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No banco com os misters

Sérgio Vieira: “Isto de se meter o aspeto tático em primeiro lugar no futebol, como foi vendido por aí, não é muito lógico”

Ao contrário do que é habitual para um treinador português - ou até europeu -, a carreira de Sérgio Vieira começou no Brasil. Depois de ter sido observador do Sporting de Braga e do Sporting, foi treinar Guaratinguetá, Atlético Paranaense, Ferroviária, América Mineiro e São Bernardo. Só regressou a Portugal a meio de 2017/18, para assumir o Moreirense, onde nem chegou a terminar a época, à semelhança do que aconteceu este ano, quando saiu do Famalicão pouco antes da equipa subir à Liga NOS. Agora, volta à 2ª Liga, para assumir o histórico Farense: "A vida de treinador é essa: é uma arte de cair, levantar e engolir sapos, até chegar onde nós queremos. E quando chegamos ao nível onde queremos chegar já engolimos menos sapos"

Mariana Cabral

Nuno Botelho

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Começaste a época 2018/19 no Famalicão, completaste 28 jogos (14 vitórias, sete empates e sete derrotas) e saíste. Entrou o Carlos Pinto, para os últimos oito jogos, e a subida de divisão do clube fica ligada a ele. É injusto?
É assim, não olho, mesmo na minha vida pessoal, a justiças ou injustiças.

Bom, costuma dizer-se que não há justiça no futebol.
Não há justiça na vida, Mariana. Se não, não tínhamos as diferenças sociais que temos. Depois da minha passagem pelo Brasil, fiquei com uma perceção diferente dessa parte da vida. A justiça não existe para o ser humano, na nossa passagem pelo mundo, nas décadas em que estamos cá, quanto mais então na nossa profissão. E o futebol é profissão. Acho que toda a gente teve o seu mérito. O Carlos teve o seu mérito nos jogos em que esteve lá. Mas acho que o mérito de um treinador acaba por ver-se melhor com o tempo. Por isso, "justiça" não é uma palavra que use muito.

Ficaste contente por ver o Famalicão a subir à Liga NOS?
Ah, isso sim, fiquei extremamente feliz pela subida, porque, desde 28 de junho [de 2018], quando começámos a trabalhar - e houve um planeamento prévio -, tivemos muitas etapas conquistadas e desafios superados. É algo que só quem esteve desde início sabe. Internamente sabem isso: os jogadores, a estrutura, até as próprias pessoas da cidade. Acho que todos conhecem as dificuldades que tivemos para reestruturar o clube e, dentro dessa reestruturação física e humana, também em termos de dinâmica de trabalho, tivemos de, ao mesmo tempo, tentar lutar pela subida e manter o clube numa posição que respeitasse a história e a dimensão da cidade. Foi isso que conseguimos e foi por isso que a minha felicidade não foi normal, foi extrema, embora não estivesse presente nesta última etapa final.

Saíste depois de um empate com o FC Porto B, uma derrota com o Sp. Braga B e uma derrota com o Sp. Covilhã. Mas o Famalicão estava em 2º lugar da 2ª Liga nessa altura. Saíste por causa destes três jogos?
Exatamente. Tivemos um empate fora, em casa do FC Porto B, que esteve muito bem na 2ª volta - penso que tem a melhor sequência de jogos sem perder, juntamente connosco, foram 11 jogos -, e nesse jogo tivemos duas expulsões e cartões amarelos, ou seja, disciplinarmente, ficámos impedidos de utilizar três jogadores, e tínhamos também três jogadores lesionados e outro vindo de lesão, portanto, no fundo, penso que eram sete jogadores sem poder dar o seu contributo à equipa. Isso refletiu-se no jogo contra o Sp. Braga B e, depois, houve a deslocação à Covilhã, um campo difícil, onde o Paços de Ferreira também tinha perdido 3-0, o Benfica B também tinha perdido... As circunstâncias não ajudaram. Em termos de resultados, tivemos esse período negativo, mas acredito que não foram só os resultados, terá sido a avaliação de determinados aspetos. Isso cabe a quem tomou a decisão. Mas em termos de resultados, foi isso, infelizmente.

Como foram apenas três jogos, parece estranho, para quem está de fora.
Estando desde início na estruturação de todo o projeto e sendo uma parte muito importante, tal como o dr. Miguel Ribeiro [diretor do Famalicão], acredito que houve uma superação de expetativas pelo que fizemos e, depois, criando determinadas expetativas...

O objetivo inicial não era subir à Liga NOS?
O objetivo sempre foi definido desde o início como lutar pela subida. Lutar. Agora, é diferente lutar pela subida e definir a subida. Porque lutar, podemos lutar até ao fim e conseguir, ou não. Quando se define só subir, então só existe aquilo, mas um bom trabalho pode terminar sem uma subida. O próprio Vítor Oliveira afirmou isso recentemente.

