje. Assumiu entretanto o comando do SC Espinho, mas acaba por não conseguir dizer não ao convite de Manuel José e volta a adjunto, primeiro em Angola, depois na Arábia Saudita, no Egipto e Irão. Em 2017, assume o papel principal como treinador do Ismaily, também no Egipto, país que o marcou pela Primavera Árabe e pelos acontecimentos de Port Said, que viveu intensamente e onde morreram 74 pessoas. Em dezembro passado assumiu a liderança do El-Gouna, no Egipto

Zona mista

“Digam-me um bom jogador estrangeiro no Benfica, FC Porto ou Sporting. Está complicado não é? O campeonato está pior”, Jorge Jesus, no aeroporto, no regresso ao Brasil para continuar a treinar (até quando?) o Flamengo

O que aí vem

Esta semana arranca o Open da Austrália, prossegue o Europeu de Andebol e acontece a Final Four da Taça da Liga (e alguns jogos de campeonato) e também a Premier League. Deixamos os eventos mais interessantes na lista que se segue.

TERÇA-FEIRA
Open da Austrália:
Nadal - Dellien (a partir das 00h00), Delbonis - Sousa (a partir das 05h00) e Medvedev - Tiafoe (a partir das 08h)
Final Four da Taça da Liga: Braga - Sporting (19h45, SportTV)
Premier League: Sheffield United - Manchester City (19h30, SportTV), Chelsea - Arsenal (20h15)
Euro2020 em Andebol: Portugal - Eslovénia (16h, SportTV)

QUARTA-FEIRA
Final Four da Taça da Liga:
Vitória de Guimarães - FC Porto (19h45, SportTV)
Euro2020 em Andebol: Portugal - Hungria (16h, SportTV)
Premier League: Tottenham - Norwich (19h30, SportTV)

QUINTA-FEIRA
Premier League:
Wolves - Liverpool (20h, SportTV)

SÁBADO
Premier League
: Leicester - Chelsea (12h30, SportTV), Liverpool - Southampton (15h, SportTV), Manchester United - Wolves (17h30, SportTV)
La Liga: Valencia - Barcelona (15h, ElevenSports)
Final da Taça da Liga: equipas e horário a determinar

DOMINGO
Liga: Paços Ferreira - Benfica (17h30, SportTV)
Premier League: Tottenham - Manchester City (16h30, SportTV)
La Liga: Atlético Madrid - Leganés (11h, ElevenSports), Valladolid - Real Madrid (20h, ElevenSports)


Hoje deu-nos para isto

“Consegue-se controlar uma equipa de 11. Agora, uma equipa de três com suplentes que não me inspiram confiança, torna-se mais difícil”

Esta é a mítica <em>flash interview</em> de Paulo Bento no final da final da Taça da Liga de 2009, disputada no Algarve, em que se atira, sem rodeios, à arbitragem de Lucílio Baptista no estilo do costume

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