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O pai tá on

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Neymar Jr, de 29 anos, já tem 114 jogos pela seleção brasileira, superou no domingo Pelé e Djalma Santos

Neymar Jr, de 29 anos, já tem 114 jogos pela seleção brasileira, superou no domingo Pelé e Djalma Santos

Alexandre Schneider

A primeira camisola de seleção que recebi era da cor do descaro. O número era desinteressante, mas o nome lá gravado cantava sobre alguém que, jogando, exibia um aparente descaso. Era antes uma declaração de amor ao jogo, num idioma que não é percetível para todos. Driblando, salvava o mundo de vez em quando. O suor que lhe escorria marchava para curvar os lábios de outros. Nunca foi o que diziam que ia ser, e se calhar ainda bem. Era um rapaz bom de bola que ia fazendo feliz a mina redondinha e aqueles que entendiam aquele jeito de viver. O Brasil viajava naquelas botas.

Mas as coisas mudaram algures neste século. O triunfo transformou-se na mais popular religião e a perfeita e útil perfeição é o mínimo que se vai exigindo aos que jogam futebol. E as folhas de excel a engordar, insaciáveis, com números que arregalam os olhos dos feiticeiros da obviedade, quais servos da utilidade inscritos no sindicato da certeza. E Neymar, que tal? Ah, a cabeça. E a época que vem aí? Ah, olha a barriguinha [inserir fotografia dos abdominais dos génios anciãos que dominaram a última década e qualquer coisa]. Outro dia, numa futebolada, depois de uma bela ideia mal executada, um amigo de infância mandou para o ar (para mim) um impropério qualquer junto de “Neymar”. Que insulto tão bonito.

Este domingo, ironicamente o Dia Mundial da Saúde Mental, circularam as palavras de Neymar sobre o que vem aí. Ou sobre o que não vem, após o Catar-2022. "Acho que é a minha última Copa do Mundo, encaro como a minha última. Não sei se terei mais condição de cabeça de aguentar mais futebol. Então, não sei. Vou fazer de tudo para chegar muito bem, ganhar com o meu país e realizar o meu sonho maior desde pequeno”, desabafou num documentário da "DAZN". O circo do insulto fez-se à estrada e andou por aí. Também se viram inúmeras palavras de apoio e admiração. Afinal, tem apenas 29 anos. Mas a cabeça, os abdominais e a perfeição.

Em 2016, numa conferência de imprensa, perguntaram-lhe sobre o “comprometimento com a seleção brasileira”, pois, segundo o jornalista, o jogador levava muitos cartões, ia para a balada e não se incomodava de ostentar. Além disso, apesar do discurso coletivista, entrava no relvado para treinar sozinho, talvez por indicação dos patrocinadores. A resposta, entre risos que porventura visavam esfriar a cabeça, merece reflexão.

“Olha, eu acho que você tem que começar a ver as coisas que eu faço dentro de campo. As coisas particulares, a partir do momento que eu estou fora, independente de qualquer coisa, são particulares. Você tem que me cobrar dentro de campo. Falou nos cartões, não tenho problema nenhum em cobrar. Agora, eu tenho a minha vida particular, sou um cara de 24 anos, quiçá novo, tenho as minhas conquistas, tenho as minhas coisas. Eu sou muito tranquilo quanto a isso, pode criticar. Eu tenho os meus erros, não sou nenhum cara perfeito. Também gosto de sair, de me divertir, com os meus amigos. Tenho família e amigos também, porque não posso sair? Porque não posso ir para a balada? Acho que não tem um porquê, não é? Eu posso, sim. Eu vou. Se tenho consciência do meu dever no dia seguinte, eu vou, não vejo problema nenhum, é a minha vida particular. Agora, sempre que estou dentro de campo, eu me entrego, tento sempre fazer o meu melhor, o meu máximo. Acabo errando, sim, como errei já muitas vezes. E ainda vou errar. Isso é normal para um ser humano. (...) Acho que a sua pergunta foi até - desculpa, mas é a minha opinião — maldosa, mas vou levar na boa, não vou responder na maldade, estou-te explicando. Imagina você, com 24 anos, ganhando tudo o que eu ganhei, tendo tudo o que tenho. Você seria o mesmo que eu?”

