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Se o futebol é dos adeptos, comportem-se (sempre) como tal

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Adeptos do Man. United a manifestarem-se antes do jogo com o Liverpool. Old Trafford acabou invadido e o encontro adiado

Adeptos do Man. United a manifestarem-se antes do jogo com o Liverpool. Old Trafford acabou invadido e o encontro adiado

Michael Regan/Getty

Leitor, hoje sinto-me ambivalente. Vi certas imagens em certo mítico estádio inglês numa não habitual tarde de domingo e não sei bem o que pensar. Chamem-me ingénua, eu sei que sou, mas quero acreditar, com todas as poucas células românticas do meu ser, que foram os adeptos que salvaram o futebol da Superliga, que foi a generalizada onda de escândalo por parte de adeptos traídos, como se lhes estivessem a roubar a sua única paixão pura (e se calhar é, já lá dizia o Sandoval que não podemos cambiar de pasión), que arrancou à última hora o futebol da sua definitiva mercantilização.

Os adeptos foram tolerando a entrada de dinheiro nos seus clubes, muitas vezes sabe-se lá de que origem, fechando os olhos porque atrás desse dinheiro por vezes vieram títulos, mas a subversão do conceito de competição ditou o limite com que já flertamos há muito. Mas mesmo que a coisa se tenha desmoronado que nem cubos de açúcar em café, depois daquele anúncio de 12 das maiores equipas da Europa a horas impróprias de um domingo dificilmente as coisas serão como dantes. Abriu-se uma espécie de caixa de Pandora distópica em que imagens como as das últimas horas em Old Trafford serão, provavelmente, mais frequentes.

Há uma certa beleza poética em ver centenas de pessoas, adeptas de um clube que tem origens em modestos operários ferroviários da região, a protestar contra proprietários multi-milionários, negociantes de tudo e mais alguma coisa, de petróleo, a imobiliário até clubes das mais diversas modalidades. Gente que pouco ou nada sabe da base do futebol, das suas tradições, e que usa os clubes da Premier League como uma espécie de acessório de luxo a tiracolo para mostrar a outros amigos ricos. Mas o adepto que tomou a si (e bem) a propriedade do futebol, que conseguiu à força da simples indignação deitar abaixo uma competição monopolista, tem de honrar sempre essa responsabilidade.

Como disse no início, hoje sinto-me ambivalente. Porque vi quase de lágrima no olho as manifestações em quase tudo pacíficas em frente a Stamford Bridge no dia em que tudo ruiu. Porque vi a base da pirâmide a insurgir-se contra os poderosos, que nem por um momento tiveram a decência ou a humildade para os ouvir em todo o processo. Estas são as mais bonitas revoluções. Mas honrar a responsabilidade de ser o proprietário do futebol passa também por, por exemplo, não invadir o seu próprio estádio, colocando em perigo quem lá trabalha. Passa por não roubar equipamento ou iniciar atos de violência com crianças pelos ombros. Passa por não infligir danos físicos a quem simplesmente saiu de casa num domingo para ir trabalhar, entre outras coisas que, por cá, infelizmente, também já vimos.

Mas há mais, e isso serve para todos, não só para os adeptos dos 12 da Superliga, não só para os adeptos dos clubes-empresa. Chamar a si a propriedade do futebol passa por pedir responsabilidades a quem o gere, passa por censurar comportamentos indignos de quem do futebol faz vida, passa por recusar o clima de permanente tensão, as teorias da conspiração que parecem abocanhar até os mais inteligentes. Passa por ser exigente.

Esta última semana, por cá, vimos polícias metidos entre árbitros e treinadores, vimos um jornalista agredido e dirigentes em conveniente silêncio ou então a dizer que nada viram, que nada sabem, que nada prova.

Cabe aos adeptos escolherem se é isto que querem ou então se querem continuar a tentar justificar o que é injustificável enquanto batem com o punho no peito a falar contra o fim da pureza do futebol. Para se ser o dono do futebol, não basta travar uma liga de ricos, é preciso comportar-se sempre, a toda a hora e com todos, como tal.

Até porque esta quinta-feira há Benfica - FC Porto e eu espero que no final só se fale de futebol.

O que se passou

No regresso do GP Portugal de F1 a Portimão, Lewis Hamilton voltou a mostrar porque é que tem um bocadinho a mais do que os outros, batendo Max Verstappen e Valtteri Bottas.

Sporting (mais uma vez nos últimos minutos), FC Porto e Benfica saíram vitoriosos na 30.ª jornada.