E ele sobe quase sempre.
Porque ele tem o mérito e a experiência de muitos anos de carreira, e isso permite-lhe escolher bem, trabalhar bem e depois os resultados acabam por aparecer. Acho que, no nosso caso, também fizemos isso tudo muito bem. Infelizmente, fomos criando determinadas expetativas desde início e, numa fase menos boa, que acontece a todas as equipas... O próprio Paços de Ferreira passou por isso. Na 1ª Liga, o Braga também passou por um período menos positivo, por exemplo. Em todas as equipas há sempre uma fase de lesões ou castigos, todas as equipas passam por essas etapas. Para nós, essa fase coincidiu com o aproximar dos jogos com o Estoril e com a Académica, e isso preocupou as pessoas, porque já que tínhamos andado toda a época em lugar de subida, houve quem ficasse com receio de que não se conseguisse subir, por isso tomaram essa decisão. Também não é algo novo na história da 2ª Liga, já houve situações idênticas, com treinadores a sair em lugares de subida.

Pareces ter ficado muito tranquilo com essa decisão.
Temos de ter um equilíbrio muito grande. O futebol é um meio muito complicado, então na era tecnológica que atravessamos agora, bem diferente do que era há 20 anos... O mundo do futebol é muito volátil e a informação entra e sai da mente das pessoas muito facilmente, pelos meios tecnológicos que o ser humano agora tem à disposição. Não é facil ter estabilidade na gestão, por isso, quando acontecem este tipo de situações, quem procura ter uma carreira competente, se se agarrar a estas pequenas quedas, vai ser muito pessimista. Acho que devemos ser sempre muito positivos. Todo o treinador cai e tem de se levantar logo a seguir. A vida de treinador é essa: é uma arte de cair, levantar e engolir sapos, até chegar onde nós queremos. E quando chegamos ao nível onde queremos chegar já engolimos menos sapos. Temos de ser muito determinados, firmes e convictos, mas sabendo também que, às vezes, temos de ceder num ou noutro detalhe, porque se formos demasiado radicais também não conseguimos ultrapassar algumas etapas que queremos. Temos de ter sempre um equilíbrio.

Podes exemplificar?
Gosto muito de trabalhar em equipa, considero que sozinho jamais conseguirei conquistar o que quer que seja na minha profissão. Dessa forma, quando entro para os clubes, o que procuro sempre é rodear-me de pessoas competentes e fazer um grande trabalho em equipa, com capacidade de comunicação e persuasão, sabendo ouvir muito. No meio desse trabalho em equipa, temos sempre de refletir e, por vezes, ceder. Naturalmente, no início da carreira temos de ceder um pouco, porque há quem tenha mais poder do que nós, em diversas áreas da gestão de um clube, no dia-a-dia.

Especificamente em quê?
Por exemplo, na contratação de profissionais. Há treinadores que vão para uma estrutura e levam três ou quatro adjuntos de diferentes áreas, mas há clubes que não permitem isso, só permitem levar um adjunto. Naturalmente, à medida que um treinador vai melhorando o seu currículo, com conquistas, quase vai impondo quem quer. Se os clubes querem, então tem de ser com aquelas pessoas. Quando um treinador ainda está à procura do seu espaço, tem de ceder um pouco nisso. Ok, não vou com três ou quatro, que é o meu ideal, vou com um ou dois. Às vezes isso até dá muito mais trabalho ao próprio treinador, tem de se desdobrar. É desse tipo de cedências de que falo. Assim como, por exemplo, na montagem do plantel. Às vezes o trabalhar em equipa requer diálogo, requer que oiçamos toda a gente. Não me refiro só à equipa técnica, mas à estrutura do clube. Muitas vezes, aquela decisão que tomamos por instinto até se torna mais acertada do que a que tomamos de forma ponderada. Li um livro, há uns anos, chamado "Blink", que falava sobre isso, sobre a decisão num piscar de olhos, que às vezes até é muito mais acertada do que a ponderada. Porque o nosso instinto vem do nosso conjunto de vivências, a nossa capacidade cognitiva, a nossa inteligência emocional, o nosso conhecimento específico sobre aquela área... Se nós temos esse instinto apurado, mais vale ter essa noção: "Eu decido isto porque eu sei o que é um bom jogador para esta posição, sei o que é preciso para esta competição e sei como vamos ter sucesso". Às vezes ouvimos muita gente e nem sempre essas pessoas estão capacitadas para opinar sobre esse tema. Mas não foi isso que aconteceu no Famalicão. No Famalicão acho que fizemos um grande trabalho em equipa. O dr. Miguel Ribeiro é um grande gestor, é uma grande pessoa e acredito que vai levar o Famalicão a um nível muito grande dentro do futebol português. Houve pequenos detalhes sobre um ou outro processo que fizeram com que houvesse a tal decisão.

