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Nem Europa, nem Seixal

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Jesus e Rúben Dias, o que poderia ter sido? Salónica aconteceu e por isso nunca vamos saber

Jesus e Rúben Dias, o que poderia ter sido? Salónica aconteceu e por isso nunca vamos saber

MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

O projeto do Benfica, já percebemos, anda ao sabor dos resultados e de certas e determinadas luzes. Atenção: é tão legítimo olhar para dentro e fazer crescer o clube de baixo para cima, com a formação como principal viveiro da equipa principal, como tomar o atalho mais rápido e contratar homens feitos com etiquetas de alguns milhões enroladas ao braço. Depende sempre do quão imediato ou ambicioso se quer o projeto.

O que é mais desconcertante é mesmo a mudança de discurso, o recuar ao primeiro tremelique. O Benfica tinha um projeto há seis meses, hoje tem outro, mas os atalhos, por muito que sirvam para cortar caminho, raramente são estradas alcatroadas e bem iluminadas. E, por isso, é possível que o Benfica perca antes de ganhar.

Aliás, já este fim de semana, o Benfica ganhou, mas perdeu muito.

Com a chegada de Otamendi, Jorge Jesus tem, de repente, uma dupla de centrais de peso, pelo menos se olharmos para os nomes. Dois jogadores que na última temporada jogavam na Premier League, talvez já não no seu prime, mas experientes, internacionais pelos seus países. Mas a saída de Rúben Dias para o Man. City é uma simbólica machadada no projeto Seixal, consequência direta de uma ambição para a qual o clube ainda não estava preparado. Aquela noite de Salónica foi um banho de realidade e os efeitos foram praticamente imediatos: sem os milhões da Liga dos Campeões e depois de um defeso em que o investimento foi colossal para o panorama do futebol português, era preciso ir buscar dinheiro rapidamente, como quem mete um pacote de açúcar na boca para evitar cair para o lado.

Voltemos à noite de sábado. Depois de uma flash à Jesus, em que já ouvimos o "muita fortes", o "difíceis de parar", o "saco de golos", tudo aquilo que nos diz que, para o bem e para o mal, Jesus continua a ser Jesus, a conferência de imprensa que se seguiu à vitória do Benfica frente ao Moreirense trouxe outro Jesus, um menos habitual Jesus, aquele que humildemente, de forma cristalina e sem desculpas assume a derrota, não em campo, mas a culpa pela saída de Rúben Dias, porque sem aquele desaire em Salónica talvez o Seixal ainda pudesse coexistir com Jesus. E porque talvez Jesus visse em Rúben Dias a liderança e o potencial que um dia viu em Luisão. E com Jesus, Luisão aprendeu muito, assumiu o próprio em tempos nesta vossa casa. No que se tornaria Rúben Dias nas mãos de Jesus? Salónica aconteceu e por isso nunca vamos saber.

A temporada ainda pode correr muito bem ao Benfica, que vai melhorando a cada jogo, mas ficará marcada pelo momento em que um jogador da casa, um puto de braçadeira de capitão no braço, se despede em lágrimas, cordeiro sacrificado em prol de um novo projeto, que nunca será tão imediato quanto todos os benfiquistas desejariam.

Não é de repente que se consegue o melhor de dois mundos. Mas pior ainda é não ter nenhum deles. E neste momento, no Benfica, nem Europa, nem Seixal.

O que se passou

Além de Benfica, FC Porto e Sporting passaram o teste da 2.ª jornada - estreia no campeonato para o Sporting na verdade.

Fernando Pimenta chegou à medalha 100 em provas internacionais, numa Taça do Mundo de Szeged onde foi ouro duas vezes. Não há muitos como ele neste retângulo à beira-mar plantado. E que bom ver Joana Vasconcelos de regresso às medalhas e aos bons resultados lá fora.

As finais da NBA já têm protagonistas: os LA Lakers, de LeBron James, à procura do título quatro na carreira, na terceira equipa diferente, e os Miami Heat. O duelo arranca já na quarta-feira.

