Aos 34 anos, Luís Freire atingiu a I Liga, liderando o Nacional da Madeira, depois de também ter conseguido subidas com Mafra, Pêro Pinheiro e Ericeirense, clubes por onde começou a ganhar "zero euros" e foi aperfeiçoando a sua ideia de jogo inicial, com a ajuda de treinadores que estudou a fundo, como Jorge Jesus, Pep Guardiola e Paulo Sousa: "Passei de ser um treinador de contra-ataque para ser um treinador ofensivo, a mandar tudo para a frente. Fizemos as coisas muito focadas em organização ofensiva e esquecemo-nos dos outros momentos do jogo"
Nuno Campos é adjunto de Paulo Fonseca há 15 anos, desde o tempo em que ambos tinham pastelarias na Margem Sul para ganhar a vida, enquanto treinavam nas divisões inferiores, e largaram tudo por uma paixão comum: "O Paulo dividiu comigo o salário que lhe ofereceram e passámos os dois a ganhar pouco, mas felizes por estarmos a trabalhar juntos num campeonato profissional." Em longa entrevista à Tribuna Expresso, o treinador adjunto da Roma, que confessa ser "um chato", recorda a carreira de uma dupla inseparável, que aprendeu com as dificuldades no FC Porto, usando-as para ganhar praticamente tudo no Shakhtar Donetsk, antes de chegar a Itália, onde o campeonato apresenta novos problemas táticos, mas a paixão se mantém a mesma: "Quando vamos jantar fora, já nos aconteceu vir à mesa o dono do restaurante pedir para falarmos mais baixo, porque as pessoas à volta ficam incomodadas. Porque, quando há conversa de futebol, há discussão"
Com um dos orçamentos mais baixos da 2ª Liga, o Mafra surpreendeu ao posicionar-se na luta pela subida, cortesia de um coletivo (que vai do 4-2-3-1 ao 2-2-6) liderado por Vasco Seabra. O treinador que chegou à 1ª Liga aos 33 anos, ao assumir o Paços de Ferreira, conta à Tribuna Expresso que, tal como o colega que tem como referência, Paulo Fonseca, teve de dar um passo atrás na carreira, nos sub-23 do Estoril Praia, onde reencontrou a paixão pelo jogo e pelo treino, consolidando um modelo do qual não abdica e que faz questão de explicar aos dirigentes: "Presidente, não quero que daqui a três meses, porque a equipa está a empatar e fez três passes para o guarda-redes, me venha chamar para dizer que quer meter a bola na frente"
“Ou todos jogam ou todos param”. Não vai ser assim, mas é assim que Julio Velázquez acha que devia ser: o futebol europeu devia decidir, em conjunto, retomar ou parar, após a pandemia provocada pela Covid-19, não deixando cada Liga decidir sozinha. Em Portugal desde novembro, o treinador do Vitória está agora sozinho em Setúbal, já que a mulher ficou em Madrid, tal como os pais — a mãe, enfermeira, é quem mais o preocupa, numa altura em que, confessa à Tribuna Expresso, o futebol, no qual faz carreira há impressionantes 23 anos (começou aos 15...), “é secundário”.
Uma rápida pesquisa num qualquer motor de busca por “João Pedro Sousa” só começa a mostrar resultados a partir de maio de 2019. Foi nessa altura que o Famalicão, recém-promovido à 1ª divisão, anunciou o novo treinador, que até então só tinha sido adjunto, quase sempre de Marco Silva: no Everton, Watford, Hull, Olympiacos, Sporting e Estoril. A estreia como principal, aos 48 anos, foi vista com desconfiança, mas o impacto foi imediato: o Famalicão foi líder da Liga durante largas jornadas e está agora em 3º lugar, atrás de Benfica (contra quem joga este sábado, na Luz, às 18h) e FC Porto
Hugo Oliveira é, como o próprio diz, uma peça no motor que é uma equipa técnica. Apaixonado pela baliza, é treinador de guarda-redes há quase duas décadas, passou pelas seleções nacionais e pelo Benfica, antes de chegar à Premier League com Marco Silva, atualmente no Everton, onde diz que o jogo é totalmente diferente: "Defender cantos e livres em Portugal é como limpar o rabo a meninos. Em Inglaterra é como ir para a trincheira na 2ª Guerra Mundial. Porque eles não marcam nada. É doloroso até"
Ao contrário do que é habitual para um treinador português - ou até europeu -, a carreira de Sérgio Vieira começou no Brasil. Depois de ter sido observador do Sporting de Braga e do Sporting, foi treinar Guaratinguetá, Atlético Paranaense, Ferroviária, América Mineiro e São Bernardo. Só regressou a Portugal a meio de 2017/18, para assumir o Moreirense, onde nem chegou a terminar a época, à semelhança do que aconteceu este ano, quando saiu do Famalicão pouco antes da equipa subir à Liga NOS. Agora, volta à 2ª Liga, para assumir o histórico Farense: "A vida de treinador é essa: é uma arte de cair, levantar e engolir sapos, até chegar onde nós queremos. E quando chegamos ao nível onde queremos chegar já engolimos menos sapos"