Nuno Botelho

Um treinador na 2ª Liga tem pouca influência na formação do plantel que irá conduzir?
Depende dos clubes. Um dos segredos para se ter sucesso - tenho a certeza absoluta disto - é a gestão do clube. E essa gestão tem de ser feita em equipa: não é só o presidente e o diretor, é também o próprio treinador, que tem de participar no planeamento. Há clubes nos quais o treinador chega e o diretor já contratou os jogadores. Às vezes o treinador até está no clube e a direção contrata sem o aval do treinador. Mas não foi isso que aconteceu no Famalicão. Felizmente conseguimos realizar este trabalho, porque a gestão, o processo de trabalho diário, a dinâmica, o treino, as análises, tudo isso foi feito de forma muito correta. Se não, não teríamos, no primeiro ano do projeto, conseguido a subida de divisão. Acredito, porque aquilo que conheço da 1ª Liga, da 2ª Liga e de outros países, que isso nem sempre acontece, a gestão não é feita por todos, de uma forma equilibrada.

Quando entras no Moreirense, a meio da época, não há nada a fazer. O que está, está. Aí é muito mais difícil.
Exatamente. Essa é uma etapa diferente na carreira de um treinador. Pode acontecer entrar assim a meio...

Tiveste dúvidas quando te convidaram ou aceitaste logo?
Não tive dúvidas. Um treinador que quer chegar ao nível máximo que a profissão permite acho que tem de estar preparado para tudo o que possa existir. Começar um campeonato e sair no início, sair passados 10 jogos, terminar a época, entrar a meio, entrar a meio e sair... Tem de estar preparado mentalmente para todos os acontecimentos. Felizmente, a etapa que percorri no Moreirense, no meu crescimento pessoal e profissional, foi positiva. Tudo o que conquistámos, em função das circunstâncias, foi positivo. Ajudámos o clube a conquistar pontos, a implementar processos, a fazer evoluir os jogadores, isso ficou registado. Infelizmente, quem gere optou por outro desfecho naquela altura [a saída de Sérgio Vieira]. Temos de respeitar. São etapas que a maioria dos treinadores percorre. Não sou o primeiro a passar por isso; a 1ª Liga tem exemplos claros de treinadores que, recentemente, tiveram projetos que não correram bem e no ano seguinte correm extremamente bem. É o caso do treinador do Santa Clara [João Henriques] e do treinador do Moreirense [Ivo Vieira]. Na época passada [2017/18] se calhar não tiveram um percurso tão positivo - em termos de resultados, não em termos de trabalho - mas esta época [2018/19] foi tudo positivo, em termos de trabalho e em termos de resultados. Por isso é que digo que temos de ter um equilíbrio grande, tendo sempre a certeza que o trabalhar bem, mais dia, menos dia, vai trazer-nos estabilidade em termos de resultados.

Quando estavas no Moreirense, empataram com o FC Porto e o Sérgio Conceição disse que o jogo foi só charuto para a frente e perder tempo. Era isso o Moreirense?
Não, de forma alguma. O Moreirense foi uma equipa que estruturou muito bem o seu processo defensivo...

Em geral, não só nesse jogo?
Sim, em geral. Tivemos um rendimento muito positivo aí...

Então quando chegas ao Moreirense primeiro focas-te na organização defensiva?
Primeiro, antes de chegar ao Moreirense - ou a qualquer outro clube -, temos de identificar o que temos, o contexto onde estamos, o clube, a divisão, as condições de trabalho, os recursos humanos, os jogadores... Primeiro temos de avaliar as coisas e isso dá muito trabalho, são horas e horas a perceber as coisas, a ver jogos, a registar informações, a fazer telefonemas, a tentar conhecer os jogadores através de outros contactos... Isso é um processo que se desenrola antes de se iniciar os projetos. Quando se chega, então temos de ver, por hierarquia de prioridades, o que é fundamental e, no futebol, não sofrer golos é um aspeto muito importante, porque, emocionalmente, não fazemos os jogadores, o staff, a direção e os adeptos passar por um momento negativo como esse. Esse é um momento de deceção, de frustração, de tristeza, até de revolta. É uma lógica que já existe há muito tempo, não sou eu que estou a inventá-la. Os campeonatos começam a ganhar-se na defesa. Claro que temos de encontrar um equilíbrio entre os dois processos, não nos podemos focar só no defensivo, mas também no ofensivo. Naturalmente, uma das prioridades é a equipa estar muito bem estruturada defensivamente. E, para quem entra a meio de um campeonato, numa altura difícil, em que estamos a chegar a uma fase de mau tempo, chuva, campos complicados, condições de trabalho precárias, e com uma equipa totalmente nova, como referiu o professor Manuel Machado [treinador do Moreirense que começou a época 2017/18], com 20 jogadores novos, isso cria dificuldades. Portanto, quando entro, tenho de ir por prioridades. Isso que o Sérgio Conceição disse foi uma expressão que respeito, porque tento entender as outras pessoas e isso foi a resposta dele para a massa adepta naquele momento, mas não encaixa em nada naquilo que era o nosso processo qualitativo de trabalho. Não era só chutão para a frente, havia muita organização ofensiva também na nossa equipa.

