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Ronaldo, o homem que escreve o destino

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Stephen McCarthy/Getty

Perdoe-me a repetição, estimado leitor. Ainda a semana passada aqui estivemos a cantar “Viva Ronaldo”, ele que vai regressar ao teatro no qual cumpriu os seus sonhos, ele por quem o Manchester United pediu uma exceção para que voltasse a usar o número 7, ele que se deverá estrear no próximo sábado, em Old Trafford, de novo com aquela camisola vermelho vivo.

Mas quando um homem tem a capacidade quase paranormal de escrever o destino, temos de falar nele. Dez, vinte, 111 vezes.

É como se a caneta estivesse na sua mão, como se o novelo dos acontecimentos se desenrodilhasse ao seu ritmo: na última quarta-feira, a seleção nacional fazia uma exibição pobre, aflita, desesperada. E Cristiano Ronaldo não era exceção. Pesava-lhe a possibilidade do recorde, de finalmente ultrapassar o iraniano Ali Daei na lista de melhores marcadores das seleções masculinas. Saíram-lhe remates extemporâneos, chutos de longe incompreensíveis, perdas de bola que só acontecem a quem a quer guardar apenas para si. Pesava-lhe também, quem sabe, a vontade de justificar o salto de fé do Manchester United, o regresso emocional ao futebol inglês.

Exasperámos, bufámos, xingámos até. Estar a perder com esta República da Irlanda, tão diferente da Irlanda de antanho, não se coaduna com uma seleção que tem Rúben Dias, Bernardo Silva, Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo.

Mas ele cala-nos. Dez, vinte, 111 vezes. Enquanto nele existir a vontade indómita de ganhar, sabemos que as nossas exasperações, os nossos bufares e os nossos xingares podem muito bem ser amarrotados como um papel e colocados no seu lugar, porque não há lugar para cínicos quando Ronaldo está em campo. Já estávamos nós a fazer contas à qualificação direta para o Mundial médio-oriental de dezembro de 2022 quando ele subiu aos céus uma vez, depois outra, a última já em horas extraordinárias, numa desmarcação seguida de voo só ao alcance dos que farejam a bola como ninguém.

Ronaldo deu-nos uma vitória e é agora dono de mais um recorde, que continuará a engordar enquanto os voos lhe saírem perfeitos e decisivos. A sua preponderância é por vezes tão aguda que se torna quase pérfida. Porque dando-nos vitórias, mascara e pode cegar-nos daquilo que é visível e preocupante: a seleção nacional continua a ser um conjunto de grandes jogadores que parecem banais jogando juntos, vivendo de fogachos, de momentos de génio, que com Ronaldo aparecem muitas vezes mas, não nos enganemos, não vão aparecer sempre.

Queremos celebrar Ronaldo, mas mais que isso queremos celebrar uma equipa. Terça-feira, em Baku, sem Ronaldo, há uma nova oportunidade para melhorar.

O que se passou

No Brasil aconteceu o que provavelmente nunca se tinha visto até hoje num estádio de futebol: autoridades sanitárias a entrarem em campo em pleno jogo à caça de jogadores. O jogo com a Argentina foi suspenso e as consequências são matéria para a FIFA.

Já há data para as eleições do Benfica - será a 9 de outubro, daqui a pouco mais de um mês, portanto.

Max Verstappen venceu em casa, no regresso da Fórmula 1 aos Países Baixos, 36 anos depois. Uma prova onde não esteve Kimi Raikkonen. O finlandês acusou positivo à covid-19, dias depois de anunciar que esta é a sua última temporada no Mundial.

Na Vuelta, Primoz Roglic foi o vencedor pelo terceiro ano consecutivo. Semanas depois de se sagrar campeão olímpico de contrarrelógio.

