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Se amas alguém, liberta-o

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O voo de Messi naquela final da Champions em 2009. Hoje, é um homem de pés atados

O voo de Messi naquela final da Champions em 2009. Hoje, é um homem de pés atados

Mark Leech/Offside

Em maio de 2009, já todos sabíamos que Lionel Messi ia ser um dos melhores da história mas acho que só depois deste golo na final da Liga dos Campeões frente ao Manchester United é que percebi que ele podia ser tudo o que quisesse. O homem, para lá de tudo o que fazia com os pés, também tinha a desfaçatez de voar, pensei eu entre cañas e tapas naquele tasco semi-gorduroso na cidade rival de Barcelona, onde morei nesse período em que a equipa de Guardiola ganhou seis troféus.

O tempo, naturalmente, deu-me razão, mas não pensem que venho aqui para me vangloriar: estava na cara, não era exatamente uma aposta de risco, era tão certo como em janeiro fazer frio ou a Páscoa calhar ao domingo. Daí para cá, Messi tornou-se no maior jogador da história do Barcelona, o clube em que passou toda a sua carreira de profissional, na cidade que o recebeu aos 13 anos, com um contrato num guardanapo e um tamanho inversamente proporcional ao talento.

Acontece que o amor incondicional está guardado para os nossos: o Barcelona é a equipa da vida de Messi, como ele próprio diz, mas não é o pai, a mãe, os irmãos, os filhos. Não é a sua Rosário. Não é a sua Argentina, que ele tentou deixar mas não conseguiu. O Barcelona não é a família, é uma relação. E até as relações que já foram felizes azedam e têm de acabar.

Neste momento, Messi está numa relação tóxica que não consegue romper porque uma das partes não se conforma.

Vi e li a entrevista do argentino ao portal "Goal" e pergunto-me porque é que aquele rapaz que voou em Roma, o rapaz que deu 10 títulos da La Liga ao Barcelona, decisivo em três das últimas quatro Ligas dos Campeões do clube, porque é que esse rapaz, que se apresenta ali sem artifícios, de calções e chinelos de praia, não tem o direito à liberdade. Porque é que o futebol se tornou neste monstro em que o melhor jogador do Mundo não tem direito a decidir o seu próprio destino depois de 20 anos de dedicação. Será despeito? A exigência de uma gratidão que há muito Messi já pagou?

Messi, o pequeno voador, está agora de pés e mãos atadas por causa de uma cláusula. E isso é triste porque é paradoxal, como se o futebol de repente se regesse apenas por papéis e decisões em escritórios - não me levem a mal, os contratos são para respeitar, mas o que dizer de um presidente que, sabendo da vontade do jogador em sair, se agarra a uma alínea que a Messi só escapou porque a 10 de junho a época ainda decorria, por causa da maldita pandemia?

Na minha terra, isso tem um nome. Mas não o posso dizer aqui.

O Barcelona, em pleno descalabro diretivo e a meses de eleições, parece preferir manter um jogador agrilhoado, preso a uma relação sem futuro. Prefere, e agora falando apenas de atos de gestão e não do coração, ganhar zero euros no próximo ano, quando os papéis passarem a não valer nada e Messi for novamente mestre dos seus desejos, a lucrar com uma transferência.

Sting disse em tempos que escreveu "If You Love Somebody Set Them Free" como antídoto para a ligeiramente stalker "Every Breath You Take", ainda do tempo dos Police. Pois está na altura de o Barcelona libertar o seu génio. Se o ama verdadeiramente, claro.

O que se passou

O vírus não foi a lado nenhum, lembremo-nos disso sempre, mas percebemos que já há alguma normalidade, chamemos-lhe assim, para quem gosta de desporto quando a semana e o fim de semana têm tanto para contar - e o futebol de clubes volta em força daqui a dias.

Ora vejamos: a Seleção Nacional, sem Cristiano Ronaldo, fez uma das exibições mais inspiradas da era Fernando Santos, na vitória frente à Croácia (4-1), no jogo de estreia de ambas as equipas na 2.ª edição da Liga das Nações - e terça-feira há mais, na Suécia.