Depois de vencer a final do torneio olímpico de futebol, em 2016

Depois de vencer a final do torneio olímpico de futebol, em 2016

Tim Clayton - Corbis

Isto, a cobrança que vive em loop para tantos, aconteceu alguns dias antes de começarem os Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro. Por ali, nas ruas cariocas (perfeitas por estarem tão longe da perfeição), cheguei a ver meninos fardados à Brasil com o nome de Neymar riscado, substituído pelo da genial “Marta”, escrito à mão, negligente, talvez para ser mais insultuoso. Nem um mês depois, este mendigo do bom futebol testemunhou o golaço de livre na final contra a Alemanha e, claro, o penálti decisivo que lhe saiu da bota direita, virando do avesso o Maracanã. “Tudo passa”, pode ler-se no pescoço de Neymar. E na vida.

É um dos melhores futebolistas que este desporto já viu, mas vai sendo olhado com desdém. Gosto de recordar as palavras de Valdo, numa entrevista à Tribuna Expresso, em agosto de 2020: “Ele é um dos últimos talentos puros, sem agrotóxicos, sem nada, do futebol brasileiro. É o que tem o maior improviso, é o que é mais leve, é o que cativa mais. Se aparecer um extraterrestre que não conheça o Neymar, vê-o jogar e diz: ‘Esse cara é brasileiro, né?’. Com certeza, não tem como enganar. O toque de bola do Neymar é o Brasil da velha escola, da boa escola”.

A versão triste do menino de Mogi das Cruzes esteve no relvado, na noite de domingo, no Colômbia-Brasil, tentando ser o martelo pneumático de algodão-doce que furava a linha defensiva cafetera. Recentemente, Romário, Tostão e Rivellino falaram nele como um dos grandes, sendo que os dois últimos garantiram que jogaria de caras no tal Brasil de 1970. O número 10 alcançou, este domingo, o jogo 114 pela seleção, superando Pelé e Djalma Santos — é o quinto futebolista com mais internacionalizações naquele país, longe de Cafu (150). E golos? Sessenta e nove, só atrás do Rei (77). E dribles? Infinitos. E bocejos alheios? Zero. As pancadas que sofreu levam-nos para outras décadas. Talvez um livro de Ruy Castro fosse útil.

O passe transformou-se na segunda religião mais popular que conhecemos e talvez um dia agonizemos por já não haver gente como ele. Afinal, exibe um falso descaso, mas é antes uma declaração de amor ao jogo, num idioma que não é percetível para todos. Driblando, salva o mundo de vez em quando. O suor que lhe escorre marcha para curvar os lábios de outros. Nunca foi o que diziam que ia ser, e se calhar ainda bem. É um rapaz bom de bola que vai fazendo feliz a mina redondinha e aqueles que entendem aquele jeito de viver. O Brasil viaja naquelas botas.

O que se passou

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A curiosa carreira de Bebé

A ida de Bebé para o United entrou diretamente para o topo do anedotário futebolístico-empresarial, mas é bom não esquecer que, no meio de transferências especulativas, jogadas de bastidores, negociatas de empresários, estava um jovem jogador tão ou mais atónito com o que lhe estava a acontecer do que o espetador comum, escreve Bruno Vieira Amaral. Mas, sem esta contratação histórica — considerada uma das mais bizarras da história do gigante inglês — talvez hoje não estivéssemos a falar de Bebé, que está hoje no Rayo Vallecano e teve um trajeto bastante razoável

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Não tem de ser possível tirar a bola à Espanha para se ganhar

Na ditatorial forma de jogar com que os espanhóis subjugam, pela bola, qualquer seleção, a França não precisou de discutir a propriedade do objeto que o adversário jamais quer perder. Quando, ali a partir da hora de jogo, a final se começou a partir, os franceses aproveitaram a fortuna de terem Pogba, Griezmann, Benzema e Mbappé para ficarem com a Liga das Nações e deixarem a bola para a Espanha

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“O Iker jogava sempre com as meias do avesso. Não sou obcecado, mas, se as coisas estiverem a correr bem, faço parecido com a última vez"

