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Palavras que deveriam ser ditas já em GMT+9

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A máscara será o acessório mais essencial nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que arrancam na sexta-feira

A máscara será o acessório mais essencial nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que arrancam na sexta-feira

Valery Sharifulin

Se a vida corresse sempre em linha reta, se os desvios e os imprevistos não fizessem parte dela, para o bem e para o mal, esta newsletter deveria estar a ser escrita em GMT-mais-9, como quem diz, no horário de Tóquio. Em vez disso, cá estamos ainda em GMT-mais-1, e mais 1 porque estamos no horário de verão.

Mas há coisas que não podemos controlar, às vezes simplesmente não está nas nossas mãos andarmos para a frente vários fusos horários, às vezes uma greve pode impedir isso durante uns dias e uns Jogos Olímpicos que já não seriam convencionais tornam-se mais não convencionais ainda.

É já na sexta-feira que começa Tóquio 2020, os únicos Jogos adiados desde que o Barão de Coubertin decidiu que estava na hora fazer uma versão moderna dos Jogos que se realizavam na Grécia antiga. E realizam-se contra os desejos de boa parte dos japoneses, temerosos da nova variante delta, e sob enormes restrições de movimentos para atletas, staff e jornalistas - só nunca pensei que as minhas restrições começassem logo em Lisboa e eu estive longe de ser a única vítima. Uma espécie de Jogos sitiados, completamente desconectados da cidade-sede, das gentes da cidade-sede, sem o habitual convívio entre atletas de duas centenas de nações e com muitos sustos, que já estão a aparecer com a chegada dos atletas à capital japonesa.

Será um evento para ecrã emitir e telespectador ver, porque não haverá público e não haverá particular interesse local. Serão uns Jogos que entrarão na história, seguramente, mas por motivos bizarros.

Mas não nos esqueçamos do essencial e o essencial vai acontecer com mais ou menos imprevistos que qualquer um de nós possa vir a ter: mesmo em pandemia, uma medalha em Tóquio 2020, em GMT-mais-9, valerá tanto quanto uma conquistada no Rio 2016. Ou em 1960 em Roma. E desportivamente, estes poderão ser os Jogos Olímpicos da nova geração de estrelas, depois de Michael Phelps e Usain Bolt terem dito adeus há cinco anos.

Os anglo-saxónicos têm uma expressão muito certeira sobre as coisas boas que resultam de uma situação difícil, desconfortável ou pouco agradável. A chamada silver lining. Talvez seja essa a silver lining destes Jogos, chegarmos ao final, daqui a três semanas, e percebermos que na nossa cabeça vão estar outras estrelas, novos heróis que vão sair deste ano e meio de privações e dor com uma medalha ao peito e o nome para sempre lembrado. Se calhar alguns até podem ser portugueses, porque não?

E aí é possível que não nos recordemos mais das restrições, da bolha quase prisional em que se vão realizar estes Jogos, talvez eu até consiga perdoar aquela greve que me deixou em terra, neste limbo em GMT-mais-1 quando a minha cabeça já devia estar totalmente em GMT-mais-9.

Que os Jogos comecem!

O que se passou

Muita coisa aconteceu no Benfica esta semana, provavelmente já nada de muito surpreendente tendo em conta os últimos tempos: a direção agora liderada por Rui Costa anunciou que o clube terá eleições ainda em 2021 e dois dias depois Luís Filipe Vieira renunciou à presidência do clube e da SAD - foram 18 anos à frente do Benfica.

Do outro lado da 2.ª circular, o relatório sobre os festejos do título provocaram uma troca de palavras menos simpática entre o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, e o Sporting. A preparação da festa, essa, já parece ter nascido torta.

Tadej Pogacar venceu pela segunda vez o Tour de France (e a ele voltaremos mais tarde).

Lewis Hamilton e Max Verstappen engalfinharam-se em Silverstone. O holandês foi às barreiras, o britânico foi penalizado mas ainda venceu. A relação dos dois não terá saído muito bem da história.