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O que aí vem

Segunda-feira, 6

⚽🇵🇹 A seleção nacional sub-21 joga no apuramento para o Euro 2023, frente à Bielorrússia (11, 19h)

🏐 No Europeu de voleibol, Portugal joga com a Sérvia (16h30, Sport TV3)

🎾 Ao longo de toda a semana acompanhe as decisões no US Open (15h45, Eurosport1)

Terça-feira, 7

⚽🇵🇹 Azerbaijão - Portugal, mais um jogo de qualificação da seleção nacional para o Mundial 2022 (17h, RTP1/Sport TV1)

⚽ Também na qualificação para o Mundial do Catar acompanhe o Maláui - Moçambique (14h, Sport TV1), o Cabo Verde - Nigéria (17h, Sport TV1) e o Angola - Líbia (20h, Sport TV6)

⚽ Já na qualificação europeia, destaque para o França - Finlândia (19h45, Sport TV1) e para o Irlanda - Sérvia, este do grupo de Portugal (19h45, Sport TV3)

Quarta-feira, 8

⚽ Ainda na qualificação para o Mundial, a Espanha joga no Kosovo (19h45, Sport TV2). Siga também o Itália - Lituânia (19h45, Sport TV3) e o Polónia - Inglaterra (19h45, Sport TV1)

🏐 Europeu de voleibol: Grécia - Portugal (19h30, Sport TV6)

🏃 Siga o primeiro dia da final da Diamond League, em Zurique (16h30, Sport TV4)

Quinta-feira, 9

⚽ O Benfica tenta a entrada na fase de grupos da Liga dos Campeões feminina frente ao Twente (19h, BTV). Na 1.ª mão, as duas equipas empataram 1-1

🏃 Final da Diamond League, 2.º dia (18h, Sport TV2)

Sexta-feira, 10

⚽ Regressa o futebol de clubes, com o Lorient - Lille, na Ligue 1 (20h, Eleven1)

Sábado, 11

⚽ É dia de clássico: o Sporting - FC Porto marca o regresso da I Liga (20h30, Sport TV1).

⚽ Ainda na I Liga, o Benfica joga em casa do Santa Clara (18h, Sport TV2). Antes, o Paços de Ferreira recebe o SC Braga (15h30, Sport TV1)

⚽ E também pode ser o dia do regresso de Cristiano Ronaldo à Premier League. O Manchester United recebe o Newcastle (15h, Sport TV2)

🏁 MotoGP: qualificação para o GP Aragão (13h, Sport TV2)

🏎️ Fórmula 1: GP Itália, qualificação (14h, Eleven3)

🎾 US Open: final feminina (21h, Eurosport1)

Domingo, 12

⚽ Na I Liga, o Moreirense recebe o Famalicão (15h30, Sport TV1), o Boavista joga com o Portimonense (18h, Sport TV1), o Gil Vicente com o Vizela (18h, Sport TV2) e o Vitória recebe a Belenenses SAD (20h30, Sport TV1)

⚽ Na La Liga, o At. Madrid joga em cassa do Espanyol (13h, Eleven1) e o Real Madrid recebe o Celta (20h, Eleven1)

⚽ Na Premier League, há Leeds - Liverpool (16h30, Sport TV3) e na Serie A o Milan recebe a Lazio (17h, Sport TV5) e a Roma de Mourinho joga com o Sassuolo (19h45, Sport TV3)

🏁 MotoGP: GP Aragão (13h, Sport TV2)

🏎️ Fórmula 1: GP Itália (14h, Eleven3)

🎾 US Open: final masculina (21h, Eurosport1)

Hoje deu-nos para isto

No próximo sábado há clássico, o primeiro da época, bem cedo e curiosamente tal como na temporada passada, em que Sporting e FC Porto jogaram à 4.ª jornada. O encontro já foi em outubro, com o atraso no início do campeonato devido à pandemia, e as duas equipas empataram 2-2, como estão por ora empatadas na tabela, com 10 pontos cada.

Passou menos de um ano, mas muita coisa mudou. Por aquela altura ninguém olhava para o Sporting como candidato ao título e agora sabemos o que aconteceu. João Mário tinha acabado de chegar a Alvalade, entrou na 2.ª parte e agora sabemos onde está. E Luciano Vietto marcou o golo que daria o empate à equipa de Rúben Amorim e agora provavelmente não há muita gente que saiba por onde anda o argentino (ajuda: está Al Hilal da Arábia Saudita).

Tudo isto para dizer em menos de um ano muita coisa pode mudar. O clássico de sábado, não sendo obviamente decisivo, pode no entanto deixar desde já uma das equipas com aquela pressãozinha de ter de correr atrás do prejuízo. O que não é bom, seja à 5.ª ou à 20 jornada.

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