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O futebol vai voltar, mas assinem aqui primeiro

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Danilo Pereira, capitão do FC Porto, foi um dos jogadores a manifestar publicamente o seu desagrado em relação ao Código de Conduta da FPF

Danilo Pereira, capitão do FC Porto, foi um dos jogadores a manifestar publicamente o seu desagrado em relação ao Código de Conduta da FPF

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Ao domingo à noite, o plano era este: cada um vem equipado de casa, as meias, os calções e a camisola já vestidos. À chegada, tem a temperatura e eventuais sintomas controlados, se está nos conformes segue campo dentro. Hoje, pelas 9h, a primeira fornada de jogadores já treina, em conjunto. Antes e depois da sessão, bolas, pinos, coletes e tudo quanto é material desportivo e usado no treino é desinfetado para, às 11h, treinar o segundo grupo de jogadores do plantel do Vitória de Setúbal.

Mas, se o treinador o entendesse, e é comum todos os treinadores assim o entenderem em muitos treinos tidos em situações normais, poderia haver lugar a momentos de situação de jogo, à prosaica peladinha, dando rédea solta à aproximação de jogadores que estiveram uns dois meses a exercitarem-se à distância, sozinhos e em casa, distanciados por um estado de emergência e a bem da saúde pública. Domingo à noite, é isso que nos garante quem trabalha no clube: os treinos serão conjuntos, portanto, poder-se-ia jogar futebol normalmente.

A essa hora, já três jogadores do Vitória de Guimarães tinham testado positivo pelo vírus do qual a humanidade quer fugir com todos os pés. Três do Famalicão se seguiriam (mais dois elementos da estrutura), outro do Moreirense se juntaria e mais um do Benfica, precisamente quem mais mediatizou a súbita insurgência de casos em clubes da I Liga por jogar onde joga e por, no início de abril, ter sido apanhado a furar o isolamento obrigatório ao volante de um carro para o qual tinha mãos mas não carta legal para conduzir. No domingo à noite, assim de repente, sabe-se que oito jogadores da I Liga estão infetados, o que corresponde a nem 2% dos futebolistas que há nas 18 equipas do campeonato.

Também no domingo à noite sabemos, porque a Federação Portuguesa de Futebol o divulga, que há um Código de Conduta que deve ser assinado e subscrito por treinadores, jogadores, árbitros e todos os "agentes desportivos" para que a bola possa voltar a rolar no campeonato. Ou, sendo mais preciso, para quem faz do futebol profissão e competia na I Liga quando o bicho veio parar tudo, possa continuar a fazê-lo a partir do fim de semana de 30 de maio. É um documento, vindo de um parecer técnico da Direção-Geral de Saúde, no qual os jogadores têm de colocar a assinatura por baixo dos 14 pontos que lá estão escritos e cujo primeiro diz isto:

1. A FPF, a Liga Portugal, os clubes participantes na Liga NOS e os atletas assumem, em todas as fases das competições e treinos, o risco existente de infeção por SARS-CoV-2 e de COVID-19, bem como a responsabilidade de todas as eventuais consequências clínicas da doença e do risco para a Saúde Pública.

Ora, esmiuçando um pouco mais o que está aqui em causa, está a ser pedido a quem joga à bola e é pago por um clube para o fazer, que ponha o nome num código de conduta se quiser voltar a rolar com a bola esta época, ficando assim com responsabilidades, em termos de eventuais consequências que isto possa ter na saúde pública, na retoma de uma competição na qual não teve qualquer poder de decisão.

O código ficou ali para quem o quisesse ler e, também no domingo à noite, Danilo, Tiquinho Soares e Zé Luís do FC Porto logo se pronunciaram, aparentemente, sobre este primeiro ponto, porque se um polegar a apontar para baixo, um "não" escrito dentro de um coração preto, um dedo indicador a abanar para os lados e três cruzes acompanhadas por um "brincadeira só pode" são bastantes claros na discordância, na plataforma em que decidiram demonstrá-la (Instagram) não foram tão claros a indicar, ao certo, do que discordam exatamente. O contrário do que fez Francisco Geraldes, do Sporting, que a esse primeiro ponto dedicou duas reações: 🤷🏻‍♂️🤦🏻‍♂️.

