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O espetáculo da Super Bowl LIV (vá, 54)

O espetáculo da Super Bowl LIV (vá, 54)

ANGELA WEISS

Eis-nos então novamente nesta altura do ano. Qual? Ora, aquela segunda-feira em que chegamos todos ao trabalho cheios de sono, e já lá vão dois cafés, por termos ficado acordados de madrugada a ver a final de um desporto que não acompanhamos minimamente durante o ano, em que a cada cinco minutos de jogo há paragens em quatro, e, enfim, sobre o qual não conhecemos bem as regras.

Na verdade, a minha Super Bowl preferida foi aquela em que ganhou a Beyoncé. Vá, os puristas que me perdoem - nomeadamente a minha excelsa colega Lídia Paralta Gomes, sumidade no assunto, como se pode verificar AQUI, que até teve a bondade de me explicar devagarinho o que é um pick six -, mas a minha maior razão para ver a Super Bowl (bom, a minha e a de uns quantos milhões, suspeito) é o espetáculo (e digam-me lá uma atleta mais atleta do que JLo, com 50 anos...).

Sim, os Kansas City Chiefs viraram a final nos últimos minutos de forma incrível, e isso também é, obviamente, um espetáculo (que me deixou triste, confesso, não só pela cara de Kendall Roy derrotado em Kyle Shanahan, mas porque os San Francisco 49ers também têm uma mulher como treinadora, que fez história), mas eu só vi esse espetáculo por causa do outro espetáculo - espetáculo esse que é montado nos 30 minutos de intervalo com uma velocidade e eficiência impressionantes.

Confuso? Nem por isso: é tudo uma questão de saber vender o nosso produto. Algo em que também pensava na madrugada anterior, enquanto via um outro espetáculo chamado NBA, no qual qualquer timeout serve para criar um mini espetáculo dentro do espetáculo principal.

Ora, como não podia deixar de ser (pelo menos no meu cérebro é assim), isto tudo leva-nos ao futebol, particularmente ao nosso futebol: ie, uma Liga em que o jogo grande da jornada, Sporting de Braga-Sporting, é mais divulgado pela atuação errática do árbitro do que por outra coisa qualquer (eis outra coisa em que o futebol americano já vai bem mais à frente: todos ouvimos o árbitro a falar e a revelar aos adeptos as suas decisões) e outro, Santa Clara-Paços de Ferreira, que vai sendo indefinidamente adiado à noite, devido ao mau tempo, sob olhar atento das câmaras televisivas, que vão filmando a aplicação em campo de cal viva, uma substância que já é proibida há quase uma década, e acaba por ser jogado no dia seguinte, num relvado com menos condições do que alguns distritais.

É um espetáculo, não é?

No final, Pedrinho, jogador do Paços de Ferreira, desabafou assim: "Esta noite acordei duas ou três vezes e parecia que o hotel ia abaixo. Não sei porque é que o jogo não foi adiado hoje. Sinto-me envergonhado por ser português. Nós vamos lá para fora, para o estrangeiro, por estas razões, não é só por causa das questões financeiras. Acontece, as pessoas tapam os olhos e faz-se de conta que não se passa nada. Chegamos aqui, o campo não está marcado. Choveu 95% dos dias no Norte. Nunca vi o campo do Paços, nem um dos distritais, por marcar. É ridículo, rídiculo o que se passou aqui. As coisas acontecem, não quer dizer que tenhamos perdido bem ou mal. Amanhã não sai nada nos jornais. Se fossem os grandes, havia sete ou oito páginas nos jornais. Como é o Santa Clara-Paços, toda a gente tapa os olhos. Vemos o João Félix sair por €120 milhões para a liga espanhola, temos tudo para ser um bom exemplo... mas não somos".

E se seguissemos os bons exemplos?

