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Os homens do título: André Almeida, o lateral com a mira afinada

Apenas três homens fizeram mais assistências do que o lateral direito do Benfica no campeonato. Aos 28 anos, o homem que celebrou os dois golos na liga inspirado no Pai Natal e Rocky Balboa é uma das referências na Luz. A Tribuna publica uma série de artigos sobre os futebolistas do Benfica que chegaram ao #37. Um por um, com estatística da Goal Point

Tribuna Expresso e Tiago Pereira Santos

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Poucos sabiam quem era quando chegou à Luz, em abril de 2011, com cara de menino. André Almeida, para muitos o “almeidinhos”, era internacional sub-21, jogava no Belenenses e até era comparado com outro homem do Restelo (Rúben Amorim), por ser médio de origem e dar um cheirinho a lateral direito. Estes anos todos depois, é um dos futebolistas mais utilizados e um dos que leva a pesada braçadeira do Benfica no braço. Do lado dos encarnados, apenas Vlachodimos e Grimaldo tiveram mais minutos do que o defesa na liga.

Gualter Fatia

Aprendeu as coisas básicas do jogo pelos campos do Loures, Alverca e Belenenses (pelo meio passou um ano nos infantis do Sporting). Aos 28 anos, é uma das referências do Benfica, com cinco campeonatos, quatro Taças da Liga, duas Taças de Portugal e uma Supertaça no bolso. Diz-se que a Premier League quer um pedaço desta forma de viver o futebol. Quem sabe aquele dito popular “alma até Almeida” seja mais feliz e menos acaso do que pensávamos...

Mas, formalidades pelo retrovisor, estamos aqui para despir o que dizem os números da Goal Point sobre o lateral direito do Benfica que, nos últimos tempos, só teve mais problemas quando concorreu com Nélson Semedo, atualmente no Barcelona. No total, foram 2911 minutos em campo (33 jogos). Marcou dois golos (em 22 remates), com direito a celebração com nota artística: se no primeiro, com o Sp. Braga, fez de Pai Natal e enterrou o saco das prendas aos pés do menino feliz Jonas, no segundo, em Santa Maria da Feira, armou-se em Rocky Balboa na bandeirola de canto.

Quanto a assistências, o '34', que também passou pelo União de Leiria, assinou 11, sendo que 10 delas foram em bola corrida (apenas Pizzi [18], Bruno Fernandes [13] e Grimaldo [12] fizeram mais no campeonato). Quanto aos famosos key passes, os passes para finalização, foram 38. É um lateral amigo dos avançados, digamos assim.

Bom, mas André Almeida ainda é defesa, por isso olhemos para os dados relativos ao desempenho defensivo. O internacional português, que jogou o Campeonato do Mundo no Brasil (2014), executou 167, 55 e 16 ações defensivas no primeiro terço, no terço intermédio e no último terço, ou seja lá mais à frente, perto da baliza adversária.

Almeida assinou ainda 61 desarmes (42 completos), interceptou 41 bolas e bloqueou cinco remates, 20 cruzamentos e 30 passes e ainda recuperou a posse de bola em 138 ocasiões. Para os menos românticos, aqui está um dado que mostra que o futebol nem sempre está para frescuras: 81 alívios. Para compensar, um dado que revela que a cabeça está sempre a funcionar neste jogo: André Almeida provocou seis foras-de-jogo ao adversário. Para finalizar, o lateral ganhou 68% dos 103 duelos aéreos defensivos. Todas estas pequenas batalhas traduziram-se em seis cartões amarelos e zero vermelhos.

Almeida, que em boa hora deixou o atletismo para apostar no futebol quando era miúdo, é um daqueles futebolistas que celebram um corte, que vociferam por outras coisas para além de golos. É dos que os adeptos gostam. E ele, um rapaz de fé que nunca deixa de mencionar a família, soube calçar as botas para essa caminhada.

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