José Sá foi bicampeão no Olympiacos, mas da Grécia não trouxe só boas recordações, porque foi assaltado e levaram o anel de noivado que ia oferecer à namorada. O guarda-redes, já convocado várias vezes por Fernando Santos, embora ainda não se tenha estreado pela seleção A, diz ter jeito para a cozinha, adora jogar Padel e, se não fosse futebolista, se calhar teria sido cantor

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Pany Varela, o herói que jogava com bolas de trapos: “Nunca quis ser o próximo ‘alguém’. Espero que os miúdos queiram ser eles próprios”

Com oito golos em sete jogos, o jogador do Sporting foi o grande destaque individual do inédito título mundial conquistado pela seleção de futsal. Em entrevista à <strong>Tribuna Expresso</strong>, Pany vinca que o reconhecimento é "consequência daquilo que o grupo fez" e que quando a equipa está "toda pelo mesmo e acredita", a "bola bate no poste e sai", como aconteceu no último lance da final contra a Argentina. Nascido em Cabo Verde e a viver em Portugal desde os 10 anos, opina que devemos, como sociedade, "esquecer as cores" e "procurar coisas que nos unam", até porque "é a diferença que nos caracteriza" e "nos torna tão especiais"

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O futebol está a ganhar a Neymar: “Encaro o próximo Mundial como o meu último. Não sei se terei condição na cabeça para aguentar mais”

O, porventura, jogador mais habilidoso desta geração e quem, pela forma como escolheu jogar, mais encurta a galáxia de distância que há entre uma peladinha entre amigos despreocupados na rua e o teto competitivo no futebol, desvendou que pode não aguentar mais naquilo que o desporto mói a quem o pretende escalar até lá acima: na cabeça. Neymar tem 29 anos e, no Catar, jogará o seu terceiro Mundial com o Brasil

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“Uma vez, o Cafú meteu-se fora do táxi pela janela e ouvimos a passar na central de rádio que havia um indivíduo com o cu de fora”

José Sá gostava de andar lá na frente a marcar golos como os outros miúdos, mas a necessidade de ocupar um lugar vago e a sugestão do seu primeiro treinador, levaram-no a defender as balizas. Aos 28 anos, o guarda-redes do Wolverhampton, conta como foi a passagem pelo Benfica, onde tem vários episódios engraçados com Cafú e Luís Martins, e relembra a amnésia que sofreu no Marítimo, depois de levar com uma bola na cabeça. Nesta I parte da entrevista fala, também, dos conselhos de Iker Casillas no FC Porto e da festa do título numa discoteca, antes de partir para Grécia

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Começou a falar já bem depois das 5h de domingo e a ler de um discurso escrito em papel. Rui Costa, acabado de tomar posse como presidente do Benfica, lembrou que "já [foi] de tudo, de adepto de bancada a apanha-bolas", agora é presidente e sublinhou que é o início "de um novo ciclo" no clube. Nas palavras da vitória, mencionou Luís Filipe Vieira, "cuja obra de recuperação, consolidação e crescimento do Benfica ao longo de 18 anos merece o melhor dos reconhecimentos"

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A Fórmula 1 sai do Grande Prémio da Turquia com mais uma baldroca na classificação. Max Verstappen terminou atrás do vencedor Valteri Bottas e recuperou a liderança do mundial porque Lewis Hamilton acabou no 5.º lugar, aparentemente chateado com a estratégia escolhida pela Mercedes

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No ramerrame se ganhou a quem se quer ir visitar num próximo inverno

Entre os golos de Ronaldo, José Fonte e André Silva houve um encontro sensaborão, que por vezes mais pareceu um jogo-treino, no qual Portugal ganhou (3-0) ao Catar, anfitrião do próximo Mundial, sem acelerar (ou entusiasmar) por aí além. Serviu, também, para Diogo Costa, Matheus Nunes e Rafael Leão se estrearem pela seleção

Zona mista

Posso ser mau treinador, mas tonto não sou

Numa conversa com Vicente del Bosque, para o "El País", Diego Simeone fala de ideias, de liderança e admite que vai escutando os futebolistas, seja sobre as necessidades deles ou a forma como veem o jogo. Afinal, ouvir o futebolista não é um sinal de debilidade, coincidem. O treinador do Atlético Madrid conta ainda que, em dezembro, coloca sempre uma bola de futebol debaixo da árvore de Natal para lhe agradecer tudo o que viveu, vive e vai viver neste desporto.