(Tradução do título desta newsletter: “Para ser um espetáculo, o espetáculo tem de nos dar espetáculo”)

O que se passou

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Kansas City Chiefs, os reis das cambalhotas, são campeões do Super Bowl. Meio século depois

Pelo terceiro jogo da post season seguido, os Kansas City Chiefs viraram uma desvantagem de 10 pontos ou mais para com uns minutos finais arrasadores baterem os San Francisco 49ers na finalíssima da NFL, por 31-20. É o segundo Super Bowl para a equipa do Missouri, 50 anos depois da vitória no Super Bowl IV. E é o primeiro Super Bowl para aquela que será a próxima grande estrela do futebol americano, o quarterback Patrick Mahomes

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A transferência de Bruno Fernandes para um clubezeco inglês

O escritor Bruno Vieira Amaral não percebe a surpresa de alguns adeptos com a transferência de Bruno Fernandes: "Perante a proposta de um Manchester United desejoso de contar com o jogador, o empresário Miguel Pinho, de perna esticada sobre a secretária, deveria esboçar um gesto de enfado: 'Então isto agora qualquer clubezeco de província acha que pode chegar aqui, acenar com uns milhões e contratar o médio recordista de golos numa só época?'"

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“Não me deixavam entrar no jogo de cartas, agarrei num extintor, dei duas bombadas, fechei a porta e vi os pescocinhos deles da varanda”

Paulo Sérgio cresceu numa casa de benfiquistas, mas foi o Belenenses o clube que acabou por ocupar-lhe o coração quando se tornou jogador. Ponta de lança também do Paços de Ferreira e Salgueiros, andou por Setúbal, Santa Clara, Estoril e Olhanense, onde terminou a carreira e abraçou a profissão de treinador. Pelo meio ainda teve uma experiência no Grenoble, em França, casou e foi pai de duas filhas. O ar calmo e sereno escondem um jovem que gostava de fazer algumas noitadas fora de tempo, jogar às cartas e fazer inusitadas partidas. No domingo, o jogador dará lugar ao treinador, na segunda parte deste “A Casa às Costas”

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Despiu o fato de jogador para vestir o de treinador, no Olhanense. Seguiu-se o Santa Clara e o Beira-Mar, mas foi no Paços de Ferreira e no V. Guimarães que o seu trabalho passou a ser mais reconhecido, acabando por ser contratado pelo Sporting. Desiludido com a (des)organização leonina, lançou-se para o estrangeiro, primeiro no Hearts, da Escócia, onde conquistou a Taça, e a seguir na Roménia e no Chipre. Regressou a Portugal para treinar a Académica, mas o sonho de ficar foi interrompido com a ida para o futebol árabe. Primeiro Emirados Árabes Unidos, depois Irão e, por fim, Arábia Saudita. Num momento de pausa, confessa que um dia gostaria de treinar o “seu” Belenenses.

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O Sporting perdeu com o Sporting de Braga, por 1-0, na 19ª jornada da Liga, e Diogo Faro teve isto a dizer sobre Sporar (que, no fundo, também é sobre o Sporting em geral): "Quase a ser feliz e a fazer-nos felizes. Um dia fará, também não há pressa. Mas lá para agosto convém que comece a marcar"

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O FC Porto venceu o Vitória de Setúbal, por 4-0, na 19ª jornada da Liga, e Catarina Pereira nem sabe bem o que escrever: "Agora é continuar, pronto, não há muito mais a acrescentar. Isto é mais fácil quando eles jogam mal, sabem?"

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O Benfica venceu o Belenenses SAD, por 3-2, na 19ª jornada da Liga, mas Vasco Mendonça não está totalmente satisfeito: "Foi simultaneamente assustador e bonito ver a passividade da nossa equipa enquanto Odysseas dizia “F***-SE, CALMA!” Não conheço em detalhe os critérios para obtenção de nacionalidade portuguesa, mas para mim está feito"

Zona mista

"Fomos condicionadíssimos na primeira parte, saímos para o intervalo com seis amarelos. Uma coisa incrível! Um árbitro internacional, que diz nas reuniões do jogo que não vai apitar contactos, que vai ter paciência, mostra seis amarelos. Já não se pode falar com ninguém? É uma falta de respeito da equipa de arbitragem durante todo o jogo. O Coates fez uma falta aos três minutos e já estava a dizer que na próxima ia para a rua. Um capitão, isto é uma vergonha!"