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O futebol brasileiro sempre foi mais livre, em termos táticos, do que o europeu, se calhar até mais caótico. Quando estiveste no Brasil mudaste alguma coisa na tua forma de trabalhar?
É assim, cheguei ao Brasil depois do Mundial 2014, quando o futebol brasileiro entrou - e ainda está neste momento - num processo de reflexão profunda e iniciou um tempo de transformação. O futebol brasileiro tem muito mais clubes do que o nosso e muitos deles são maiores e com condições de trabalho muito melhores do que as nossas. Neste momento, em termos táticos, um aspeto em que o futebol brasileiro poderia evoluir, há cada vez mais crescimento. Os treinadores brasileiros viajam, a formação do treinador já está regulamentada - tal como aconteceu em Portugal nos últimos anos, com égide da UEFA, com formações nas universidades - e está a haver um crescimento.

Mas o treinador brasileiro não é muito bem visto na Europa.
Nos últimos anos não é bem visto. Mas, se recuarmos 20 anos, poderíamos fazer a pergunta: quem eram os treinadores portugueses bem vistos na Europa nessa altura? Infelizmente a cultura imediatista do ser humano vê só o momento, esquece-se de olhar para trás, com humildade para refletir sobre as nossas origens. Nós, treinadores atuais, temos de dar muito mérito aos grandes treinadores portugueses, como o professor Carlos Queiroz, o professor Jesualdo Ferreira, entre outros, que contribuíram para o desenvolvimento do estudo do futebol português. Os grandes treinadores portugueses por esse mundo fora beberam muito desse conhecimento, numa altura em que não havia a tecnologia, a internet, YouTube... Temos de lhes dar esse mérito. Se olharmos para o presente, agora os treinadores portugueses são os maiores. Temos de ter humildade para perceber que não é bem assim. Acredito que, no futuro, os treinadores brasileiros vão ter cada vez mais espaço em bons campeonatos no mundo, porque isto não está relacionado com nacionalidades nem com regiões geográficas, isto tem a ver com o ser humano e com o conhecimento que é estimulado na mente. No Brasil, os treinadores estão a ser cada vez mais estimulados e isso aumenta a competência. O futebol brasileiro está em evolução.

Li recentemente uma entrevista do José Boto, scout do Shakhtar Donetsk, sobre o Brasil, e ele dizia que achava que o futebol brasileiro atualmente estava muito mais defensivo e muito mais físico, tirando algumas exceções de alguns treinadores. Partilhas desta opinião?
Senti e vi isso a acontecer, sim. No Paulistão de 2016, quando estava na Ferroviária, nós éramos considerados, naquele que era o maior campeonato do Brasil no primeiro semestre, uma equipa sensação, que jogava bonito. Ganhámos ao Palmeiras, empatámos com o Corinthians do Tite, e eu privilegiava muito o nosso processo ofensivo, a posse de bola, as dinâmicas ofensivas. E senti que, a partir de determinado momento, as equipas fechavam-se muito, recuavam o seu bloco, defendiam numa estrutura muito baixa e tentavam aproveitar pequenos erros nossos. Começámos a ter mais dificuldades. Acho que é um processo natural e acho que não acontece apenas no Brasil, acho que é global. As equipas com menos recursos e com mais instabilidade acabam por apostar muito naquilo que é mais fácil num determinado momento, que é defender. O processo ofensivo é muito mais difícil de estruturar e dinamizar em curto espaço de tempo, porque exige criação de dinâmicas com a bola. Em termos defensivos, criar um rigor coletivo e estimular os jogadores para determinadas ações é algo feito num período de tempo mais reduzido. Acho que é um tendência mundial e tem a ver com o conhecimento do jogo. Nos últimos anos, o conhecimento do jogo no Brasil é cada vez maior e isso também já aconteceu aqui. Podemos pegar em exemplos de clubes que são campeões ou chegam a fases finais a jogar em processos de contra ataque e transições. O Leicester, em Inglaterra, por exemplo.

Tens um modelo de jogo ideal na tua cabeça ou quando entras num clube é que decides o que vais fazer e adaptas-te?
Tenho o meu modelo de jogo estruturado e ele pode, aliás, pode não, deve ser adaptado aos recursos que há. Acho que o modelo tem de ser sempre muito ajustável aos jogadores e às suas características e tem de estar sempre em evolução. Nem sempre temos os jogadores que queremos e há determinadas dinâmicas que estão no meu modelo de jogo que não vão ser... Por exemplo, o meu modelo no Brasil teve de ser reajustado, assim como para entrar a meio da época no Moreirense. E também teve de ser reajustado em função dos jogadores que contratámos para o Famalicão e a exigência da competição, assim como os lugares da tabela classificativa em que tínhamos de andar, que não têm nada a ver com os do Moreirense naquela altura. As expetativas são diferentes, assim como a competição, pelo que o modelo tem de ser ajustado.

