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O idiota Claudio Lotito e o seu diligente amigo

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Marco Rosi

Apresento-vos Claudio Lotito, inapreciável empresário e político italiano de Roma, mas aqui interessa-nos o futebol, como é evidente. Portanto, limpando o extenso CV deste senhor das suas outras ocupações, para nós ele é apenas, e ao mesmo tempo, presidente da Lazio (Serie A) e co-proprietário da Salernitana (Serie B). E é-o há alguns anos e o homem parece realmente ser um empreendedor *daqueles*.

Mas não se deixem enganar pelo apelido divertido, pois Lolito não é uma piada: Claudio foi investigado e/ou condenado por agiotagem, por envolvimento no escândalo Calciopoli, por sobrefaturação e evasão fiscal, por tentativa de extorsão e ainda por obstrução à justiça. Também foi apanhado em escutas a dizer que os clubes pequenos não interessam e que não deviam ter lugar na Serie A, porque eram maus para o negócio, pelo que o mérito desportivo poderia ir às urtigas.

Na verdade, não deixa de ser cómico que um tipo destes continue à frente de um dos maiores clubes de Itália, mas lá estou eu novamente a divagar.

Feitas as devidas apresentações, introduzo o tema, a COVID-19, Claudio Lotito e uma notícia impensável: segundo a Gazzetta Dello Sport, o nosso inestimável Lotito estará a pressionar - suavização para intimidar - os jogadores da Lazio e também da Salernitana a treinar em conjunto. Isso levou Damiano Tommasi, ex-jogador e hoje presidente do sindicato dos futebolistas italianos, a reagir publicamente, dizendo que os atletas não devem sair de casa, nem para “medir a febre”.

A guerra entre Lotito e Tommasi vem de trás e tem um terceiro protagonista chamado Arturo Diaconale, ex-jornalista e porta-voz da Lazio, ou melhor, porta-voz das teorias da conspiração de Lotito. Passo ao contexto e à tradução livre.

Há uns dias, Diaconale foi ao Facebook revelar a sua verdade, quando se sugeriu a suspensão da Serie A por tempo indeterminado, como acabou por acontecer lá, cá, em Espanha, França, Inglaterra e Alemanha. Bom, o criativo Diaconale escreveu o seguinte:

Não é só o medo do Coronavírus que é preciso enfrentar, os adeptos da Lazio também têm de temer uma segunda preocupação neste clima de emergência que pode vir a ser definida como sendo fruto do síndrome do título negado em 1915 [por causa da Grande Guerra o campeonato foi interrompido e a Lazio não foi campeã]. Uma eventual interrupção do campeonato atual pode impedir a Lazio de conquistar o scudetto, uma projeção sustentada nos brilhantes resultados que temos tido que nos levaram a ficar a apenas um ponto da [líder] Juventus”.

Depois, a uma rádio, o diligente Diaconale ainda reforçou: “Haver um jogador infetado não é razão para suspender a Serie A. Os futebolistas são homens responsáveis”.

Toda a gente sabe o desfecho, mas não deixa de ser surpreendente até onde vai a mesquinhez dos homens quando o que está em jogo é só um jogo. E, por isso questiono o que se vai passando nas ligas ucraniana, onde há muitos portugueses, russa e turca, onde já há, respetivamente, um morto e vários casos de contágio.

Lamento dizer-vos isto, mas hoje o futebol é nada.

O QUE SE PASSOU?
Verdadeiramente, não se passou nada. O fim de semana passou com uma acumulação de casos da Covid-19, decisões tardias, um pedido de desculpas e um equívoco bíblico.

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Nascido e criado em Setúbal onde ainda hoje vive com a mulher e duas filhas, Mário Loja recorda o seu passado no mesmo jeito tímido com que começou a dar os primeiros pontapés na bola. Depois de fazer toda a formação no Vitória onde se tornou profissional, rumou ao Boavista que, segundo ele, ainda lhe deve quase 90.000 euros; passou pelo Beira Mar e voou até Paris, para jogar no Créteil-Lusitanos durante quatro anos, antes de regressar a Portugal. Só desistiu do futebol na época passada, aos 41 anos. E agora ganha a vida como empregado fabril

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"O resto do desporto - ténis, F1, râguebi, golfe, futebol em outros países - a parar e a nós diziam-nos para continuarmos"

Num editorial publicado pelo "Sunday Times", Wayne Rooney apontou o dedo "ao governo, à Federação Inglesa e à Premier League", acusando-os de tratar os jogadores como "cobaias" por só terem suspendido o futebol no país após surgirem os primeiros caso de covid-19 no meio

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Jogador francês, diagnosticado com a covid-19 e que inicialmente gozou com as precauções a tomar com o vírus, vai ajudar os trabalhadores do pavilhão dos Utah Jazz, que ficaram sem redimentos depois da suspensão da temporada da NBA. Kevin Love, o primeiro a tomar a iniciativa, Giannis Antetokoumpo, Zion Williamson e Blake Griffin são outros dos atletas que estão a ajudar os trabalhadores das suas equipas

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ZONA MISTA
“Só entro em casa para almoçar. Fico cá fora e a família dentro. Uso pratos e talheres de plástico e só tenho contacto visual”, Carlos Carvalhal, treinador do Rio Ave e cidadão responsável

O QUE AÍ NÃO VEM
Vamos quebrar o protocolo, porque vêm aí tempos difíceis. Com a generalidade dos campeonatos parados, com as modalidades suspensas, o desporto entrou naturalmente num limbo de dúvidas e de questões para as quais não há uma resposta única, pois jamais enfrentámos coisa assim. Quem pode ser campeão? Quem desce ou sobe? Quem vai à UEFA? Haverá Euro2020? E os Jogos Olímpicos?

A Tribuna Expresso compromete-se a tentar responder a algumas destas, com rigor, e preparou algumas rubricas que pode e deve acompanhar. "Atrás da Cortina", histórias de arbitragem de Duarte Gomes, e "Quarentena à Capela", um diário de um futebolista português em Itália, são duas delas.

Portanto, nas próximas 12:45 não há agenda, apenas artigos dos nosso jornalistas e dos nossos colaboradores fixos: Bruno Vieira Amaral, Duarte Gomes, Vasco Mendonça, Catarina Pereira, Diogo Faro e Luís Rodrigues, que toda a gente conhece por Insónias Em Carvão.

Continue connosco, que nós continuaremos convosco.

HOJE DEU-NOS PARA ISTO

Agora, sim, humor. Senhoras e senhores, o "Sozinho em Casa", fora-de-época, mas que consideramos adequado para o que aí vem. Não é bem desporto, mas, bom, não sejam puristas. Nós, certamente, não somos.

Fique por casa.

"Isto é a minha casa. Eu tenho de defendê-la"

Esta é uma das muitas frases ditas por Kevin no icónico "Home Alone", de John Huges, cuja história escusamos de pormenorizar porque toda a gente a conhece: há um rapaz que fica sozinho em casa e uns ladrões que tudo farão para a roubar