Arrancou o julgamento de Rui Pinto, que garantiu em tribunal que não foi o dinheiro que o moveu quando foi por esses sistemas informáticos adentro.

Na Fórmula 1, um safety car, uma penalização, um acidente e uma bandeira vermelha tornaram o GP Itália numa das mais surpreendentes e entretidas corridas dos últimos anos, numa F1 que parece tantas vezes estagnada à mercê do domínio Mercedes/Lewis Hamilton. Venceu Pierre Gasly (e a ele voltarei mais tarde), um francês que nunca antes havia ganhado uma corrida na categoria principal, com Carlos Sainz em 2.º e Lance Stroll em 3.º. Um pódio inédito, um dos mais jovens de sempre, o futuro a acontecer em Monza, a pista em que todas as surpresas acontecem.

Novak Djokovic, vencedor antecipado e único favorito em Nova Iorque, foi desclassificado do US Open depois de acertar com uma bola na garganta de uma juiz de linha - a primeira derrota de 2020 para o sérvio não podia ter acontecido da forma mais arrasadora.

Também já se pedala em França e este Tour tem tudo para ser o Tour dos eslovenos: o favorito Primoz Roglic já é camisola amarela e o miúdo Tadej Pogacar fechou a primeira semana a atacar e a ganhar. A pequena nação balcânica, afinal, não é só um viveiro de esquiadores e basquetebolistas.

No triatlo, o jovem português Vasco Vilaça surpreendeu ao sagrar-se vice-campeão do Mundo, em Hamburgo. Já a Seleção Nacional de futebol de praia revalidou o título de campeã europeia.

Com esta Seleção não há esquisitices, deslumbramentos precoces e nacional-coitadismo. Quem vier, morre

“Se os croatas vieram fazer turismo pandémico, azar o deles”, escreve Bruno Vieira Amaral, a propósito do triunfo de Portugal na Liga das Nações

“No Braga, o Cajuda punha-nos nas escadinhas do coreto, fingia ser maestro e tínhamos de imitar o som dos instrumentos que ele inventava"

Luís Filipe é dos poucos futebolistas que passou pelos três grandes (no FC Porto, só na formação) e o último a sagrar-se campeão por Sporting e Benfica. Tudo começou nos Marialvas, pelo meio, passou por Académica de Coimbra, SC Braga, U. Leiria, Marítimo, V. Guimarães e até Atlético de Madrid, antes de pendurar as botas após três anos no Olhanense. Com uma filha chamada Lua e um filho a jogar no Quarteirense, está há seis anos dedicado ao negócio das framboesas, no Algarve, mas pensa agora regressar ao futebol

Carlos Freitas: “O Vitória é super interessante para jovens potros que se queiram afirmar e estejam tapados no seu crescimento”

Foi campeão em Portugal, esteve na Grécia (Panathinaikos), em França (Metz) e em Itália (Fiorentina), onde deixou amigos antes de chegar a Guimarães, no verão de 2019, para ser diretor-geral do Vitória SC, que não cumpriu os objetivos classificativos na primeira época. Em entrevista à <strong>Tribuna Expresso</strong>, Carlos Freitas explica a política de contratações do clube, o investimento em jovens das maiores ligas da Europa (alguns até campeões europeus de seleções), o gosto que tem pelo projeto da Red Bull no futebol e o porquê da aposta em Tiago Mendes, que terá a primeira experiência como treinador principal e, entretanto, já concluiu o IV Nível: "Não vejo como será esse diploma a fazê-lo mais ou menos preparado para o desafio"

"Reunir conceitos do futebol antigo, dar-lhe ordem, misturada com criatividade, é o que faz de Rinus Michels diferente dos demais"

Francisco Javier Roldán escreveu o livro "Rinus Michels, a escola holandesa chega ao Barça", no qual visita os vários treinadores daquele país que se sentaram no banco do Camp Nou e as suas influências. Johan Cruijff era especial, Rinus Michels vivia no futuro e Ronald Koeman não terá vida fácil. Em conversa com a <strong>Tribuna Expresso</strong>, o escritor explicou isso e muito mais

Monza marca o fim: 43 anos e 739 corridas depois, a família Williams vai deixar a Fórmula 1