Na Fórmula 1, o habitualmente chato GP Rússia só não foi totalmente chato porque Lewis Hamilton foi penalizado por ter andado a treinar partidas onde não devia, não se passeando assim até mais uma proverbial vitória. Ficou portanto por alcançar o recorde de vitórias em Grandes Prémios que é de Michael Schumacher - e que até pode acontecer em Portimão, daqui a um mês.

Nos Mundiais de ciclismo, o francês hiperativo Julian Alaphilippe foi o primeiro na meta em Imola, Itália, garantindo que a camisola de arco-íris vai ter bastante airplay televisivo nos próximos 12 meses. O maillot de campeão do Mundo assenta sempre melhor a um atleta atacante.

O Benfica tinha de vender o melhor produto. E não havia melhor produto do que Rúben Dias

Bruno Vieira Amaral escreve sobre a transferência de Rúben Dias para o Manchester City, uma inevitabilidade face à queda da Champions

“O Eriksson regressou ao Benfica rico e sem personalidade. Já não era pobre, sabe como é o dinheiro: doutores há muitos, médicos poucos”

Na primeira parte da entrevista, Álvaro Magalhães conta como foi entrar no balneário dos 'minhocas', na Luz, que ficava mesmo em frente ao dos 'cobras' - e o que isso significava para quem lá andava. E também percorre uma galeria de treinadores que foi apanhando no Benfica e noutros clubes, revela atos eleitorais questionáveis em tempos idos - e critica alguns colegas no caso Saltillo

“Por isto é que aqui o Álvaro está muitas vezes sem trabalho: as pessoas podem ganhar o dinheiro que quiserem, mas a mim não me compram”

Álvaro Magalhães iniciou a carreira de treinador no Lusitânia de Lourosa em 1994/95 e desde então já passou por clubes como o Santa Clara, onde diz ter revolucionado o futebol açoriano, o Gil Vicente, E. Amadora, Naval, Olhanense, CD Tondela, entre outros, mas foi no Benfica, como adjunto de Camacho e Trapattoni, que conquistou os maiores títulos. Acusado de ter mau feitio, diz antes que é disciplinado e exigente e que não merece estar sem trabalhar

Filipe Albuquerque: “Vamos a 340 km/h e algo pode acontecer. Não vou dizer que não me assusto, mas isto faz-me sentir vivo”

Cai que nem pedra no sono quando acaba um turno a meio das 24 Horas de Le Mans, que venceu dois meses depois de perder o pai. Filipe Albuquerque já esteve perto da Fórmula 1, mas sabe como funcionam as políticas do automobilismo, e, aos 35 anos, está bem na resistência

Rúben: vivemos tempos bons, maus, alguns estúpidos e houve o episódio com a bandolete, mas jogaste para tornar o Benfica maior

Vasco Mendonça, de Um Azar do Kralj, despede-se de Rúben Dias a quem pede para marcar ao PAOK caso o City o encontre no futuro. Mas há mais

Ainda bem que aquele belo cérebro de Daniel Bragança está protegido por um capacete

Diogo Faro perspetiva que o pé esquerdo do jovem médio do Sporting ainda vai dar muitas alegrias à equipa, depois de ver como entrou no jogo contra o Paços de Ferreira, onde viu Adán a perder tempo nos pontapés de baliza ainda na primeira parte, o que "é só medíocre"

O primeiro dérbi da Invicta em que o Lá em Casa Mando Eu se lembra de não ficarem 92.737 jogadores por expulsar

Um dérbi em que, na segunda parte, entraram Zaidu, Fábio Vieira e Romário Baró, jogadores que a cronista imagina, um dia, a serem merecedores de uma reportagem com um título na linha deste: "do FC Porto para o Wolverhampton em imensos anos, para aí uns dois"

Elas também já estão de volta

A Liga BPI 2020/21 começa este fim de semana, com várias mudanças, depois de uma época que terminou a meio e sem campeãs, devido à covid-19

Zona Mista

"A covid-19 teve a coragem de me desafiar. Péssima ideia"

Zlatan Ibrahimovic, pois claro. Confesso que a persona que o sueco criou sobre ele próprio, de ser quase sobrenatural, saído de uma qualquer série de televisão com monges e dragões e magos e imortais, às vezes já me cansa um bocadinho, mas dá sempre para esboçar um sorriso. Neste caso, a verdade é que o assunto não tem graça nenhuma - ter covid-19, leia-se -, mas fica aí a lembrança que até um homenzarrão de quase dois metros não está imune ao vírus. Cuidem-se, meus caros.

