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Naomi, a rapariga do futuro

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A tímida e socialmente desajeitada Osaka vem da terra de Conan e ela também é o futuro daquilo que vemos como um ícone

A tímida e socialmente desajeitada Osaka vem da terra de Conan e ela também é o futuro daquilo que vemos como um ícone

Daniel Pockett/Getty

É possível que o quarto título em torneios do Grand Slam em outras tantas finais apenas tenha confirmado o que já muitos desconfiavam: que Naomi Osaka está a caminho de se tornar num dos ícones do desporto mundial nos próximos anos. Mas não será só pelo seu serviço poderoso ou pela sua forte pancada de direita. Naomi Osaka é a mais moderna das estrelas do desporto porque o seu sangue também é o sangue das possibilidades, porque ela é filha de um mundo de portões abertos, sem fronteiras. O pai, haitiano, conheceu a mãe durante uma viagem ao Japão quando era estudante universitário em Nova Iorque. Ela nasceu lá na terra do sol nascente, na cidade que lhe dá nome, mas a família mudou-se para perto de Nova Iorque, onde moravam os avós paternos, quando Naomi tinha três anos. E ainda antes de completar 10, assentaria arraiais na Flórida, onde vão parar quase todos os candidatos a próxima estrela do ténis mundial.

Isso, num planeta em que tanta gente ainda lida mal com a diferença, que bota abaixo a heterodoxia, fez dela americana e japonesa, asiática, negra, mulher, como disse à "Esquire". Tantas identidades dentro de uma personalidade única.

Algures em 2020, Naomi Osaka tomou consciência de si própria. Dela conhecíamos o desconforto que mostrava a cada entrega de prémios, como se aquele não fosse o lugar dela, como se quisesse que o mundo a tragasse naquele que era o seu momento. Nisso, já estava longe de ser uma campeã convencional. Mas a morte de George Floyd fez aquela miúda tímida, desajeitada cada vez que recebia a atenção dos holofotes, olhar-se ao espelho e perceber que, pelos seus, não se podia mais esconder: apanhou um avião para Minneapolis e juntou-se aos protestos contra a violência policial. Assinou petições, fez importantes doações ao movimento Black Lives Matter e quando o ténis voltou deu literalmente a cara pelos protestos.

No US Open de 2020, em cada um dos sete encontros que disputou até à final, Naomi Osaka entrou no court com uma máscara onde se podia ler o nome de uma vítima da violência policial contra os negros. Antes do Open da Austrália anunciou o investimento nas North Carolina Courage, equipa de futebol da liga feminina norte-americana. E de raqueta na mão, apareceu mais confiante que nunca, ela, aquela miúda que balançava entre as exibições poderosas e o total apagamento.

Porque não só Osaka tomou consciência da sua identidade como daquilo que ela é enquanto indivíduo singular, com todas as suas idiossincrasia, e nesse campo tem também muito a agradecer a Wim Fissette, o seu treinador desde o início de 2020, com quem aprendeu que não tem de lidar sozinha com as suas frustrações e que as fragilidades são para assumir. Isso sem deixar de ser aquela miúda com tendência para a ironia, para a auto-depreciação, que nas conferências de imprensa tem qualquer coisa de adolescente de high school norte-americano, com pozinhos de personagem da Disney e de Miyazaki, com um permanente tom de dúvida na sua voz, embora ela diga que o último ano a ensinou que uma vitória ou uma derrota não têm de deliberar aquilo que ela pensa sobre si própria.

Talvez por isso o público a adore. E os anunciantes também: Naomi Osaka tornou-se na mulher atleta mais bem paga de sempre no último ano, segundo a “Forbes”. Ela que é asiática, negra, mulher, uma tímida capaz de feitos gigantescos, ela que é dúvida, mas também é resiliência. Talvez ela seja mais humana que o típico atleta que jorra confiança, que não assume as suas fraquezas e em 2021 isso tornou-a mais forte do que nunca. No fundo, ela é cada um de nós neste planeta de quase 8 mil milhões de habitantes. E é por isso que vai ser a verdadeira estrela dos próximos anos.

O que se passou

O Sporting voltou a ganhar e o Benfica voltou a empatar - e está tudo cada vez mais complicado para Jorge Jesus.

Depois de Osaka, Novak Djokovic confirmou o favoritismo e chegou ao título 18 em torneios do Grand Slam, com a sua 9.ª vitória no Open da Austrália.

José Mourinho voltou a perder, mas garante que os seus métodos não estão ultrapassados.

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Zona Mista

Depois do treino, os jogadores agarram-se ao Fortnite e à Playstation e não sei quê, não vão ver as estatísticas

Sérgio Conceição, respondendo à sempre tão costumeira pergunta sobre o histórico com certo ou determinado adversário, neste caso sobre a dificuldade que o FC Porto parece ter nas viagens à Madeira nos últimos tempos - e os dragões jogam esta segunda-feira frente ao Marítimo no Funchal. Talvez para a próxima se deva perguntar sobre as estatísticas do FIFA

O que aí vem

Segunda-feira, 22

⚽️ O Marítimo - FC Porto (19h, Sport TV1) fecha a jornada 20 da I Liga

⚽️ Depois da derrota no Dragão, a Juventus de Cristiano Ronaldo volta a jogo, na Serie A, frente ao Crotone (19h45, Sport TV3)