Claire Williams, filha do fundador Sir Frank Williams, que substituiu o pai em 2013 aos comandos da histórica equipa, anunciou que deixará a Williams logo a seguir ao GP Itália. A decisão surge pouco tempo depois da escuderia ser vendida à Dorilton Capital. O renascer da Williams será feito à margem da família, mas a equipa deverá manter o nome

Zona mista

"Passados cinco anos regressei e vi um Benfica diferente: as instalações melhoraram muito, a estrutura, o estádio, são instalações de top mundial. Agora só falta ter jogadores também de top mundial"

Diz Jorge Jesus, entre sorrisos, após a vitória do Benfica frente ao Rennes, jogo esse em que fez estrear um rapaz que é a contratação mais cara da história do futebol português.

O que aí vem

Segunda-feira, 7 de setembro

Liga das Nações
- Cazaquistão - Bielorrússia (15h, Sport TV1)
- Holanda - Itália (19h45, Sport TV1)
- Bósnia - Polónia (19h45, Sport TV2)
- Irlanda do Norte - Noruega (19h45, Sport TV3)
- Rep. Checa - Escócia (19h45, Sport TV4)

Ténis
- US Open (15h55 e 17h, Eurosport 1 e 2)

NBA
- Toronto Raptors - Boston Celtics (13h30, Sport TV3)

Terça-feira, 8 de setembro

Liga das Nações
- Arménia - Estónia (17h, Sport TV1)
- Geórgia - Mecedónia (17h, Sport TV2)
- Suécia - PORTUGAL (19h45, RTP1/Sport TV1)
- França - Croácia (19h45, Sport TV2)
- Dinamarca - Inglaterra (19h45, Sport TV3)
- Bélgica - Islândia (19h45, Sport TV4)

Qualificação para o Euro'2021 sub-21
- Portugal - Bielorrússia (17h30, 11)

Ciclismo
- Volta a França, etapa 10 (12h25, Eurosport 1/14h30, RTP2)

Ténis
- US Open (17h, Eurosport 1 e 2)

Quarta-feira, 9 de setembro

Particular
- V. Guimarães - Moreirense (20h15, Sport TV1)

NBA
- Denver Nuggets - LA Clippers (2h, Sport TV1)

Ciclismo
- Volta a França, etapa 11 (12h20, Eurosport 1/14h30, RTP2)

Ténis
- US Open (17h, Eurosport 1 e 2)

Quinta-feira, 10 de setembro

II Liga
- Estoril Praia - Arouca (20h, Sport TV+)

Ligue 1
- Lens - Paris Saint-Germain (20h, E1)

Ciclismo
- Volta a França, etapa 12 (10h45, Eurosport 1/14h10, RTP2)

Ténis
- US Open (20h, Eurosport 1)

Sexta-feira, 11 de setembro

II Liga
- Feirense - Desp. Chaves (20h, Sport TV1)

La Liga
- Granada - Athletic Bilbao (20h, E1)

Ligue 1
- Bordéus - Lyon (20h, E2)

Taça da Alemanha
- Eintracht Brauschweig - Hertha Berlin (19h45, Sport TV3)

Fórmula 1
- GP Toscana: treinos livres (10h e 14h, E3)

MotoGP
- GP São Marino: treinos livres (a partir das 8h e das 12h15, Sport TV1)

Ciclismo
- Volta a França, etapa 13 (10h45, Eurosport 1/14h, RTP2)

Ténis
- US Open (17h, Eurosport 1)

Sábado, 12 de setembro

II Liga
- Ac. Viseu - Ac. Coimbra (11h, Sport TV5)

Premier League
- Fulham - Arsenal (12h30, Sport TV+)
- West Ham - Newcastle (15h, Sport TV1)
- Liverpool - Leeds (17h30, Sport TV2)

La Liga
- Eibar - Celta de Vigo (15h, E1)
- Cádiz - Osasuna (20h, E1)

Ligue 1
- Montpellier - Nice (16h, E2)
- Saint-Étienne - Estrasburgo (20h, E2)

Taça da Alemanha
- Nuremberga - RB Leipzig (14h30 Sport TV2)
- Karlsruher - Union Berlin (17h30, Sport TV2)
- Carl Zeiss Jena - Werder Bremen (19h45, Sport TV2)