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Jogam por dois clubes de continentes diferentes, na mesma época. Mas as jogadoras da WNBA continuam a receber menos do que os homens

O desafio é enorme para as jogadoras de basquetebol da liga norte-americana. Jogam “em casa” durante uns meses, mas não os suficientes para ter sustento que dure o ano inteiro. E o desafio começa: mudam-se para outro continente, representam um novo clube, integram-se num novo grupo de pessoas. A única constante é o basquetebol, que as acompanha sem pausas o ano inteiro. Rebecca Allen e Nia Coffey falam da experiência à <strong>Tribuna Expresso</strong>

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"Com 17 anos, eu e mais seis comprámos um carro por 200€. Um dia a polícia manda-nos parar e o Sancidino saca da carta de condução da Guiné"

Carlos Miguel Ribeiro Dias ficou conhecido por Cafú, à conta do irmão, assim que entrou para a escola primária. Após dar os primeiros pontapés na bola a sério, no V. Guimarães, vai para o Benfica onde faz o resto da formação, a jogar ora como médio, ora como avançado até ao dia em que Jorge Jesus o confronta: "Vê lá o que é que tu queres ser. Se tu fores médio, podes chegar a um Benfica ou Bayern de Munique. Se tu fores avançado, vais estar numa equipa que luta para não descer". Foi o "abre olhos" para Cafu. Domingo a conversa continua, já com a carreira fora de Portugal

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Muitos tenistas estão a desistir dos Jogos Olímpicos, mas porquê? “É uma competição de status, como se fosse um género de uma exibição”

Com tantos tenistas a optar por não jogarem o torneio Olímpico (incluindo Rafael Nadal, Roger Federer e Serena Williams), a <strong>Tribuna Expresso </strong>procurou saber os reais motivos por trás desta decisão. O tenista português Gastão Elias e o comentador Pedro Quadros Carvalho realçam o problema do calendário, as restrições causadas pela pandemia, as lesões e o prestígio assim-assim do torneio olímpico

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Extreme E. Corridas de SUVs elétricos dão voz ao ambiente e à igualdade de género: “É um desporto com mais propósito do que qualquer outro”

É uma corrida diferente de qualquer outra. Pelos carros, as localizações, o transporte, mas, acima de tudo, pela mensagem que pretende passar. Mais do que um espetáculo de SUVs elétricos, a Extreme E é uma plataforma para as causas ambientais e a igualdade de género, pois cada equipa tem um homem e uma mulher como pilotos. A <strong>Tribuna Expresso</strong> falou com Nico Rosberg, ex-campeão mundial de Fórmula 1, cuja equipa lidera esta corrida

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Os rumores da morte do vieirismo são manifestamente exagerados

Não foram os sócios do Benfica que depuseram Luís Filipe Vieira. Esse feito coube ao juiz Carlos Alexandre e ao procurador Rosário Teixeira. A demissão de Luís Filipe Vieira não traz qualquer espécie de alívio a Vasco Mendonça, do Azar do Kralj, que traça um paralelismo com a estátua de Saddam Hussein derrubada em Bagdad para escrever que dizer que o vieirismo já seria conduzido, em certa medida pelos seus coadjuvantes - que continuam todos no Benfica e nada denota uma mudança

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Vieira tinha conta de €6 milhões em banco suíço que o MP acredita que era usada para “ocultar património”

Operação Cartão Vermelho: Ministério Público tem dados de mais de 30 contas de vários arguidos do processo e empresas relacionadas. Só a filha de Luís Filipe Vieira surge com quatro contas no SGKB, o banco suíço que durante anos geriu a fortuna de várias estrelas do futebol representadas por Jorge Mendes

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Para Carlos Alexandre, Vieira foi “destacado” para o Benfica por Salgado “com uma linha de tesouraria sem fim”

O despacho do juiz Carlos Alexandre que determinou as medidas de coação a Luís Filipe Vieira está longe de se limitar ao passado recente das perdas do Novo Banco e dos negócios do Benfica. O magistrado recua quase duas décadas até à entrada de Vieira no clube da Luz… alegadamente por obra e graça do Espírito Santo. O banco, bem entendido. E esta é a conclusão que o juiz extraiu do interrogatório

Zona mista

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Mário Jardel, sobre a suposta nega de Octávio Machado ao seu regresso ao FC Porto em 2001. Mito ou não, o certo é que o Sporting aproveitou e o resto é o que se sabe: 42 golos e um título

O que aí vem

Segunda-feira, 19

🎾 Acompanhe os ATP de Gstaad (11h30, Sport TV3) e de Umag (15h30, Sport TV4)

Terça-feira, 20

⚽ Mais um jogo de preparação para o Sporting, desta vez com os franceses do Angers (20h, Sport TV1)

⚽ Ainda há pouco estávamos a falar do Euro 2020 e a época 2021/22 já corre: siga o Rapid Viena - Sparta Praga, da 2.ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões (19h30, 11)

🏀 Já bem para lá da meia-noite, primeiro match-point para os Milwaukee Bucks frente aos Phoenix Suns na final da NBA (2h, Sport TV4)

Quarta-feira, 21

⚽ O SC Braga joga com o Marselha em mais um encontro de preparação para a época 2021/22.

