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Os homens do título: Florentino Luís, o polvo simplificador

Tem quase dez anos de casa e revela serenidade no jogo. Quando apareceu pela primeira vez, naquele Benfica-Nacional, surpreendeu pela capacidade para recuperar bolas. A Tribuna publica uma série de artigos sobre os futebolistas do Benfica que chegaram ao #37. Um por um, com estatística da Goal Point

TRIBUNA EXPRESSO E TIAGO PEREIRA SANTOS

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A história da emancipação de Florentino Luís misturou-se com uma história que cheirou a antigamente. A primeira vez com a camisola mais pesada dos escalões do Benfica aconteceu naquele jogo, na Luz, contra o Nacional, que ficou marcado por uma goleada desconfortável para o desporto contemporâneo. E ele, com aquele ar muito cool, deixou logo algumas indicações: à vontade com a bola, sim senhor, mas o que saltou à vista foi aquela queda para as recuperações de bola. Parecia um polvo a esticar os tentáculos.

Começou no futsal e também daí traz o bom toque de bola. Leva quase dez anos de Benfica. Antes do tal debute, substituindo Samaris, o médio já ganhara dois Campeonatos da Europa, em sub-17 e sub-19, prometendo carapaça para grandes torneios. Florentino está atualmente, aliás, no Campeonato do Mundo de sub-20, na Polónia, onde tem um sido dos melhores. É o mais esclarecido do miolo, dá sempre opção, simplifica o jogo e aposta nos passes verticais para abanar o esqueleto defensivo do outro lado. E até mexeu com o jogo quando subiu uns metros no terreno.

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“Nunca foi um jogador vistoso do ponto de vista técnico, não era isso que o diferenciava dos outros”, disse ao DN João Tralhão, um ex-treinador do rapaz de 19 anos na formação dos encarnados. “O que o diferenciava era a sua capacidade de leitura de jogo, a tomada de decisão, o nível posicional, a capacidade de desarme, a utilização racional do espaço que ele tinha era incrível para um menino tão novo.”

Polvo simplificador.

Tracemos uma imagem meramente estatística, recorrendo aos números da Goal Point. Florentino executou 44 ações defensivas no primeiro terço defensivo do Benfica, 46 no terço intermédio e nove no último terço, uma zona já muito distante do seu raio de ação. Foram 42 desarmes, 26 deles completos, 32 interceções, 64 recuperações da posse de bola e 12 alívios. A lacuna, para já, parece estar nos duelos aéreos defensivos: ganhou apenas 37,5% dos 16 que disputou.

Quanto ao que fez com bola, a sua posição não promete desde logo grandes aventuras para registos estatísticos (e não deixaram de ser apenas 839 minutos na liga...). O jovem médio marcou um golo, no 4-0 em Moreira de Cónegos. Lá está, não teve grande gesto técnico, nem uma jogada para satisfazer deuses, foi o tal tentáculo a surpreender Ibrahima. Florentino ofereceu somente um passe para finalização e rematou apenas duas vezes. Se pegarmos nos dados do whoscored.com, o futebolista registou 90,2% de acerto no passe, e é para isto que veste a farda encarnada. É um “seis” mais tradicional, sem grandes pretensões de vestir a capa de super-herói. Gosta, sim, de arrumar a casa.

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