Fórmula 1
- GP Toscana: qualificação (14h, E2)

MotoGP
- GP São Marino: treinos livres e qualificação (a partir das 8h e 11h35, Sport TV1)

Ciclismo
- Volta a França, etapa 14 (12h, Eurosport 1/15h, RTP2)

Ténis
- US Open (21h, Eurosport 1)

Domingo, 13 de setembro

II Liga
- Cova da Piedade - Mafra (11h15, Sport TV3)
- Benfica B - Vilafranquense (18h, BTV)
- Varzim - FC Porto B (18h30, Sport TV1)

Premier League
- West Bromwich - Leicester City (14h, Sport TV2)
- Tottenham - Everton (16h30, Sport TV1)

La Liga
- Valladolid - Real Sociedad (15h, E1)
- Villarreal - Huesca (17h30, E1)
- Valencia - Levante (20h, E1)

Ligue 1
- Lille - Metz (12h, E2)
- Monaco - Nantes (16h, E2)
- Paris Saint-Germain (20h, E2)

Taça da Alemanha
- Bayer Leverkusen - Eintracht Norderstedt (14h30, Sport TV1)
- SV Waldhof Mannheim - Friburgo (17h30, Sport TV2)

Fórmula 1
- GP Toscana: corrida (14h10, E3)

MotoGP
- GP São Marino: corrida (a partir das 10h, Sport TV1)

Ciclismo
- Volta a França, etapa 15 (11h20, Eurosport 1/14h30, RTP2)

Ténis
- US Open (20h45, Eurosport 1)

Hoje deu-nos para isto

Jenifer Lorenzini - Pool/Getty Images

Há imagens que são um pequeno poema e esta é uma delas. Um rapaz, sozinho, sentado no degrau mais alto do pódio, a mão na cara. A taça e o champanhe ao lado. Parece que acontece tão pouco na foto, mas não, está a acontecer tudo. Pergunto-me o que estaria a pensar Pierre Gasly neste preciso momento em que a objetiva o apanhou assim, cru. Estaria só a tirar uns segundos para descer à terra depois daquele louco GP Itália? Ou a repassar os últimos 18 meses, em que foi escorraçado da Red Bull, despromovido para a equipa B dos austríacos, em que viu um dos seus melhores amigos, Anthoine Hubert, morrer em pista, em que lhe assaltaram a casa e levaram uma série de recordações da carreira? Ou se calhar até se lhe atravessou pelos pensamentos algo mais antigo, sei lá, aquele dia em 2016 em que a caminho de uma corrida do campeonato de GP2 sofreu um grave acidente que deixou a mãe no hospital, mas mesmo assim ele apareceu na pista com as roupas ensanguentadas. E ganhou a corrida.

Isto são apenas suposições. O que é real é que Pierre Gasly levou um AlphaTauri que normalmente só luta por pontos à vitória em Monza, tornando-se apenas no 9.º piloto a vencer uma corrida desde 2014, no primeiro pódio sem Mercedes, Red Bull e Ferrari desde 2012 - é este o tamanho do feito. E há 24 anos que um francês não vencia uma corrida de Fórmula 1, desde o GP Mónaco de 1996. Gasly tinha apenas três meses mas eu lembro-me bem: foi uma corrida ainda mais dramática que esta de Monza, à chuva, em que o pai de Max Verstappen se espetou logo na primeira curva e Michael Schumacher ainda antes da primeira volta acabar, após um erro incaracterístico num dos corretores do impiedoso circuito de Monte Carlo. Um GP em que os acidentes se foram sucedendo e apenas quatro carros viram a bandeira de xadrez. No final festejou um também incrédulo Olivier Panis. Foi a sua primeira e única vitória, a primeira e única vitória da indigente Ligier.

Se tudo correr bem, não será a única vitória de Pierre Gasly, um miúdo de sorriso fácil, bem-amado no paddock, como se viu pelo entusiasmo com que quase todos os rivais o congratularam após aquela impensável vitória. Um boy next door num mundo de egos e de personalidades maiores do que a vida. Porque até na Fórmula 1 os rapazes comuns merecem ser felizes.

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