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Benfica campeão

Os homens do título: João Félix, um killer com 19 anos

Ele tem a magia, mas também a objetividade perante o golo e a frieza do último passe. Rui Vitória usou-o de forma intermitente (e fora de sítio), com Bruno Lage explodiu. João Félix é uma das figuras maiores do título A Tribuna publica uma série de artigos sobre os futebolistas do Benfica que chegaram ao #37. Um por um, com estatística da Goal Point

Tribuna Expresso e Tiago Pereira Santos (ilustração)

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Não se deixem enganar pelo aparelho nos dentes, as marcas das borbulhas na cara. Olhem antes para o sorriso dele, malandro, matreiro, pela forma como frente aos grandes marcou sempre que jogou. João Félix é um killer. Aos 19 anos, o miúdo do Seixal viu a sua afirmação atrasada pela utilização intermitente e em habitats que não os seus por parte de Rui Vitória, mas Bruno Lage olhou para ele e nunca mais o largou. Seria segundo avançado, jogaria sempre. E seria decisivo, como foi tantas vezes ao longo da época.

E João explodiu.

No pré-Bruno Lage, Félix já tinha marcado dois golos, um deles frente ao Sporting. Com Bruno Lage marcaria mais 13, e estamos só a falar do campeonato. Essencial na recuperação daqueles sete pontos que às tantas o Benfica teve de atraso para o FC Porto, o avançado de Viseu salpicou o relvado de magia, mas não só. Talvez a grande diferença para os outros é que João Félix tem faro, não se atemoriza em frente à baliza (o golo que marca frente ao Santa Clara, no jogo do título, é apenas o exemplo mais fresco disso mesmo), nem na hora de tomar boas decisões. Tudo isto com 19 aninhos. Além dos 15 golos, todos eles de bola corrida, nove de pé direito, três de pé esquerdo e três de cabeça, 14 deles dentro da área, Félix também ofereceu sete assistências a colegas.

PATRICIA DE MELO MOREIRA/Getty

Esteve, portanto, em 22 ações diretas para golo, ou seja, João Félix fez parte ativa de 21,4% dos 103 golos do Benfica, o que é obra, na medida em que o miúdo fez apenas 1712 minutos na liga, distribuídos por 26 jogos no campeonato.

Há ainda que contar com mais 12 ocasiões flagrantes criadas, 29 passes para finalização, 27 delas em lances de bola corrida e 67 remates - João Félix concretizou, portanto, 22,4% dos remates que fez.

E se João Félix terá sempre e para sempre os olhos voltados para a baliza, não é de desdenhar aquilo que também consegue fazer defensivamente. Recuperou 61 bolas, por exemplo. E apesar de parecer franzino, ganhou 50% dos duelos aéreos defensivos.

Segurá-lo será um milagre, mas a sair, João Félix deixa a sua marca indelével em mais um título nacional do Benfica.