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Subitamente, apetece-me escrever sobre nada

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Claudio Villa - Inter

Subitamente, apetece-me escrever sobre nada. Não sobre “o nada” metafísico, porque gosto de achar que uma newsletter assim tem de ser mais concreta do que abstrata, por isso isto é rigorosamente sobre nada.

Porque enquanto tentamos prever o futuro confinados, absorvendo dentro de paredes a ideia de estarmos exatamente no meio e a meio do desconhecido, nada acontece a não ser, pois, os exercícios adivinhatórios – probabilísticos, matemáticos, políticos e estatísticos – que pretendem responder a uma dúvida julgávamos impensável surgir: quando é que tudo isto volta ao normal?

Para evitar generalizações, fecho o tema no desporto, já que esta é a Tribuna 12:45.

Não há futebol em parte alguma, minto, não há futebol em parte alguma exceto em Taiwan, no Burundi, na Nicarágua, na Bielorrússia e no Tajiquistão, onde os dérbis se jogam ao trinado de passarinhos a cantar e o nepotismo é socialmente aceite. Digamos que não é nada, mas é apenas um bocadinho menos do que nada.

E dizem que por cá o Nacional da Madeira voltará aos treinos e será a primeira equipa portuguesa a fazê-lo. Na microclimática Choupana, as unidades de treino – é este o termo técnico –contemplam “trabalhos individuais” e “um máximo de dois jogadores por campo”, pelo que pressinto sprints por entre estacas de slalom, pulos, receções de bola, mais corrida e zero meinhos. Será mais ou menos como aquelas imagens de Ronaldo e o filho e os pinos e os marcos e os cones e as bolas sob o olhar e a pose de vistoriador de Rui Alves, o presidente do Nacional. Como “a atividade dos atletas de alto rendimento e seus treinadores, bem como acompanhantes desportivos do desporto adaptado, é equiparada a atividade profissional” – está no ponto 3 do artigo 5.º do decreto n.º2-B/2020 – o que é que os impede? Nada.

Também nada fazia antever um singular momento de convergência que nunca aconteceu entre os principais clubes portugueses na questão dos salários. Ninguém se enganou. O Braga anunciou cativações salariais primeiro e o Sporting foi resolvendo solidariedades e empatias internas até anunciar a redução de 40% nos ordenados. Provavelmente Benfica e FC Porto estudam processos semelhantes, mas estando ambos numa luta desportiva e mediática e todavia ainda separados por um ponto, qualquer coisa que lhes permita ter vantagem um sobre o outro é de aproveitar. Nem que seja o dinheiro que um tem e o outro – é público – tem menos.

Acontece que não há quem projete certezas absolutas, pois falta tempo e faltam informações sobre a covid-19, um vírus jovem e cujas consequências definitivas estamos ainda longe de dominar. É possível que a Liga regresse aos poucos e à porta fechada com jogos disputados numa sequência absurda, tal como é possível que o regresso da Liga se faça em playoff ou ainda que a Liga jamais regresse e o campeonato se anulado, contrariando as exigências da UEFA que fizeram a Bélgica retroceder na decisão de cancelar a sua Jupiter League.

Sabemos nada.

O QUE SE PASSOU
Se julgavam que nada, pois então que estão enganados. A Tribuna Expresso continua a produzir os conteúdos habituais (histórias, artigos, notícias e entrevistas) e novas rubricas ("O Meu Jogo", "O Dia Em Que...") e os nossos leitores continuam connosco. Portanto, entre os feriados de sexta-feira e domingo, e um sábado normal, destacamos isto:

Uma crónica sobre carniceiros, cuspidelas, cartões vermelhos, expulsões e o Arregaça (por Bruno Vieira Amaral)

Volto ao Arregaça, o campo de alcatrão onde, na minha infância, muitos talentos se revelaram e poucos se aproveitaram. Com boa vontade, dava para cinco jogadores de campo e um guarda-redes em cada equipa