- Neto, jogador do Sporting, produziu um desabafo sincero no final do Braga-Sporting, que já se antevia desde o intervalo, quando Jorge Sousa amarelou o central leonino e ele ficou atónito

O que aí vem

Segunda-feira, 3
Na Liga italiana, há Sampdoria-Nápoles, 19h45, SportTV2.

Terça-feira, 4
Disputam-se as meias-finais da Taça de Portugal: às 19h45, Benfica-Famalicão, na SportTV; às 20h45, Académico de Viseu-FC Porto, na RTP1.

Quarta-feira, 5
MUITOS PARABÉNS! Cristiano Ronaldo completa 35 anos. Estamos todos velhos. Adiante. Há mais Taças por essa Europa fora, com destaque para o Tottenham-Southampton, às 19h45, SportTV4.

Quinta-feira, 6
O Atlético de Bilbau recebe o Barcelona, na Taça do Rei, às 20h. O 11 transmite a Supertaça feminina de Espanha, entre Atlético de Madrid e Barcelona, às 19h.

Sexta-feira, 7
Começa a 20ª jornada da Liga, com o Paços de Ferreira-Boavista, às 20h30. Na Serie A, a Roma de Paulo Fonseca recebe o Bolonha, às 19h45, SportTV3.

Sábado, 8
É obviamente um dia recheado de jogos, mas não há nada como o nosso clássico: FC Porto-Benfica, às 20h30, na SportTV1. Outros destaques: Braga-Gil, 18h, SportTV3; Hellas Verona-Juve, 19h45, SportTV2; Atlético de Madrid-Granada, 20h, Eleven Sports 1. No hóquei, há Valongo-FC Porto, às 15h, na TVI24. No andebol, há FC Porto-Veszprém, às 15h, para a Liga dos Campeões, no Porto Canal.

Domingo, 9
Mais um dia com dezenas de jogos. Destaques: City-West Ham, 16h30, SportTV2; Bayern Munique-RB Leipzig, 17h, Eleven Sports 1; Sporting-Portimonense, 17h30, SportTV1; Inter-AC Milan, 19h45, SportTV3; Bétis-Barcelona, 20h, Eleven Sports 1; PSG-Lyon, 20h, Eleven Sports 1; e, no feminino, Ovarense-Sporting, às 14h45, no 11. No futsal, há dérbi Sporting-Benfica, às 14h20, na RTP1.

Hoje deu-nos para isto

HUGO DELGADO/Lusa

Depois de tanta conversa da treta sobre a falta de nível IV de Rúben Amorim, o treinador do Sporting de Braga, que sempre foi "o palhaço" do balneário, como se pode ver no vídeo que segue mais abaixo (e conhecido pela sua imitação perfeita de Jorge Jesus), agora vai respondendo em campo: em sete jogos, sete vitórias.

Acho que não é necessário dizer muito mais do que isto, mas convido-vos a (re)ler as palavras do próprio, em entrevista à Tribuna, depois de ter arrumado as botas e começado a carreira de treinador, precisamente: AQUI.

De resto, se ainda não o fez, assine o Expresso, leia a Tribuna diariamente e siga-nos no Twitter, no Facebook e no Instagram: @TribunaExpresso.

Boa semana.

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O "repórter" Rúben Amorim

Rúben Amorim jogou no Benfica entre 2008/09 e 2014/15 (com um empréstimo ao Braga pelo meio) e sempre foi o animador de serviço no balneário - ou no avião, no regresso das viagens, como se pode comprovar nesta reportagem BTV