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Benfica campeão

Os homens do título: Seferovic, o avançado que só Mbappé e Messi superam

E se lhe dissermos que, olhando para os grandes campeonatos da Europa, apenas Mbappé e Messi precisam de menos minutos para marcar um golo para o campeonato do que o avançado suíço do Benfica? A Tribuna começa hoje a publicar uma série de artigos sobre os futebolistas do Benfica que chegaram ao #37. Um por um, com estatística da Goal Point

Tribuna Expresso e Tiago Pereira Santos (ilustração)

Tiago Pereira Santos

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A Fiorentina contratou-o com apenas 17 anos depois de ter brilhado no Campeonato do Mundo sub-17 de 2009, que a Suíça conquistou (marcou na final, 1-0 vs. Nigéria). Nunca se impôs na terra da pasta, mas a canhota de Haris Seferovic deu sempre algumas esperanças aos olheiros. Saído da formação do Grasshoppers, passou ainda pelo Neuchâtel Xamax, Lecce, Novara, Real Sociedad e Eintracht Frankfurt, onde esteve três anos e deu pouco com a tecla do golo.

Chegou a Lisboa no pós-tetra, para esborratar da lembrança um grego que até tinha sido o melhor marcador da equipa: Konstantinos Mitroglou seguira para Marselha. No segundo ano de Benfica, depois de ver o lugar tremido, afinou o pé esquerdo e tem sido um caso sério. Quem o diz é a Goal Point, que disponibilizou números e mais números para a Tribuna Expresso escrever uma revista sobre o 37.º campeonato do Benfica. Foram 23 golos (em 80 remates), 17 deles com a canhota, lá está, outros três com o pé mais fraco e mais três de cabeça. Transformou-se, na verdade, num killer, já que 22 dos 23 golos foram marcados dentro da área. E, contas feitas, foi o pichichi da liga portuguesa, como dizem no país aqui ao lado.

Mas esta história fica muito melhor quando fazemos o contrário de zoom e alargamos horizontes, pegando nos grandes campeonatos europeus. Apenas Kylian Mbappé e Lionel Messi precisam de menos tempo para marcar um golo para o campeonato do que o avançado suíço do Benfica. O miúdo-maravilha do PSG meteu uma bola na baliza a cada 70 minutos; o argentino do Barça demorou 77 a fazer o mesmo; já Seferovic, um muçulmano com raízes bósnias, fez um golo para o campeonato cada vez que o cronómetro saltava de 86 em 86 minutos. O homem que estica os braços para tentar alcançar o pódio está muito longe: Iago Aspas (Celta), que não é um avançado tradicional, conseguiu ainda assim festejar un gol a cada 111 minutos.

Carlos Rodrigues

Se é preciso uma equipa jeitosa, no pensamento e no pé, para oferecer oportunidades flagrantes aos “9”, também estes rapazes que vivem do golo e fazem cara feia quando não metem uma batata têm de ter a astúcia para aparecer no momento certo, para executar o movimento correto. E Seferovic, aparentemente, é um fenómeno na Europa, com 1,55 oportunidades flagrantes por 90 minutos, apenas atrás de Mbappé (1,96). Robert Lewandowski, com 1,43 oportunidades flagrantes/90', completa o top-3.

Seferovic levantou voo na segunda metade da época, mais exatamente numa noite de janeiro, coincidindo com a entrada de Bruno Lage. Se com Rui Vitória o suíço contava apenas com quatro golos na liga, com Lage chegou aos 23. Ou seja, desde aquele 4-2 ao Rio Ave (6 de janeiro), que marcou a estreia do treinador setubalense, Seferovic assinou 19 golos no campeonato.