⚽ Na 2.ª pré-eliminatória da Champions, há PSV-Galatasaray (20h, 11)

⚽ Os Jogos Olímpicos arrancam oficialmente na sexta-feira, mas o torneio de futebol começa antes. No sector feminino, siga o Suécia - Estados Unidos (9h30, Eurosport 1) e o Zâmbia - Países Baixos (12h, Eurosport 1)

Quinta-feira, 22

⚽ O Benfica prepara a nova época com um jogo com o campeão francês, o Lille (20h, Sport TV1)

⚽ No torneio olímpico masculino, siga o Brasil - Alemanha (12h30, RTP1)

⚽ E para algo diferente, há jogo da 2.ª eliminatória da novíssima Europe Conference League, com o Basileia a receber o Partizani Tirana (19h15, 11)

Sexta-feira, 23

🏅 É o tiro de partida oficial dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, com a cerimónia de abertura (12h, RTP1 e Eurosport 1)

⚽ Portimonense e Académica jogam na 1.ª fase da Taça da Liga 2021/22 (20h15, Sport TV1)

Sábado, 24

🏐 A seleção nacional de andebol estreia-se nos Jogos Olímpicos frente ao Egito (11h30, RTP2)

🚴 Para os madrugadores, acompanhe a prova olímpica de ciclismo de estrada masculina, com João Almeida e Nélson Oliveira (3h, Eurosport 1)

⚽ SC Braga e Paços de Ferreira jogam num encontro de preparação (20h, Sport TV1)

⚽ Tondela - Gil Vicente (11h, Sport TV1), Estrela da Amadora - Vizela (15h30, Sport TV1) e Chaves - Farense (18h, Sport TV2), para a 1.ª fase da Taça da Liga

🏅 Já madrugada dentro começa a participação de Gustavo Ribeiro na prova olímpica de skateboarding (1h, Eurosport 2)

Domingo, 25

🏅 Durante a manhã acompanhe os Jogos Olímpicos de Tóquio (6h30, RTP1 e RTP2)

⚽ O FC Porto joga com o Lille (19h45, Porto Canal) e o Benfica com o Marselha (20h, BTV)

⚽ Penafiel - Moreirense (11h, Sport TV1), Varzim - Rio Ave (15h30, Sport TV1) e Marítimo - Boavista (18h, Sport TV2) para a Taça da Liga

⚽ A Roma de Mourinho joga com o Debreceni da Hungria (17h30, Sport TV5)

Hoje deu-nos para isto

ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/Getty

Ele tem apenas 22 anos e já duas Voltas a França no currículo. Tadej Pogacar de seu nome, um miúdo franzino vindo da Eslovénia. E naquelas pernas parece haver força para muito mais. Este ano tudo pareceu fácil: foram três etapas, na montanha as despesas foram tantas vezes dele, sem uma equipa de trabalhadores para o apoiar. Contra o relógio também foi o mais rápido e a chegada a amarelo em Paris, no domingo, parecia uma certeza já há muito, muito tempo.

Mas foi há uns meses, em setembro, na adiada Volta a França de 2020 que percebemos o que verdadeiramente valia este rapaz, cujo cabelo aparece espetado pelas aberturas do capacete, rebelde como o seu jeito de correr. No último contrarrelógio, o seu compatriota Primoz Roglic partia com 57 segundos de vantagem e sendo tão bom a rolar dificilmente alguém lhe roubaria a sua primeira vitória no Tour. Mas chegou Pogacar e deu um banho a toda a gente: naquela crono-escalada, ganhou 1,56 minutos a Roglic e saltou para a frente da geral. No dia seguinte, festejou em Paris.

Em 2021, Roglic caiu numa das primeiras etapas, desistiu cedo e deixou caminho aberto para Pogacar se tornar no primeiro ciclista da história com duas edições da Volta a França no bolso aos 22 anos. A questão agora é onde vai parar este esloveno, quantas mais vai ganhar.

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