E depois há os restantes 13, entre os quais se lê que os coabitantes dos agentes desportivos também ficam "obrigados" ao dever de recolhimento domiciliário, que os jogadores se vão submeter a um sistema de informação, monitorização e rastreio (presumivelmente, uma app para telemóvel), que "a identificação de um caso positivo não torna, por si só, o isolamento coletivo, das equipas, obrigatório" ou que, até ao último fim de semana de maio, todos os intervenientes devem ser submetidos a dois testes em 14 dias e, durante esse período, devem treinar individualmente.

Nós, que não jogamos nem treinamos, soubemos de tudo isto no domingo à noite. O Vitória de Setúbal, por exemplo, já o sabia e manteve o plano para os treinos em conjunto que já aconteceram esta segunda-feira, à hora a que vos escrevo. O resto iremos saber com o tempo, mas, para já, o que parece ser certo é que para voltarem ao que mais quererão voltar, os jogadores terão de ter a sua assinatura em algo mais que não o seu contrato com o clube.

O que se passou

O Mundial de 90 foi outra coisa - e provavelmente foi o melhor de sempre (por Bruno Vieira Amaral)

Até agora, que eu tenha dado conta, nenhum canal desportivo aproveitou a pandemia para transmitir os jogos do Mundial de Itália de 1990. Quero, por isso, agradecer-lhes. Já li comentários, já vi documentários, de vez em quando cedo à nostalgia e revejo no Youtube certos momentos desse Mundial que foi o meu Mundial

Código de conduta, recolhimento domiciliário, avaliação médica diária: as condições da DGS para o regresso do futebol

A Direção-Geral da Saúde já enviou à Federação Portuguesa de Futebol as condições essenciais para o regressa da I Liga e da Taça de Portugal. Um longo parecer técnico de 14 pontos que têm de ser cumpridos

Anders Andersson: “O Rúben Amorim não tinha corpo de jogador. Era um tipo simpático, engraçado e não levava a vida demasiado a sério”

A ideia era falar com um jogador sueco, conhecedor de Portugal, sobre o exemplo da Suécia em lidar com a covid-19, mas a conversa com Anders Andersson, que jogou no Benfica e depois no Belenenses, entre 2001 e 2005, rapidamente chegou a como o típico sueco "é o oposto do Zlatan", às aulas de português com Miguel no quarto, ao contacto que ainda mantém com Tiago e Fernando Aguiar, o "grande e bruto luso-canadiano" e ao carinho que nutre pelos portugueses: "Adoramos a mentalidade dos portugueses de não encararem tudo sempre de forma tão séria - se não podes mudar uma coisa, para quê estares a preocupar-te?"

DGS diz que em caso de muitos testes positivos no futebol risco será avaliado

Graça Freitas comentou os três positivos a jogadores do V. Guimarães. "As regras vão ser cumpridas, aguardemos os resultados e depois vamos avaliar os riscos", disse a diretora-geral da saúde em conferência de imprensa

Luís Freire, o “príncipe” das subidas: “Cheguei a ir a cafés para contratar jogadores”

Se Vítor Oliveira é conhecido em Portugal por ser o “rei das subidas”, Luís Freire já pode ser o príncipe. Subiu o Ericeirense, onde começou a ser treinador em 2012/13, nos distritais, subiu o Pêro Pinheiro até ao Campeonato de Portugal, subiu o Mafra até à II Liga e, agora, subiu o Nacional da Madeira. Aos 34 anos, chega à I Liga, num percurso tão rápido que ainda nem lhe permitiu tirar os níveis III e IV de treinador, como explica à <strong>Tribuna Expresso</strong>

Benfica está em “total discordância” com a CMVM e diz que agiu “sempre em conformidade com a lei”

O Benfica reagiu ao comunicado da CMVM com outro comunicado, manifestando-se surpreendido pela decisão do organismo em indeferir a OPA encarnada

Pimenta passou de 200 dias por ano em estágio ao isolamento: "Deu também para descobrir partes novas da casa, como a sala e o sofá"

A covid-19 fez o canoísta olímpico trocar as pistas do Centro de Alto Rendimento de Montemor-o-Velho por a sua Ponte de Lima, onde a sua rotina de treino acabou por não mudar tanto assim. E mesmo que brinque com a situação, Fernando Pimenta relembra o quão duro é "treinar sem saber para quê", numa altura em que as competições estão paradas

Zona mista

"Antes de um jogo com Liechtenstein, que era uma equipa fraquinha, o mister mostrou um vídeo de um jogo deles e, entre nós, ninguém disse nada. A dada altura, ele diz: ‘Bem, malta, não vos vou esconder nada, é isso que vocês viram, as vossas mães faziam melhor do que estes gajos."