Onze anos depois, o Inter sagrou-se campeão de Itália, terminando com a hegemonia da Juventus, que durava há nove anos.

O espanhol Albert Ramos-Viñolas venceu o Estoril Open.

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A imperialização de Seba Coates

"Sejamos honestos: toda a gente estava à espera da grande débâcle. E quando digo toda a gente não me refiro apenas aos adversários do Sporting, que desejavam naturalmente uma queda estrepitosa, mas também (e sobretudo) aos adeptos leoninos", escreve Bruno Vieira Amaral sobre o Sporting, prestes a sagrar-se campeão

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Normal que Palhinha tenha sido substituído: estava a levar tanto porradão que só lhe restava partir para a violência

A análise humorística de Diogo Faro, lembrando que Luís Neto "não é propriamente conhecido por ser meigo", destacou que o defesa central "fez menos faltas a época inteiro do que o Nacional em 10 minutos" e também elogiou "os excelentes cortes" de Paulo, que continua a tratar por apenas Paulo, de quem diria ser uma grande contratação "se tivesse vindo para o Sporting rotulado de médio-defensivo"

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É refrescante o Benfica ter homens que não culpam colegas, relvado, covid - e que não mandam calar os putos

Um elogio de Vasco Mendonça a Veríssimo após o jogo Tondela - Benfica, que os encarnados venceram por 2-0. Nesta análise humorística e sarcástica cabem psicólogos motivacionais, exorcistas, seguros de viagem, emojis e um pedido escrito em alemão para um determinado jogador

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Na sua análise humorística à vitória do FC Porto sobre o Famalicão (3-2), Catarina Pereira celebrou o regresso de Diogo Leite ao onze... mas gostou mais de outro central: "Gosto quase sempre muito dele, mas sinceramente achei que o Diogo Queirós esteve melhor"

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“A história do Jorge Jesus não apostar nos jovens no Benfica é exagerada. Ele não quer é apressar as coisas”

Depois de mais de década e meia na formação do Benfica, onde trabalhou com jogadores como Rúben Dias, Bernardo Silva, Renato Sanches ou João Félix, Renato Paiva aceitou o desafio de viajar para o Equador e treinar o Independiente del Valle, um dos mais interessantes projetos da América do Sul, que chamou a atenção ao vencer a Taça Sul-Americana em 2019. Nesta segunda parte da conversa com a <strong>Tribuna Expresso</strong>, o treinador de 51 anos fala da formação do Benfica e de como não acredita que a filosofia tenha mudado, do cenário de contrastes que é o Equador e há até espaço para a aparição dos dois gatos que adoptou pouco depois de chegar ao novo país

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Sua alteza gelada, Kimi Räikkönen

Tem 41 anos, é o piloto mais velho hoje na Fórmula 1, odeia entrevistas, intervenções públicas e tudo o que não implica estar dentro do carro, mas é o <em>boomerang</em> dessa aversão que, em parte, explica como Kimi Räikkönen é um dos tipos mais populares da modalidade. Nuno Pinto, treinador de pilotos e atualmente a trabalhar com Lance Stroll (Aston Martin), ajuda-nos a explicar o finlandês que "só quer sentar-se no carro e andar", como fez o ano passado, na primeira volta épica no Grande Prémio de Portugal

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“Na invasão, vi o Jorge Jesus a sangrar, tinham-lhe dado um murro. Cabelos brancos, aquela idade, foi como se fosse o meu pai. Tive medo”

Na segunda parte da entrevista, André Pinto conta como renasceu no regresso a Portugal e como foi importante a conquista da Taça de Portugal pelo SC Braga. Aborda a saída conturbada para o Sporting, confirma o feitio difícil de Jorge Jesus e relata o ataque à Academia de Alcochete, momento em que, confessa, sentiu medo. Segue-se a passagem pela Arábia Saudita e o choque cultural que por lá viveu. Tem contrato com o Farense até final da época, diz estar focado em ajudar o clube e garante que ainda é muito novo para pensar em deixar de jogar

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David Coulthard: "O Verstappen está 100% focado. Sabe que tem de ir lá pela consistência. E acho que a McLaren pode ganhar corridas em 2021"

Chegou à Formula 1 em 1994, quando substituiu Ayrton Senna na Williams, e só saiu em 2008. Pelo caminho, 13 vitórias e um vice-campeonato em 2001. Nesta conversa com a <strong>Tribuna Expresso</strong>, David Coulthard fala do GP Portugal, do traçado de Portimão, de Max Verstappen e do seu recente projeto, a W Series, um campeonato de monolugares exclusivo para mulheres