O que aí vem

Segunda-feira, 28

I Liga: B SAD - Famalicão (19h45, Sport TV1)
II Liga: Estoril - Leixões (19h45, Sport TV+)
Premier League: Fulham - Aston Villa (17h45, Sport TV2) e Liverpool - Arsenal (20h, Sport TV2)
Liga revelação: Marítimo - Benfica (15h, 11) e Sporting - Belenenses SAD (17h, 11)
Serie A: Bolonha - Parma (19h45, Sport TV3)
Ciclismo: A edição 2020 da Volta a Portugal já está na estrada, mais tarde do que o costume, mas ela está aí, até ao final da semana (15h, RTP1)
Ténis: Durante toda a semana, acompanhe o Roland Garros, que costuma ser o 2.º torneio do Grand Slam do ano, mas neste 2020 maluco, é o 3.º (9h55, Eurosport)

Terça-feira, 29

Taça da Liga Inglesa: Tottenham - Chelsea (19h45, Sport TV2)
II Liga: Académica - Feirense (20h, Sport TV1)
La Liga: Real Sociedad - Valencia (18h, E2) e Getafe - Real Betis (20h30, E4)
Liga dos Campeões, playoff: Omonia - Olympiacos (20h, E1), Dinamo Kiev - Gent (20h, E2), Ferencvaros - Molde (20h, E3)

Quarta-feira, 30

Serie A: Benevento - Inter (17h, Sport TV1), Udinese - Spezia (17h, Sport TV3) e Lazio - Atalanta (19h45, Sport TV1)
La Liga: Huesca - At. Madrid (18h, E2), Villarral - Alavés (18h, E5), Real Madrid - Valladolid (20h30, E1) e Eibar - Elche (20h30, E6)
Taça da Liga Inglesa: Burnley - Man. City (19h, Sport TV2), Brighton - Man. United (19h45, Sport TV1) e Everton - West Ham (19h45, Sport TV4)
Supertaça alemã: Borussia Dortmund - Bayern Munique (19h30, E3)
Liga dos Campeões, playoff: PAOK - Krasnodar (20h, E2), Midtjylland - Slavia Praga (20h, E4) e Red Bull Salzburgo - Maccabi Tel Aviv (20h, E5)
NBA: Arrancam as finais da temporada 2019/2020, entre os Miami Heat e os Los Angeles Lakers (2h, Sport TV)

Quinta-feira, 1

Liga Europa, playoff: Ararat Armenia - Estrela Vermelha (15h, 11), Malmo - Granada (18h, 11), AEK - Wolfsburgo (19h45, 11), SPORTING - LASK Linz (20h, Sport TV1), RIO AVE - Milan (20h, Sport TV2), Tottenham - Maccabi Haifa (20h, Sport TV4)
Taça da Liga Inglesa: Livepool - Arsenal (19h45, Sport TV3)
La Liga: Sevilha - Levante (18h, E1), Athletic Bilbao - Cádiz (18h, E2) e Celta de Vigo - Barcelona (20h30, E1)

Sexta-feira, 2

I Liga: Moreirense - Boavista (19h, Sport TV2) e V. Guimarães - Paços de Ferreira (21h15, Sport TV1)
II Liga: Penafiel - Mafra (17h, Sport TV+)
Bundesliga: Union Berlin - Mainz (19h30, E3)
Serie A: Fiorentina - Sampdoria (19h45, Sport TV3)
Ligue 1: Paris Saint-Gemain - Angers (20h, E2)