A confissão risonha é de Daniel Podence, que recordou, em entrevista ao "MaisFutebol", uma palestra inspiradora de Rui Jorge, selecionador dos sub-21.

O que vem aí

Segunda-feira, 11

"Andrés Iniesta: O Herói Inesperado" - o génio calvo que marcou o golo mais importante da história da seleção espanhola e ajudou a marcar uma era no Barcelona faz 36 anos e este documentário celebra o baixinho para quem a bola é o fantoche mais obediente que há. Que os deuses do futebol sejam surdos, cegos e mudos, mas este pode bem ser o último aniversário que o espanhol celebra ainda enquanto futebolista (está no Japão, onde joga no Vissel Kobe).

Terça-feira,12

🏀 "The Last Dance" - se for dada prioridade ao aniversário de Iniesta, pode ficar para este dia o visionamento da penúltima fornada de episódios da série documental que narra a última temporada de Michael Jordan nos Chicago Bulls, com múltiplos vaivéns pelo meio.

Quarta-feira, 13

📜 Carlos Secretário faz 50 anos e chegar ao meio século de existência é uma boa desculpa para recordar a entrevista da Casa às Costas com o antigo jogador: "“No FCP, num jogo, o meu dedo do meio virou todo para trás. Eu com dores, o Paulinho chega e puxa-me o dedo para frente. 'Joga”.

Quinta-feira, 14

Salgueiros-Sporting - há 20 anos, a equipa de Augusto Inácio e de um matulão loiro na baliza, um central batedor de livres e de um argentino providenciador de golos foi ao defunto estádio de Vidal Pinheiro garantir o título de campeão nacional. Às 10h, na Sport TV1, pode recordar esse jogo.

Sexta-feira, 15

🎾 Simona Halep é a atual número dois do ranking mundial de ténis, deverá continuar a sê-lo durante bastante tempo e, como em todos os outros dias desta semana, a Eurosport passa, às 19h, um novo episódio da série que documenta os bastidores da carreira da romena, vencedora de dois torneios do Grand Slam.

Sábado, 16

😷 E eis que a espera está prestes a terminar. A Alemanha será o primeiro país europeu a retomar o futebol durante a pandemia. A Bundesliga 1 e 2 voltam à competição e estes são os jogos agendados para a principal divisão (em Portugal, os direitos televisivos da Bundesliga são detidos pela Eleven Sports, que ainda não anunciou que jogos irá transmitir).

Borussia Dortmund-Schalke 04 (14h30)
Leipzig-Freiburgo (14h30)
Hoffenheim-Hertha Berlim (14h30)
Fortuna Düsseldorf-Paderborn (14h30)
Augsburgo-Wolfsburgo (14h30)
Eintracht Frankfurt-Borussia Mönchengladbach (17h30)

Domingo, 17

FC Köln 1.-FSV Mainz 05 (14h30)
FC Union Berlin-FC Bayern München (17h)

Hoje deu-nos para isto

Andrés Iniesta a celebrar o golo que marcou aos 93 minutos, há 11 anos, contra o Chelsea.

Andrés Iniesta a celebrar o golo que marcou aos 93 minutos, há 11 anos, contra o Chelsea.

Matthew Ashton/Getty

Os espanhóis chamaram-lhe o Iniestazo e não sei bem se foi o feito a ser engrandecido pelo nome do jogador, ou se é a pegada do futebolista que fica mais vincada por dar o nome a um acontecimento, mas, há mais ou menos 11 anos, quem hoje faz anos marcava o golo que significou o retorno do Barcelona às finais da Liga dos Campeões (não chegavam lá desde 1992, com Johan Cruyff) e a oportunidade de cunhar com glória a revolução que Pep Guardiola orquestrou no clube, e no futebol.

Para quem jogava no Chelsea ou torce pelo clube londrino, esse tal jogo significará um dos maiores motins levantados em pleno relvado contra o árbitro, porque Didier Drogba e companhia insurgiram-se contra o norueguês Tom Henning Ovrebo devido aos erros dos quais o consideravam culpado.

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Quando tudo o que bastou foi um golo de Iniesta

Em 2009, nas meias-finais da Liga dos Campeões, em Andrés Iniesta marcou aos 93' contra o Chelsea e, 17 anos depois, levou o Barcelona à decisão da prova