Então treinas coisas diferentes.
Exatamente. Mais importante do que o modelo de jogo, porque o modelo abrange tudo - abrange liderança, abrange gestão -, é uma palavra muito poderosa... Para mim, o modelo é muito abrangente, por isso, mais importante ainda do que o modelo de jogo é a capacidade cognitiva para elaborá-lo. Porque temos de ter a capacidade mental de elaborar qualquer tipo de modelo de jogo: para lutar para não descer, para lutar pela subida, para lutar para ser campeão, para lutar para ganhar a Liga dos Campeões, para trabalhar com jogadores jovens, para trabalhar com jogadores que já vêm preparados tecnicamente... Ou seja, o mais importante é o conhecimento do jogo e o conhecimento do meio onde trabalhamos.

Supondo que sou dona de um clube e quero contratar-te, então não sei exatamente o que estou a contratar.
Há sempre uma base.

Qual é essa base?
Hoje em dia, a base... Se formos falar na teoria... Mas o modelo de jogo não é só a parte teórica, é a parte prática. As minhas equipas têm de ser extremamente organizadas. Não concebo uma equipa que marca quatro golos mas sofre três, por exemplo. Quero que a minha equipa esteja organizada em todos os momentos: no processo ofensivo, na transição defensiva, no processo defensivo, na transição ofensiva, na bola parada ofensiva e na bola parada defensiva. O ser extremamente organizado é algo que procuro sempre nas minhas equipas, coletivamente, sabendo que esse extremo é difícil de alcançar, mas pelo menos chegando ao "bom" já dá para ganhar. Do ponto de vista tático e técnico, procuro jogadores que sejam capazes de sustentar essa dinâmica coletiva, sabendo que, por vezes, não conseguimos encontrar esses jogadores preparados, mas temos de ter a capacidade de lhes ensinar, em curto espaço de tempo, ações técnicas, de uma forma muito pedagógica, que eles entendam e assimilem, através da repetição, em termos de posicionamentos e de execuções. No passe, no posicionamento do corpo, sei lá, em vários aspetos. O físico também é algo muito importante, porque o rigor físico é fundamental nos tempos que correm. O jogador tem de ser um atleta. Não concebo um jogador que está acima do seu peso estabelecido.

Já tiveste jogadores assim?
Já tive situações dessas, sim, mas, felizmente, esta época isso não aconteceu, porque o grupo era extremamente disciplinado, porque foi preparado e conduzido para isso, não só por mim mas pelo nosso departamento de performance. Criámos esse departamento no Famalicão e conseguimos isso. Mas é algo que eu, individualmente, como líder máximo, não posso permitir. Tenho de criar estratégias de convencimento, de qualquer atleta, para que ele entenda que a vida de jogador é muito curta e ele não pode desperdiçá-la por uma questão de alimentação, porque isso depois vai ter influência no desempenho. Quando falamos de aspetos físicos, não tem a ver só com o peso, tem a ver com o processo preventivo, com a força, com a velocidade, com a resistência, com a flexibilidade - tem a ver com todas as capacidades físicas. Temos de treinar sempre com muita intensidade e rigor. O aspeto mental é outro aspeto fundamental, porque mentalmente temos de ser muito robustos. Temos de ter uma robustez mental muito grande, porque o meio que nós escolhemos é de muita exigência e muita cobrança social, muita exposição mediática. Temos de ser capazes de apanhar, como dizem os brasileiros, apanhar, cair e levantar. Temos de aguentar essas pancadas do futebol, porque são muitas, a todo o momento estamos a ser avaliados, estamos a ser criticados. Temos de ter a capacidade de criar uma barreira. Só assim conseguimos realmente ser muito fortes. Nesse aspeto, o grupo ali no Famalicão foi fantástico.

E isso consegue-se como, no treino ou fora dele?
São processos de liderança que surgem de forma diária. Logo no pequeno-almoço, por exemplo, no pré-treino, no treino, no pós-treino, no resto do dia até. Muitas vezes as pessoas pensam que o treinador existe só para ir dar treino, mas um treinador competente tem ações que ninguém vê: conversar individualmente com um jogador, almoçar com um jogador, jantar com um jogador, falar com os capitães... O staff não vê, os outros jogadores também não veem. Isso tem a ver com a relação do líder com o jogador, mas é um dos processos que ajuda à criação dessa robustez mental, para criar o grupo de trabalho competitivo e determinado. Essa palavra foi afixada por nós no balneário do Famalicão: "determinação". Temos de ser muito determinados e a determinação é um aspeto mental muito poderoso. Aquele grupo de trabalho e aquela estrutura absorveu muito bem isso. Por isso, quando falamos de modelo de jogo, estamos a falar de várias áreas, é algo muito profundo.