Sábado, 3

I Liga: Santa Clara - Gil Vicente (16h, Sport TV1), FC Porto - Marítimo (19h30, Sport TV1) e Tondela - Sp. Braga (21h, Sport TV1)
I Liga feminina: Clube de Albergaria - Sp. Braga (16h, 11)
II Liga: Feirense - Sp. Covilhã (11h, Sport TV1)
Premier League: Chelsea - Crystal Palace (12h30, Sport TV+), Everton - Brighton (15h, Sport TV2), Leeds - Manchester City (17h30, Sport TV2) e Newcastle - Burnley (20h, Sport TV2)
Serie A: Sassuolo - Crotone (14h, Sport TV3), Génova - Torino (17h, Sport TV3) e Udinese - Roma (19h45, E3)
Bundesliga: Borussia Dortmund - Friburgo (14h30, E2), Colónia - Borussia M'gladbach (14h30, E3), Eintracht Frankfurt - Hoffenheim (14h30, E4), Estugarda - Bayer Leverkusen (14h30, E5) e RB Leipzig - Schalke 04 (17h30, E2)
Ligue 1: Lens - Saint-Étienne (16h, E4) e Nice - Nantes (20h, E2)
Ciclismo: Começa o Giro de Itália (12h30, Eurosport 2), que percorrerá as estradas transalpinas nas próximas três semanas

Domingo, 4

I Liga: Nacional - B SAD (15h30, Sport TV1), Famalicão - Rio Ave (18h30, Sport TV1), Benfica - Farense (18h30, BTV) e Portimonense - Sporting (21h, Sport TV1)
I Liga feminina: Benfica - Atl. Ouriense (14h, 11)
II Liga: Benfica B - Estoril Praia (11h15, BTV), Varzim - Académica (11h15, Sport TV1) e FC Porto B - Vilafranquense (17h, Porto Canal)
Serie A: Atalanta - Cagliari (11h30, Sport TV+), Lazio - Inter (14h, Sport TV3), Milan - Spezia (17h, Sport TV3) e Juventus - Nápoles (19h45, Sport TV2)
Premier League: Leicester City - West Ham (12h, Sport TV2), Southampton - West Bromwich (12h, Sport TV3), Wolverhampton - Fulham (14h, Sport TV2), Arsenal - Sheffield United (14h, Sport TV5), Manchester United - Tottenham (16h30, Sport TV2) e Aston Villa - Liverpool (19h15, Sport TV2)

Hoje deu-nos para isto

Já repararam como por estes dias pouco ou nada se investe em genéricos? Há séries que já nem os têm, os tempos na televisão são apertados e aqueles 30, 40 segundos dão muito jeito na hora de fazer a montagem, de desbastar um bocadinho menos na narrativa, por isso quantas vezes tudo o que temos para nos anunciar o que vamos ver a seguir é um fundo negro com o nome da série ou do programa e já está.

É pena, eu aprecio genéricos e mesmo nesta era das plataformas digitais e das subscrições, raramente os passo à frente - quando eles existem. Já nem peço intros de quase um minuto e meio, com o Tom Waits a cantar (e felizmente, a espaços, a HBO continua a caprichar neste quesito), mas acho que os genéricos, apesar de se chamarem assim, genéricos, uma palavra chata e descolorida, uma definição sem definição, têm o direito a viver livremente nas nossas cabeças, entrando na nossa memória muitas vezes sem nós percebermos - ou não me digam que nunca cantaram a plenos pulmões a canção do Dragon Ball GT numa festa académica ou num casamento, descobrindo só aí nesse preciso momento que a sabiam de cor?

Bem, tudo isto para dizer que a Volta a Portugal está na estrada, uma edição especial em tempos de pandemia, organizada com esforço pela Federação Portuguesa de Ciclismo para que o nosso ciclismo possa sobreviver a este ano dos horrores. E se há genérico que eu ainda hoje sei de cabeça é o daqueles anos áureos em que a SIC a transmitiu, nas tórridas tardes de verão dos anos 90 em que só depois do Cândido Barbosa ou do Joaquim Gomes ou do Vítor Gamito ultrapassarem a meta é que podíamos pegar nas trouxas e ir para a praia.

Agora tentem não voltar a ficar com o jingle na cabeça.

"Pedalar, p'ra vencer, p'ra ganhar outras vezes perder..."

O icónico genérico da Volta a Portugal em bicicleta dos anos 90 ainda vive bem vivo na sub-cave da nossa memória

Que esta semana decorra sobre rodas. Acompanhe a Tribuna diariamente no site, no semanário Expresso e no Twitter, no Facebook e no Instagram: @TribunaExpresso.