O vem aí

Segunda-feira, 11

⚽ A qualificação para o Campeonato do Mundo, no Catar, continua. Em África, haverá Moçambique-Camarões (14h, Sport Tv1), Gabão-Angola (14h, Sport Tv2) e, mais logo, Líbia-Egito (20h, Sport TV6). António Conceição treina os camaroneses e Carlos Queiroz foi recentemente eleito o novo selecionador dos egípcios.

⚽ Na Europa também há festa, com Macedónia-Alemanha (19h45, Sport TV1), Croácia-Eslováquia (19h45, Sport TV3), Países Baixos-Gibraltar (19h45, Sport TV2), Noruega-País de Gales (19h45, Sport TV5).

🎾 O torneio de ténis de Indian Wells vai sendo transmitido pela Eleven Sports, a partir das 19h, e pela Sport TV6 a partir das 23 horas. E mantém-se até ao final da semana.

Terça-feira, 12

⚽ Depois do teste contra o Catar, Portugal disputa mais um jogo de apuramento rumo ao Campeonato do Mundo, desta vez com o Luxemburgo. O objetivo é recuperar a liderança do Grupo A, já que, com mais um jogo, a Sérvia assumiu esse posto.

⚽ Pelas 14 horas joga-se o Namíbia-Senegal, mais um jogo de qualificação para o Catar-2022. Uma hora depois, começa o Cazaquistão-Finlândia (15h, Sport TV1). Mais tarde, o festim continua: Albânia-Polónia (19h45, Sport TV5), Dinamarca-Áustria (19h45, Sport TV4), Inglaterra-Hungria (19h45, Sport TV3) e Suécia-Grécia (19h45, Sport TV6).

Quarta-feira, 13

🏐 Para quem gosta de voleibol, o Olympiacos recebe o Brcko, num jogo para a European Champions League (17h, Sport TV3).

🏀 Pelas 20 horas (Sport TV1), há Barcelona-Olympiacos para a Euroliga de basquetebol.

Quinta-feira, 14

⛳ Arranca o Andalucia Masters, para o European Tour de Golfe (13h, Sport TV4).

🏐 Joga-se também o Pazardzhik-Las Palmas para a European Champions League de voleibol (17h, Sport TV3).

🎾 Jogam-se os quartos de final de Indian Wells (19h, 21h e 23h, Sport TV4).

🤾🏿‍♂️ Também há Liga dos Campeões de andebol, com o PSG-HC Motor (19h45, Sport TV2).

⚽ Neste dia haverá também Bolívia-Paraguai (21h, Sport TV1) e Colômbia-Equador (22h, Sport TV2), a contar para o qualificação para o Catar-2022.

Sexta-feira, 15

⚽ A Taça de Portugal está de volta com o improvável Sintrense-FC Porto (18h45, Sport TV1) e o especial Belenenses-Sporting (20h45, Sport TV2).

⚽ Na Eleven Sports há Messi, Neymar, Kylian e companhia a partir das 20 horas, num duelo contra o Angers, para a Ligue 1. Jogam-se também Hannover-Schalke 04 (17h30), Paderborn-Regensburg (17h30), a contar para a Bundesliga 2, e o Hoffenheim-Colónia (19h30), do primeiro escalão germânico. Na Bélgica há Club Brugge-Kortrijk (19h45). Mas, para quem não sofre de fastio, há ainda Eibar-Almería (20h) e West Brom-Birmingham (20h).

🎾 O Loulé Open, da ATP Challenger Tour, pode seguir-se na Sport TV3, a partir das 13 horas.

🏀 Na Euroliga de basquetebol teremos um Real Madrid-Panathinaikos (20h, Sport TV3).

Sábado, 16

⚽ O Benfica joga com o Trofense, na Trofa, para a Taça de Portugal (20h15, Sport TV1).

🚘 Há Rali da Catalunha, com a Super Especial 9 - Montemell 1, na Sport TV3, a partir das 9h30.

