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Benfica campeão

Os homens do título: Pizzi, o carteiro da liberdade

É o homem que precisa de menos tempo para fazer uma assistência quando comparamos a liga portuguesa com os grandes campeonatos europeus, à frente de bons rapazes como Sancho, Sané, Hazard e Di Maria. A Tribuna publica uma série de artigos sobre os futebolistas do Benfica que chegaram ao #37. Um por um, com estatística da Goal Point

Tribuna Expresso com Tiago Pereira Santos (ilustração)

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É um daqueles futebolistas de quem se diz normalmente “a bola sai mais redondinha do seu pé do que quando chegou”. Pizzi, que é Pizzi graças a Juan Antonio Pizzi (ex-Barcelona, clube que adorava em miúdo), aprendeu os básicos deste jogo no Grupo Desportivo Bragança. Até à primeira divisão foi um tirinho, depois de passagens no Ribeirão e Sporting da Covilhã. Ainda tem 29 anos, vai para o sexto no Benfica, mas já parece daqueles jogadores batidos.

Quando chegou ao Estádio da Luz piscava o olho à linha lateral. Com Rui Vitória, que já o tinha treinado no Paços de Ferreira, passou para 8. E ele há poucos dias, na SportTV, admitiu que não tinha pedal: “Defensivamente não sou, nem de longe nem de perto, o melhor jogador do mundo. Jogando com dois [no meio-campo], pode notar-se mais essa debilidade defensiva da minha parte. Jogando com três no meio era diferente, beneficiava-me.” Até que chegou Bruno Lage e mudou o desenho para caber o miúdo João Félix: “Agora, em 4-4-2, jogando pela direita, é onde me sinto mais confortável. Para além de ter muito mais liberdade, estou muito perto da baliza adversária, estou mais perto de assistir os meus companheiros, que é das coisas que mais gosto. E posso ser decisivo.”

Gualter Fatia/Getty Images

Pois é, Pizzi agora navega pela direita e tem autorização para visitar terras do interior, convidando à subida do amigo André Almeida, para depois pisar mais vezes a grande área rival. Os números da Goal Point comprovam-no: o médio marcou 8 golos de bola corrida (+5 de penálti), 7 deles dentro da área, corroborando a teoria de Pizzi (“estou muito mais perto da baliza adversária”). Nas assistências também é verdade: 18 passes para golo (bola corrida), contabilizando ainda 55 key passes.

O número que mais impressiona, ainda assim, é o tempo que demora a oferecer um golo (já sabemos que isto depende sempre do pé afinado do colega). Comparando com os grandes campeonatos europeus, Pizzi é o carteiro mais eficaz: uma assistência a cada 152 minutos. Jadson Sancho (Dortmund) chega depois (175’/assistência), seguido por cityzen Leroy Sané (187’/assistência), Eden Hazard do Chelsea (194’/assistência) e Ángel Di María (201’/assistência) do PSG.