Como culé que é, Joan Vilà vê "sempre o Barcelona", ainda que, ultimamente, "nem sempre veja o Barcelona que gostaria de ver". O homem que passou grande parte da última década como diretor de metodologia do Barça, depois de também ter sido treinador dos escalões de formação e, antes de tudo isso, jogador do clube, conversou com a Tribuna Expresso sobre o futebol dos catalães, que precisa de um abanão para voltar ao que era. E esse abanão tem nome: Xavi Hernández
Ele fez história com elas. Aos 35 anos, Francisco Neto liderou a seleção feminina de futebol ao primeiro Europeu em que participou, em 2017, numa experiência que pretende voltar a repetir em breve: "Em casa, sentado no sofá, sou sempre o melhor treinador do mundo. Quando a gente está num Europeu e tem de tomar decisões em função do que está a ver, as coisas alteram-se..." Na FPF desde 2014, tem visto o futebol feminino crescer vertiginosamente e garante que o melhor ainda está para vir. Até a campeã mundial, EUA, teve problemas contra Portugal, particularmente pela estrutura de 4-4-2 losango utilizada pela seleção: "A treinadora do EUA deu-nos os parabéns porque não entendia o nosso losango. Teve muita dificuldade em perceber como é que nós conseguíamos tão facilmente criar-lhes problemas". Hoje, em jogo de preparação contra a Hungria (16h, Alverca), a estrutura será outra: 3-5-2. O treinador explica porquê, à Tribuna Expresso, numa conversa sobre futebol - que, jogado, é o mesmo, no feminino e no masculino
Depois de dois anos na China, Fernando Valente voltou para Portugal, para treinar o Varzim, da 2ª Liga, tal e qual como treinava na China ou noutro sítio qualquer: "Sou apologista de que os jogadores têm de jogar o jogo que quero. Acho que o Setién também diz isso. Os jogadores têm de jogar o jogo que os treinadores querem. É isso que tento provar com imagens, porque costumo dizer que sou o Zé da merda cá do sítio, ninguém me conhece, porque se for um determinado fulano a dizer isto, toda a gente vai gostar e copiar. Eu não, portanto tenho de fundamentar através de quê? Das imagens". Para Valente, o futebol português precisa de mudar: "O futebol em Portugal é muito sofrimento, não é? Sangue, suor e lágrimas. A bola é que sofre mais, mas tenho pena é dos jogadores"
André David já foi um dos treinadores mais jovens dos campeonatos profissionais em Portugal, depois de ter começado a carreira de treinador de seniores no Tourizense, então no 3º escalão nacional, em 2011/12, com apenas 26 anos, e de ter chegado ao Académico de Viseu, da 2ª Liga, em 2016/17, com 30 anos. Agora treina o Loures, do Campeonato de Portugal, que recebe este sábado o Sporting (20h45, RTP1), para a 3ª eliminatória da Taça de Portugal, e não tem dúvidas que a equipa pode deixar uma marca: "Há malta que defende que o modelo de jogo pode variar muito de acordo com os intervenientes. Eu acho que a complexidade daquilo que é o meu modelo de jogo é que pode mudar de acordo com o que são os intervenientes, se tiverem mais ou menos qualidade. Podemos ter um jogar rico em equipa de pobres"
À entrada para a 7ª jornada da Liga, o Portimonense era o último classificado, com quatro pontos, uma vitória, um empate, seis golos marcados e treze sofridos. Mas a posição na tabela não afetou a forma de jogar que o treinador António Folha mais diz valorizar: a ofensiva. Foi assim que a equipa algarvia venceu o Sporting, por 4-2, e ascendeu ao 15º lugar. E é assim que vai continuar a jogar, porque é tudo uma questão de “mentalidade”, explica à Tribuna Expresso o ex-treinador do FC Porto B: “Até parece que é proibido uma equipa pequena jogar ao ataque”
Pedro Espinha tem 33 anos e é treinador de guarda-redes na Noruega há três anos, onde já passou por altos e baixos, da 3ª à 1ª divisão - e vice-versa - por vontade própria, porque quer valorizar-se, a ele e ao futebol. "O guarda-redes, sem bola, tem o '1' nas costas; com bola, tem o '10' nas costas", explica à Tribuna Expresso o treinador dos guarda-redes do Lyn, que diz que aquela barreira de Vlachodimos no Chaves-Benfica "não estava ali a fazer nada"