“No Benfica, o Fernando Santos virou-se e disse-me: ‘Essas merdas dessas palhaçadas que te pões a fazer, tens de deixar de fazer isso, pá’”

Aos 36 anos, Nélson assume que vive há quase dois em exclusivo para os três filhos. Com a rotina instalada em Espanha, de onde não pensa sair, diz que gostava de ser treinador de crianças e que está a preparar-se para isso. Nesta viagem ao passado recorda as dificuldades que sentiu no início de carreira, quando chegou a Portugal, altura em que chegou a viver sem água, sem luz e a ir para os treinos sem tomar o pequeno-almoço. Fala da importância que treinadores como Jaime Pacheco ou Fernando Santos, entre outros, tiveram no seu amadurecimento e da fortuna que gastou a tentar recuperar o pai que ficou tetraplégico após uma queda. Lembra ainda os anos felizes que passou no clube do coração, o Benfica

Sporting e jogadores chegam a acordo para redução salarial de 40%. Administração reduz 50%

Acordo entre clube e jogadores foi alcançado esta tarde e vai vigorar nos meses de abril, maio e junho. Sporting é o primeiro dos três grandes a anunciar cortes salariais

Morreu Stirling Moss, o melhor piloto de sempre que nunca foi campeão

Antiga glória do Fórmula 1 nos anos 50 morreu este domingo de doença prolongada, aos 90 anos

Passarinhos a cantar, o dilúvio e os dois golos da equipa do filho do presidente (sim, isto é a crónica de um dérbi da liga do Tajiquistão)

Este domingo foi dia de dérbi em Dushanbe, capital do Tajiquistão, um dos poucos países em que ainda há futebol. O campeão em título, o Istiklol, bateu o CSKA por 2-0, num jogo com direito a hino do país, a tentativas de cantos olímpicos e a tentativas de saída de bola à Barcelona que correram mal

Limitação de mandatos, não apertar pescoços em AGs e o fim das cheerleaders: 10 desejos dos benfiquistas para o futuro (Um Azar do Kralj)

Vasco Mendonça está num momento "Quarentena, dia 534", mas deixa aqui 10 ideias para um Benfica melhor no futuro. Pelo menos, melhor para os seus sócios

Covid-19? Pandemia? Diogo Faro lamenta a maior tragédia de todas: jogadores de futebol a baixar salários

"Vocês conseguem imaginar o que é ganhar 50 mil euros por mês e, de repente, mesmo que até se perceba que é mais ou menos grave o que sucede no mundo, passa-se a ganhar, para aí, menos 20%? É duro, é duríssimo passar a ganhar apenas 40 mil euros, que mal dão para comprar um par de ténis Gucci por dia", lamenta o humorista Diogo Faro

FC Porto 5-0 Benfica. Ó meu deus nosso senhor Jorge Nuno Pinto da Costa, foi das coisas mais bonitas que eu já vi (por Lá em Casa Mando Eu)

O dia 7 de novembro de 2010 será para sempre um dos dias mais felizes da vida de Catarina Pereira - e de Hulk e de Sapunaru e, bom, de todos os portistas, que festejaram uma mão-cheia de golos frente ao Benfica, numa época histórica. <em>A rubrica "O meu jogo" convida o cronista, jornalista, ex-jogador, seja o que for, a relembrar-se dos eventos desportivos que mais o marcaram, como adepto ou interveniente</em>

ZONA MISTA
Fico surpreendido por ganhar milhões como futebolista enquanto médicos e cientistas ganham tão pouco”, Chicharito, futebolista mexicano, sobre a crise do novo coronavírus

HOJE DEU-NOS PARA ISTO

Ora então, este é CSKA Pamir contra o Khujand, jogo referente à liga do Tajiquistão, que tentaremos seguir de quando em vez aqui na Tribuna Expresso. Acompanhem este singelo resumo.

Futebol no Tajiquistão. Quem nunca?

Este é o resumo de um jogo da liga principal no Tajiquistão, um dos poucos lugares onde ainda se joga futebol em crise da covid-19