Nuno Botelho

Entre o treinar e todas essas ações de bastidores de que falas, o dia-a-dia de um treinador fica ocupado com quantas horas?
Não é fácil quantificar o número de horas. A minha família infelizmente paga um preço alto devido à paixão que tenho pelo futebol. Eles sabem e brincam com isso, dizendo que a minha profissão é de segunda a domingo, de manhã à noite [risos]. Porque realmente quando nós temos algo de que gostamos, ou melhor, não é gostamos, é amamos, porque é quase como amar a esposa, amar os filhos, amar os pais. Quando nós amamos o que fazemos, temos uma paixão muito grande e a todo o momento queremos estar em contacto com isso, desde o momento em que acordamos, vendo as notícias ao pequeno-almoço, é no pré-treino no ginásio, estando próximo e convivendo, é o dar feedback, é o supervisionar o trabalho feito, é uma palestra sobre o adversário, de análise, é o treino...

Antes do treino, explicas aos jogadores o que vão fazer no treino?
Há vezes que sim, há vezes que não. Depende do objetivo do treino. Por vezes, a descoberta guiada também é importante para pôr a mente do jogador a funcionar, depende do grupo que temos. Até a metodologia de trabalho tem sempre pequenos ajustes. Pode haver semanas em que a palestra é de 10 ou 15 minutos e outras de 30 ou 40 minutos.

E eles aguentam?
Aguentam. Os jogadores dão esse feedback e nós também vamos ajustando. Quando lidamos com jogadores inteligente, eles sabem que aquele momento é importante, para entenderem o que nós queremos e depois executarem na prática e repetirem, para criarem essa adaptação e depois aquilo surgir de forma automática. Agora, o treinador tem de ser capaz de ajustar a sua dinâmica, para ela não ser monótona nem previsível. Há semanas em que não abdicamos das palestras de análise do jogo, sobre o adversário, no pré-treino, por exemplo. Outras vezes utilizamos outras estratégias: afixamos a formação adversária no balneário ou enviamos por email, por exemplo. Depois, no treino, é onde se cria no ponto de vista prático a dinâmica que queremos para o jogo. O pós-treino também é importante, pelas reflexões que tiramos sobre o que aconteceu até àquele momento. As estratégias de condução humana podem ser diárias ou semanais, porque às vezes temos homens maduros, líderes, como tivemos este ano no Famalicão, e outras vezes temos jovens de 19 ou 20 anos que não têm essa maturidade e temos de conversar um pouco mais, dar exemplos, criar uma proximidade maior, para que eles entendam que deste lado não está simplesmente o treinador, está o ser humano que quer o melhor para eles, independentemente de jogarem ou não. O futebol faz parte da minha vida, é a minha paixão, e um treinador está ligado quase de manhã à noite, mas para as pessoas à nossa volta é uma simples profissão, não é?

Não sei se te lembras, mas houve uma altura em que o Jorge Jesus disse que ficava acordado de madrugada a ver o Brasileirão. Também fazes isso?
Há momentos em que isso acontece. Ainda recentemente vi um grande jogo, não nesse horário tão extremo, que foi o Grémio-Fluminense, que ficou 5-4. O Grémio ao intervalo estava a ganhar 3-0 e depois acabou por ficar 5-4 para o Fluminense.

Mas tu não gostas disso, acabaste de dizê-lo. É um jogo descontrolado.
Lá está, quando observo um jogo não sei qual o desfecho, vejo para perceber a qualidade dos jogadores, o processo de jogo... Naturalmente, do ponto de vista do espetáculo, é fantástico. Agora, quando sou eu que estou em causa, a tentar obter conquistas para o clube, então quero um equilíbrio grande em todos os momentos.

Mesmo havendo esse equilíbrio e pegando no exemplo do Manchester City, que é uma equipa que domina praticamente todos os momentos na perfeição, um jogo pode só ser resolvido por um "acaso", como aquele pontapé do Kompany frente ao Leicester.
Nos últimos anos, o futebol foi mudando. A essência está lá, mas o futebol está cada vez mais competitivo, com a parte física a ganhar preponderância, sendo prova disso o controlo do jogo e do treino. No nosso país já praticamente todas as equipas jogam com os coletes GPS, para ver a distância percorrida, número de sprints, saltos, etc. Isso prova que o que éramos há 15 anos, já não somos. Não é só na nossa cultura, é em todos os países. Já se relaciona o aspeto físico de forma muito rigorosa com todos os outros. Isto de se meter o aspeto tático em primeiro lugar, como foi vendido por aí durante algum tempo, não é algo que, na minha forma de ver, seja muito lógico. Temos de dar uma importância muito grande a todos os fatores: táticos, técnicos, físicos e mentais. De igual forma, porque são todos muito importantes - e o físico influencia cada vez mais o futebol. Quando temos uma equipa que, taticamente, adota uma postura muito ofensiva, como é o caso do City, temos do outro lado equipas que se estruturam bem defensivamente e que fisicamente se preparam muito bem. Ou seja, a preparação muita vezes supera aquilo que é a qualidade individual e até coletiva de um processo ofensivo.