As entrevistas “No banco com os misters” pretendem dar voz a quem intervém no desenvolvimento e no treino de uma equipa de futebol, de qualquer nível, género ou escalão etário
Este sábado, na 5ª jornada da 2ª Liga, o Penafiel não recebe apenas o Cova da Piedade: recebe o batismo de Hugo Falcão como o treinador mais jovem das Ligas profissionais de futebol, aos 27 anos. "Se as pessoas identificarem que tu és competente, que tu és organizado, que tu queres o melhor para elas, que tu estás aqui para ajudar, as coisas decorrem naturalmente. A capacidade de liderança faz-se dia-a-dia", explica à Tribuna Expresso o novo treinador do Cova da Piedade, que tem jogadores bem mais velhos do que ele
Há 14 anos no Benfica, Renato Paiva passou por quase todos os escalões, desde os sub-10, onde começou em 2004/05, passando pelos sub-17, onde foi campeão nacional em 2017/18, até chegar aos sub-19, que vai liderar na época que já se iniciou. O treinador que diz ter "uma panca pelo futebol bonito" desde que viu o Brasil de 1982 acredita que em Portugal a formação está cada vez melhor, especialmente no Benfica, onde a evolução dos jogadores já é vista como mais importante do que as vitórias nos escalões jovens
José Boto não é um nome que, por si só, diga muito aos adeptos. Mas o caso muda de figura quando se associa este scout de 52 anos a outros nomes: Witsel, Markovic, Fejsa, Grimaldo, Zivkovic... Depois de 11 anos na Luz, o ex-diretor do departamento de scouting do Benfica, reconhecido mundialmente como um dos melhores no sector, mudou-se para o Shakhtar Donetsk, na Ucrânia, onde vai trabalhar com outro português, o treinador Paulo Fonseca, de quem diz ser admirador. E o mercado de verão está aí à porta
Na sua primeira época enquanto treinador principal em Portugal, aos 46 anos, Miguel Cardoso foi a revelação da Liga, ao guiar o Rio Ave ao 5º lugar. Não só marcou pelos resultados como pela forma de jogar, com uma equipa pequena que procurava ser grande, mesmo contra os grandes. E é por isso que o Sporting (e não só) parece estar interessado nele para ocupar a vaga deixada por Jorge Jesus. Na primeira grande entrevista que concede, conheça as ideias de um treinador que sabe bem o que quer, mas que chorou quando teve de deixar de ser professor de educação física
Não foi jogador, mas sempre quis ser treinador. Vítor Severino estudou desporto em Coimbra, começou a carreira nos escalões de formação da Académica e, um dia, conheceu Luís Castro, em Madrid, numa formação em que se falava de Pep Guardiola. Mudou-se para o FC Porto e nunca mais largou o mister, acompanhando-o, como adjunto, para o Rio Ave e para o Chaves
Rui Quinta já era treinador principal há largos anos - no Paredes, no Gil Vicente, no Penafiel - quando, em 2011, Vítor Pereira lhe ligou para que fosse seu adjunto no FC Porto. "E eu disse assim: 'Ó Vítor, estás a brincar comigo?'". Atualmente, treina o Sporting de Espinho, clube histórico que está no Campeonato de Portugal, e não tem vergonha de dizer que aprendeu muito em mais de 20 anos de carreira: "Olho para trás e deito as mãos à cabeça. Digo assim: 'Ai meu Deus do céu, eu matei tanto jogador, dei tanto pontapé, Deus me acuda e guarde'"
João Nuno Fonseca é analista no City Football, grupo que detém o Manchester City e o New York City, entre outros clubes. Começou na Académica, onde nem sempre valorizavam o trabalho que fazia, e emigrou para o Qatar, para trabalhar na Academia Aspire: “As pessoas nem têm bem noção daquilo que é a análise e as horas que nós passamos nos bastidores a preparar a informação para o treinador” (Esta é a primeira entrevista da nova rubrica “No banco com os misters”, que pretende dar voz a quem intervém no treino de uma equipa)
Em (longa) entrevista à Tribuna Expresso, o ex-treinador do FC Porto, atualmente no TSV 1860 München, da 2ª liga alemã, descreve-se como um "alucinado da bola" que fez tudo para chegar ao mais alto nível no futebol: "Vim de um bairro, o bairro da Mata, em que nós todos os dias andávamos à porrada. Jogava futebol mas se tinha de trabalhar aos fins de semana a trolha trabalhava, ia para a construção, ia carregar caixas de peixe. Foi assim que cresci e foi aí que fui buscar a minha força"