🎾 Acompanhe o torneio ATP 250 de Singapura (10h, Sport TV3) e o ATP 250 de Montpellier (13h30, Sport TV4) ao longo da semana

Terça-feira, 23

⚽️ É dia de CHAAAAAAPIONNNNS, com mais dois jogos dos oitavos de final: Atlético Madrid - Chelsea (20h, Eleven1) e Lazio - Bayern Munique (20h, Eleven2)

⚽️ A Seleção Nacional feminina joga com a Escócia na qualificação para o Europeu 2022 (15h10, 11)

🏀 Na NBA siga o Dallas Mavericks - Boston Celtics (0h30, Sport TV1) e o New York Knicks - Golden State Warriors (0h30, Sport TV3)

Quarta-feira, 24

⚽️ Ainda nos oitavos de final da Liga dos Campeões: Atalanta - Real Madrid (20h, Eleven) e Borussia M’gladbach - Manchester City (20h, Eleven)

⚽️ Na Liga Europa, o Tottenham tenta confirmar a passagem aos oitavos de final, na 2.ª mão contra o Wolfsberger, depois do triunfo por 4-1 no 1.º jogo (17h, Sport TV1)

⚽️ Na La Liga, acompanhe o Barcelona - Elche (18h, Eleven2)

⚽️ Mais um jogo da SheBelieves Cup: Canadá - Brasil (21h, 11). Mais tarde jogam EUA e Argentina (0h, 11)

Quinta-feira, 25

⚽️ Na Liga Europa, acompanhe o Arsenal - Benfica (17h55, SIC/Sport TV1) e o Roma - Sp. Braga (20h, Sport TV1) - as duas equipas portuguesas tentam o apuramento para os oitavos de final da prova. Manchester United- Real Sociedad (20h, Sport TV2), Milan - Estrela Vermelha (20h, Sport TV3) e PSV - Olympiacos (20h, Sport TV5) são outros dos jogos em destaque do dia

🏀 Na NBA, siga o Philadelphia 76ers - Dallas Mavericks (0h, Sport TV3) e o Brooklyn Nets - Orlando Magic (0h30, Sport TV5)

Sexta-feira, 26

⚽️ Arranca a jornada 21 da I Liga com o V. Guimarães - Boavista (20h30, Sport TV1)

⚽️ Na Bundesliga, o Eintracht Frankfurt, de André Silva, joga em casa do Werder Bremen (19h30, Eleven2)

Sábado, 27

⚽️ É dia de jogo grande e um jogo que pode definir muito do que será o campeonato: FC Porto - Sporting, líder em casa do 2.º classificado (20h30, Sport TV1). Na I Liga, siga também o Famalicão - Farense (15h30, Sport TV1), Santa Clara - P. Ferreira (18h, Sport TV3)

⚽️ Na Premier League, o líder Man. City, de Cancelo, Bernardo e Rúben Dias, recebe o West Ham (12h30, Sport TV2)

⚽️ Bayern Munique - Colónia (14h30, Eleven2) e RB Leipzig - Borussia M’gladbach (17h30, Eleven1) são dois dos jogos do dia na Bundesliga

⚽️ Na La Liga, siga o Sevilha - Barcelona (15h15, Eleven1). Na Serie A, Ronaldo e a sua Juventus jogam em casa do Verona (19h45, Sport TV5)

Domingo, 28

⚽️ Na I Liga joga-se o Portimonense - Marítimo (15h, Sport TV1), Tondela - Gil Vicente (17h30, Sport TV1) e o Nacional - SC Braga (20h, Sport TV1)

⚽️ Na Premier League, o Tottenham de José Mourinho recebe o Burnley (14h, Sport TV2). Mais tarde há jogo grande: Chelsea - Manchester United (16h30, Sport TV2)

⚽️ O Roma - Milan é o jogo mais importante da jornada na Serie A (19h45, Sport TV3)

🏀 Na NBA, joga-se o Milwaukee Bucks - LA Clippers (20h30, Sport TV5)

Hoje deu-nos para isto

Não consta que entre os membros da Tribuna haja grandes adeptos do Fortnite ou mesmo de Playstation e por isso mesmo às vezes dá-nos para ir dar um olho aos tais históricos que Sérgio Conceição diz (e aqui entre nós, com alguma razão) que pouco ou nada interessam.

Pois bem, no próximo sábado joga-se um clássico que pode ditar muita coisa nesta I Liga 2020/21: um FC Porto - Sporting que os dragões não se podem dar ao luxo de perder, sob pena das contas para o título ficarem muito, mas muito complicadas. Já uma derrota para o Sporting pode significar um primeiro momento de pressão ao qual Rúben Amorim ainda não precisou de responder esta temporada, para já invicta no que ao campeonato diz respeito.

Posto isto: é muito provavelmente o jogo do ano.

Mas voltemos ao tal histórico. O mesmo diz-nos que já lá vão mais de quatro anos desde a última vitória do Sporting no Estádio do Dragão, numa época 2015/16 em que Jorge Jesus fazia o seu primeiro ano em Alvalade e a última temporada em que Sporting esteve na luta pelo título. A vitória por 3-1 em casa do FC Porto, na antepenúltima jornada, ajudou a que a liga se decidisse mesmo até ao fim - o título iria para o Benfica de Rui Vitória, o que este ano já parece altamente improvável de acontecer.

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Dia: 30 de abril de 2016. Local: Estádio do Dragão. Facto: a última vitória do Sporting em casa do FC Porto