⚽ A Premier League está de volta com Watford-Liverpool (12h30, Sport TV2), Leicester-United (15h, Sport TV2), City-Burnley (15h, Sport TV3) e Brentford-Chelsea (17h30, Sportv TV2). A Serie A, idem, com o Spezia a defrontar o Salernitana de Franck Ribéry (14h, Sport TV5), um sempre sedutor Lazio-Inter (17h, Sport TV3) e o Milan-Verona (19h45h, Sport TV2). Da Holanda vem um Heerenveen-Ajax (17h45, Sport TV1) e um PSV-Zwolle (20h, Sport TV3). Na Eleven, haverá Fulham-QPR (12h30) e, entre tantos outros, o Lyon-Monaco (20h).

⚽ No futsal, agora como país que é o campeão do mundo, há Eléctrico-Benfica (14h, Sport TV1).

🛵 Arranca o GP Argentina de Superbike (17h30, Sport TV6).

🏈 Jaguars-Dolphins, na Eleven Sports1, pelas 2h30 da madrugada (de sábado para domingo).

🏐 No campeonato nacional de voleibol joga-se o Castelo da Maia-Vitória SC (18h, Sport TV4).

Domingo, 17

🚘 No Rali da Catalunha há a Power Stage (11h, Sport TV1).

🎾 A final do Loulé Open joga-se a partir das 11 horas, com transmissão em direto na Sport TV6.

⚽ O Sp. Braga visita o campo do Moitense para a Taça de Portugal (15h, Sport TV1).

⚽ Lá fora também há, pois claro, futebol para todos os gostos: Leverkusen-Bayern (14h30, Eleven Sports1), Celta-Sevilha (15h15, Eleven Sports 2), Cagliari-Sampdoria (11h30, Sport TV3), Everton-West Ham (14h, Sport TV2), Empoli-Atalanta (14h, Sport TV2), Newcastle-Tottenham (16h30, Sport TV2), Nápoles-Torino (17h, Sport TV3), Red Bulls-New York City (18h05, Sport TV4) e, para fechar em beleza, um Juventus-Roma (19h45, Sport TV1) e um Barça-Valencia (20h, Eleven 1).

🚤 Em Vila Velha de Rodão há Campeonato do Mundo de F2 de Motonáutica (15h30, Sport TV5).

🏈 Os adeptos da NFL terão também uma jogatana entre Patriots e Cowboys (21h25, Eleven 2).

Hoje deu-nos para isto

Grégory Coupet, guarda-redes do Lyon entre 1996/97 e 2007/08

Grégory Coupet, guarda-redes do Lyon entre 1996/97 e 2007/08

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O futebol oferece-nos sempre momentos improváveis, às vezes parecem histórias de um velho malandro que se entretém a inventar contos regados com fantasia. Rivaldo era um mago, não era daqueles com a maior ginga brasileira, da rua, era um estilo diferente. A canhota do brasileiro encantava as bolas, fosse naquela finta em que fingia que ia rematar e puxava para o lado, fosse num livre direto ou até num pontapé de bicicleta em cima da hora. Rivaldo era elegante, influente, importante, um tesouro.

Era futebol.

Mas o futebol, o tal em que adoramos encontrar defeitos, às vezes inverte a história, cria heróis por cima dos heróis do dia a dia. Foi o que aconteceu no 10 de outubro de 2001, numa quarta-feira, jogava-se a Liga dos Campeões, no Camp Nou. O Lyon, que ainda estava por começar aquele reinado avassalador, visitava o campo do Barcelona e na baliza teve um santo milagreiro, que, sim senhor, não evitou a derrota, mas que fez algo inimaginável. A certa altura, quando os franceses, apertados, começaram a jogar para trás, Caçapa deu um toque para o guarda-redes Grégory Coupet, quem sabe para respirarem, mas saiu demasiado comprido, alto, desastroso. Rivaldo pressionava, por isso a bola do defesa brasileiro saiu torta, parecia um chapéu perfeito. Até que Coupet começou a correr, sem perder noção do espaço e rota daquele objeto que trazia más notícias, saltou e cabeceou a bola, que esbarrou na trave.

Caiu dentro da baliza, o homem que encheu aquele castelo, levantou-se quando Rivaldo já estava no ar, para finalmente meter a bola dentro da baliza, de cabeça. Coupet voltou a ir ao chão e sacou uma defesa inacreditável, evitando mais um golo naquela noite na Catalunha. Inesquecível (ver AQUI). Fez no domingo 20 anos.

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