Zona mista

Infelizmente durante esta época, já várias vezes assisti e senti uma grande animosidade durante o jogo perante colegas treinadores. Não é admissível (…) Daqui a pouco andamos todos à porrada uns com os outros

Carlos Carvalhal, em bom português, em mais uma semana de futebol português em que pouco ou nada se falou de futebol

O que aí vem

Segunda-feira, 3

⚽️ O Sporting tenta o título europeu de futsal frente ao Barcelona (19h, 11)

⚽️ Na Premier League, há WBA - Wolverhampton (18h, Sport TV2) e na La Liga o Sevilha - Athletic Bilbao (20h, Eleven1).

🎾 No ténis, joga-se o Masters 1000 de Madrid ao longo da semana (10h, Sport TV4).

Terça-feira, 4

⚽️🏆 Na Liga dos Campeões, Manchester City e Paris Saint-Germain resolvem quem vai à final de Istambul, depois da vitória dos ingleses em Paris, por 2-1 (20h, Eleven1).

🏀 Na NBA, os Brooklyn Nets jogam em casa dos Milwaukee Bucks (0h30, Sport TV4).

Quarta-feira, 5

⚽️ Começa a 31.ª jornada da I Liga, com destaque para o Rio Ave - Sporting (21h15, Sport TV1). Antes há Sp. Braga - Paços de Ferreira (19h, Sport TV2) e Marítimo - Gil Vicente (19h, Sport TV3).

⚽️🏆 Na Champions, há Chelsea - Real Madrid para definir mais um dos finalistas (20h, Eleven1).

⚽️ Na Libertadores, o Independente del Valle de Renato Paiva joga frente ao Universitário do Peru (23h, Sport TV2).

Quinta-feira, 6

⚽️💥 É dia de Clássico: Benfica e FC Porto jogam no Estádio da Luz (18h30, BTV).

⚽️ Ainda na I Liga, joga-se o Moreirense - Nacional (15h, Sport TV1), o BSAD - Portimonense (17h, Sport TV2) e o Farense - V. Guimarães (20h30, Sport TV1).

⚽️🏆 Na Liga Europa conhecem-se os finalistas: Roma - Manchester United (20h, Sport TV2) e Arsenal - Villarreal (20h, Sport TV4).

Sexta-feira, 7

⚽️ Na I Liga, há Famalicão - Santa Clara (19h, Sport TV1) e Boavista - Tondela (21h15, Sport TV1).

Sábado, 8

⚽️ Na Premier League, há Manchester City - Chelsea (17h30, Sport TV1).

🏎️ Depois de Portimão, é Barcelona a receber mais uma prova do Mundial de Fórmula 1. Sábado é dia de qualificação (14h, Eleven3).

Domingo, 9

⚽️ Começa a jornada 32 da I Liga, com o Paços de Ferreira - Marítimo (15h, Sport TV1) e o Gil Vicente - Sp. Braga (20h, Sport TV1).

⚽️ Na Serie A, onde o campeão já está encontrado, a Juventus recebe o Milan (19h45, Sport TV4).

🏎️ Fórmula 1: GP Espanha (14h, Eleven3).

🎾 No ténis, joga-se a final do Masters 1000 de Madrid (17h30, Sport TV4).

Hoje deu-nos para isto

Há poucas coisas mais genuínas que a alegria da vitória, mas estes braços no ar são mais do que uma vitória. Naquele movimento direitinho ao céu está também a alegria da história, do impensável-que-não-tem-de-o-ser-mais e de tantas outras coisas que estariam a passar pela cabeça de Emma Hayes neste momento.

A treinadora britânica vai levar o Chelsea à final da Liga dos Campeões Feminina e será a primeira mulher a fazê-lo em 12 anos e a primeira desde a enorme reforma no formato da prova, em 2009. E não sem emoção: depois de perder na 1.ª mão das meias-finais por 2-1 com o Bayern, em casa a equipa de Londres venceu por 4-1.

A final, frente ao Barcelona, será a primeira desde 2007 sem uma equipa francesa ou alemã e está marcada para dia 16, em Gotemburgo. E caso vença, Emma Hayes será a terceira treinadora a fazê-lo. Não será certamente a última.

Harriet Lander - Chelsea FC/getty

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