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Viva Ronaldo e um mercado como não há memória

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Ronaldo ainda nem se apresentou no United, mas já está na cabeça de toda a gente

Ronaldo ainda nem se apresentou no United, mas já está na cabeça de toda a gente

Sebastian Frej/MB Media/Getty

No domingo à tarde, nove jogadores portugueses (mais um treinador) foram titulares ou tiveram minutos no Wolverhampton - Man. United, feito que muito bom jogo da I Liga gostaria de poder gabar-se. De quando em vez, a realização apontava para uma bandeira portuguesa hasteada no Molineux, mas não seria com certeza por Portugal estar por ali em todos os cantos ou por o Wolverhampton ser a mais portuguesa da equipas da Premier League. Bastava tentar ouvir entre as intervenções dos comentadores para perceber o que vinha das bancadas:

Viva Ronaldo!
Viva Ronaldo!
Running down the wing
Hear United sing
Viva Ronaldo!

Cristiano Ronaldo não estava ali - a não ser em versão cartão a escala praticamente real - mas já está na cabeça de todos. O antigo cântico que abafava qualquer outro som em Old Trafford e que falava de um miúdo que corria pela lateral está de volta porque Cristiano está de volta a Old Trafford, 12 anos depois, feito homem da área e já não aquele cavalo de corrida que deixou toda a gente de queixo bambo logo na estreia, numa tarde de agosto de 2003 frente ao Bolton.

Há muito de emocional neste regresso, até porque ele poderá muito bem ter sido decidido com o coração, a guinada que o internacional português aparentemente deu à última hora isso denuncia. Tendo tudo apalavrado com o City, a intervenção de antigos colegas como Rio Ferdinand e do seu pai futebolístico, Sir Alex Ferguson, terão feito Ronaldo voltar a casa. Talvez com Guardiola o sonho de uma sexta vitória na Liga dos Campeões, pelo terceiro clube, fosse mais possível. Até o de voltar a vencer a Premier League. Friamente, a máquina competitiva chamada Ronaldo teria mais a ganhar no Etihad, mas no Etihad não há cânticos para Ronaldo. E o homem também é feito de carne e osso.

Como Messi também é. Antes da reviravolta no negócio Ronaldo, Guardiola dizia que o português era um dos poucos jogadores que podia escolher onde jogar. Talvez isso não seja inteiramente verdade e as lágrimas do argentino a despedir-se de um Barcelona de onde não queria sair dizem-nos isso, nesta louca janela de mercado em que os dois melhores jogadores da nossa era fizeram as malas e foram para outras paragens. E se Ronaldo estará sempre em casa em Manchester, a estreia de Messi com o PSG, no domingo em Reims, foi ainda tímida, como a de um menino no primeiro dia numa nova escola para a qual não queria ir.

E há ainda Mbappé, que até terça-feira poderá sair para o Real Madrid, um negócio que, na verdade, já parece ter estado mais certo. Caso o francês fique em Paris, o eixo do futebol europeu muda-se definitivamente para a linha que une a capital francesa e Manchester. O City - PSG é o jogo que todos esperam na fase de grupos da Liga dos Campeões. A estreia de Ronaldo na sua era 2.0 em Old Trafford - que ainda deve demorar devido à paragem para as seleções - vai seguramente bater recordes. E sem qualquer um destes jogadores, a liga espanhola vai ficar na sombra, porque o futebol moderno tem destas coisas: hoje um nome vale quase tanto como um emblema.

O que se passou

Na I Liga, o Benfica venceu e é líder isolado depois do deslize do Sporting em Famalicão. Já o FC Porto voltou às vitórias, frente ao Vizela.

Na Fórmula 1, houve pontos distribuídos e até pódio no GP Bélgica, uma prova que, na verdade, não aconteceu.

Depois de nos apresentar ao skate nos Jogos Olímpicos de Tóquio, Gustavo Ribeiro tornou-se no primeiro português a vencer uma etapa do circuito mundial de street.

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Zona mista

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O que aí vem

Segunda-feira, 30

⚽ Na II Liga, veja o Mafra - Vilafranquense (19h, Sport TV1) e o Trofense - Penafiel (21h15, Sport TV+)

🎾 Arranca em Nova Iorque o último torneio do Grand Slam do ano, o US Open (16h30, Eurosport)

Terça-feira, 31

🚴 Começa a última semana da Volta a Espanha (14h, Eurosport)

🎾 Segundo dia do US Open (16h45, Eurosport)

⚽ É também dia de fecho de mercado, que vai poder acompanhar, como habitualmente, na Tribuna Expresso

Quarta-feira, 1

⚽ Portugal recebe a Irlanda na qualificação para o Mundial de 2022 (19h45, RTP1). Também no Grupo A, o Azerbaijão joga no Luxemburgo (19h45, 11)

Quinta-feira, 2

⚽ Continuam os jogos da qualificação para o Mundial do Catar, com destaque para o Suécia - Espanha (19h45, Sport TV1) e o Itália - Bulgária (19h45, Sport TV2)

⚽ A seleção nacional sub-20 joga um encontro de preparação com a Roménia (17h, 11)

Sexta-feira, 3

⚽ Jogo de preparação entre a seleção nacional sub-19 e a Bélgica (17h30, 11)

Sábado, 4

⚽ Portugal joga com o Catar num encontro de preparação (17h, RTP1)

⚽ No grupo de Portugal, siga o Sérvia - Luxemburgo (17h, 11) e o Irlanda - Azerbaijão (17h, Sport TV3). O Ucrânia - França (19h45, Sport TV1) é outro dos jogos do dia

Domingo, 5

⚽ Na qualificação para o Mundial, acompanhe o Inglaterra - Andorra (17h, Sport TV1), o Espanha - Geórgia (19h45, Sport TV2) e o Suíça - Itália (19h45, Sport TV3).

⚽ Na América do Sul, também na qualificação para o Catar 2022, há clássico: Brasil - Argentina (20h, Sport TV1)

🚴 Acompanhe a última etapa da Vuelta (16h50, Eurosport)

🏎️ Fórmula 1: veja o regresso do GP Países Baixos (14h, Eleven 3)

Hoje deu-nos para isto

Portugal volta a jogar esta semana após o Euro 2020, agora para a qualificação para o Mundial, que é já no próximo ano, e o adversário na quarta-feira é a República da Irlanda. Já jogámos com os irlandeses várias vezes depois disso, entre particulares e jogos oficiais, mas há um encontro que recordo sempre, essa noite de dilúvio em Lisboa, em novembro de 1995.

Antigo Estádio da Luz quase cheio, relvado empapado, água a descer até aos ossos de adeptos e jogadores. Portugal só precisava de um ponto para garantir um lugar no Euro 1996 e, ganhando, a Irlanda ficava em 1.º lugar, atirando-nos para o playoff. Eu era uma garota, aliás, este é o primeiro jogo da seleção nacional do qual tenho recordações, e do que me lembro a coisa chegou a estar perigosa. Ou pelo menos nervosa.

Até que aos 60' acontece magia: Rui Costa vê o guarda-redes irlandês adiantado e mete-lhe um chapéu fabuloso. Confesso que até há bem pouco tempo pensava que esse jogo tinha acabado 1-0, só com aquele golo, mas afinal houve mais dois, ganhámos por 3-0, um resultado mentiroso porque parece que nem sofremos naquela noite. Mas sofremos. A minha primeira recordação com a seleção nacional é de sofrimento, talvez fosse já para me preparar para as décadas seguintes.

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