Mesmo no Brasil?
Já não é só a técnica, bem pelo contrário. O Brasil, em diversas áreas - talvez até todas as áreas, com exceção para o aspeto tático, que tem vindo a ser desenvolvido nos últimos quatro ou cinco anos -, tem muita qualidade. Vou dar um exemplo: quando cheguei lá, no final de 2014, todas as equipas já tinham GPS para controlar o treino e os jogos. Em Portugal ainda não tínhamos nada disso. Trabalhei no Braga e no Sporting, equipas da 1ª Liga, e isso não estava enraizado nem regulamentado, e no Brasil isso já acontecia. No Atlético Paranaense, onde trabalhei, existiam as melhores práticas. Eles tinham a Exos, uma empresa norte-americana que estava dentro do próprio clube a controlar tudo em termos físicos. A esse nível, os clubes brasileiros estão preparados. Mentalmente, também. Tecnicamente, o futebol de rua e o futsal fazem parte da cultura. Então, o único aspeto que faltava era esse aspeto tático, que tem melhorado muito ultimamente. Prova disso é o desempenho das equipas brasileiras nas provas sul-americanas. Cada vez mais, as equipas brasileiras ganham na Libertadores e podem ganhar o Mundial de clubes a uma equipa da Europa.

Nuno Botelho

Li uma entrevista tua, quando estavas no Brasil, em que te perguntavam por jovens brasileiros que poderiam vingar caso fossem para a Europa, e mencionaste o Richarlison e o Mina, que entretanto estão em Inglaterra. Ficaste com um conhecimento aprofundado do mercado brasileiro?
Sim, muitíssimo. Aliás, a minha ida para o Brasil foi calculada, foi uma mudança projetada. Para quem quer, como já disse, chegar ao máximo da sua profissão, temos de ter a capacidade de perceber o que influencia as conquistas dos treinadores: a competência, o conhecimento do jogo, a dinâmica, a liderança, a comunicação - mas, em primeiro lugar, há uma outra coisa fundamental, que é a qualidade do jogador. Ando no futebol desde os meus 10 anos, portanto há 20 e tal anos, desde que comecei a tentar jogar. Quando tive uma perceção mais madura sobre aquilo que é o processo do futebol, percebi que um dos grandes mercados é o mercado brasileiro. Estamos a falar de 205 milhões de pessoas, é o país do futebol. É uma das experiências que queria ter, para conhecer o mercado, para conhecer a realidade, estabelecer relações pessoais e que mantenho até hoje, com centenas de contactos brasileiros. Isso tudo é muito importante na tomada de decisão quando for necessário contratar jogadores. Um dos grandes ativos do Famalicão, o Walterson, trabalhou comigo no Brasil. Conhecia as suas características e o seu potencial, sabia que ele ia necessitar de um período de adaptação, mas que tinha capacidade. A época que ele fez, desde o início do campeonato, prova isso. E, como o Walterson, existem muitos outros. O Marcão, central que passou despercebido no nosso país, chega à Turquia em janeiro, com 22 anos, e é titular do Galatasary. É um jogador que sempre disse, quando foi para o Rio Ave e para o Chaves, que jogava em qualquer clube grande da Europa. Não é de Portugal, é da Europa. Vamos ver onde vai chegar. Trabalhei com ele no Brasil e tenho a convicção plena de que pode chegar a esse nível, até na seleção brasileira. Tal como o Richarlison, o Mina, o Malcom, o Gabriel Jesus, o Éder Militão... Existem neste momento no Brasil 'n' jogadores que vão chegar a clubes grandes na Europa. Ainda são jovens e estão a aparecer.

Então agora é melhor não dizeres os nomes, para não irem lá buscá-los.
[risos] Posso dizer, sim, até porque a realidade que alguns desses jogadores têm já faz com que seja difícil um clube português ir lá buscá-los. Dou um exemplo: o Atlético Paranaense tem um lateral com quem trabalhei, tinha ele 16 ou 17 anos, e neste momento os melhores clubes portugueses não conseguem comprá-lo, porque os maiores da Europa já estão em cima dele: o Renan Lodi. Agora, existem outros: o Arthur, ponta de lança do Palmeiras, que antes estava no Ceará e já com 19 anos marcou 20 e tal golos lá, e neste momento já só sai por milhões. Há vários exemplos desses no futebol brasileiro, posso dar-te uma lista de talentos brasileiros, se quiseres [risos]. Mesmo de outros mais na sombra.

De segunda linha?
Uma segunda linha que pode chegar a primeira linha. O Éder Militão não era de primeira linha quando estava no São Paulo, por exemplo.

São esses que os clubes portugueses podem ir buscar.
A Ponte Preta tem um lateral esquerdo com 18 anos, a jogar na Série B, o Abner, que vai chegar ao nível de um grande clube, não tenho dúvidas. O Brasil é muito grande. Só quem conhece muito bem a realidade brasileira é que entende bem a lógica deste mercado fantástico.

Os treinadores portugueses são bem vistos no Brasil?
Não considero que sejam os treinadores portugueses; acho que os treinadores competentes são bem vistos lá. E o que é um treinador competente? Não é só um treinador que obtém resultados. É a forma como se adapta à cultura. O Sampaoli, que esteve na Argentina e no Sevilha, foi treinar o Santos e é uma pessoa muito humilde, vai lá para a praia jogar com os adeptos, por exemplo, anda lá de bicicleta... E um treinador competente não só consegue resultados como cativa os jogadores e os adeptos e respeita a cultura local. Foi isso que fiz. Desde o primeiro dia em que cheguei ao futebol brasileiro, até ao dia em que saí, fui crescendo porque respeitei muito aquilo que era o ADN deles.

Por exemplo?
Por exemplo, no Brasil, antes do árbitro apitar para o início do jogo, há um jornalista ali ao lado do banco e os treinadores têm de falar um pouco para a transmissão. Faz sentido eu ir contra isto? É cultural, não vai prejudicar o meu trabalho, portanto faço isso. Negar isso ou cortar hábitos dos jogadores é arranjar dificuldades. Às vezes há treinadores que o fazem, não só no Brasil, mas nos países árabes, por exemplo. Querem mudar tudo quando chegam e acho que não é assim. A palavra "equilíbrio" é fundamental em tudo na vida e no futebol isso é garantido.

Antes de seres treinador principal, foste observador em vários clubes e para vários treinadores. Isso ajudou-te a perceber vários processos de treino e liderança?
Ajudou-me muito. Primeiro, tive a minha curta experiência como praticante. Depois, tive a parte teórica num curso pioneiro na Escola Superior de Desporto de Rio Maior, em treino desportivo de alto rendimento. Depois, ainda na faculdade, aos 20 e poucos anos, tive o primeiro contacto com a 1ª Liga, com a Naval 1º Maio, com o professor Mariano Barreto, e depois com a Académica, com o professor Manuel Machado e com o Domingos Paciência. Depois acompanhei o Domingos Paciência no Braga e no Sporting, e depois no Sporting trabalhei com o mister Ricardo Sá Pinto, com o Franky Vercauteren, com o Oceano e com o professor Jesualdo Ferreira. Todas essas experiências foram fundamentais. Primeiro, pela análise de jogo, o entendimento daquilo que é o jogo, isso é uma área fundamental, até porque foi necessário analisar jogos de diferentes competições, diferentes países, com experiências europeias. No Sporting fomos às meias-finais da Liga Europa com o Atlético de Bilbao do Bielsa, nós analisámos 'n' jogos do Altético de Bilbao. Ficamos com um conhecimento tático, técnico e comportamental do jogo que é muito grande. É uma área fantástica. Depois, as vivências que tive com todas essas pessoas foram fantásticas e sou grato a todos eles, porque, sem eles, partes daquilo que sou não existiam. Obviamente o todo pertence-me e é desenhado pela minha personalidade, mas tem vivências com os outros que foram determinantes. Assim como outros conhecimentos que vamos absorvendo.

Por exemplo?
Em Portugal e na Europa temos uma facilidade de acesso enorme, que não existe no Brasil. Quem trabalha no Brasil são os treinadores brasileiros, estruturas brasileiras, tirando o Atlético Paranaense, que contratou o Lothar Matthäus, contratou um treinador espanhol da formação do Real Madrid, contratou o português Sérgio Vieira, tem uma empresa americana... O Atlético Paranaense sempre trouxe conhecimento para o futebol brasileiro. Por isso é uma ilha no futebol brasileiro, proque tem processos e estruturas completamente diferentes. Mas, no Brasil, a troca de informações e o crescimento cultural dentro do meio do futebol é mais lento. Em Portugal, nós demoramos uma hora para ir para Madrid, duas horas para ir para Paris ou para Londres, temos vários estrangeiros que vêm a Portugal, ou seja, as trocas de conhecimento e informação são muito mais rápidas na Europa e isso facilita a evolução. No Brasil, esse processo é mais lento, embora, pelo desenvolvimente tecnológico, as coisas estejam a crescer. Portanto, eu estar num país de José Mourinho, Jesualdo Ferreira, Leonardo Jardim, Domingos Paciência, Paulo Sousa, Nuno Espírito Santo, Paulo Fonseca... Embora nós não trabalhemos diretamente com eles, eles influenciam o nosso futebol. Também temos grandes gestores do futebol, por exemplo. Acabamos por absorver muito conhecimento de forma indireta com estas pessoas.