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Benfica campeão

Os homens do título: Ferro, o central da imperturbável calma

O central passou a primeira parte da temporada na equipa B, mas mal teve a oportunidade de se mostrar entre os grandes, e logo num Benfica-Sporting, fez o suficiente para Bruno Lage não mais deixar de confiar nele. Aos 22 anos, Ferro é um central maduro, dono de uma tranquilidade de quem já anda aqui há anos e anos. A Tribuna publica uma série de artigos sobre os futebolistas do Benfica que chegaram ao #37. Um por um, com estatística da Goal Point

Tribuna Expresso e Tiago Pereira Santos (Ilustração)

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O infortúnio de uns pode muitas vezes mudar a vida de outros e Francisco Reis Ferreira, mais conhecido no mundo do futebol como Ferro, pode dizer uma ou duas coisas sobre o assunto. Porque muita coisa teve de acontecer para que naquele 6 de fevereiro de 2019, em pleno Benfica-Sporting, o central natural de Oliveira de Azeméis vestisse pela primeira vez a camisola da equipa principal do Benfica.

Porque Jardel se lesionou à passagem da meia-hora de jogo. Porque Conti já há muito estava no estaleiro. Porque Lema havia sido rapidamente descartado. Mas, para sermos justos, também aconteceu porque Ferro era titular e capitão da equipa B dos encarnados. E porque tem muita qualidade.

Depois daqueles 53 minutos frente ao Sporting, Ferro não mais deixou de ser titular para Bruno Lage, que só não o utilizou frente ao Eintracht Frankfurt na Liga Europa. De resto, fora o encontro em que esteve suspenso, o defesa de 22 anos foi sempre titular e sempre importante na manobra defensiva da equipa, graças à sua técnica bem acima da média, à maturidade e à sua calma que parece imperturbável até nos grandes jogos, sem descurar a sua capacidade de passe e de subir lá ao alto, aproveitando da melhor forma o seu 1,91m (marcou três golos na temporada).

É, em linguagem destes tempos, um central moderno.

Anadolu Agency/Getty

E os números estão cá para ajudar. Em apenas 13 jogos e 1142 minutos no campeonato, Ferro realizou 129 ações defensivas, 107 delas no primeiro terço do terreno. Fez ainda 32 desarmes, 24 deles completos, e 21 interceções. Bloqueou três remates, três cruzamentos e cinco passes.

Alívios foram 65, 45 deles dentro da área e 34 de cabeça, provocando ainda nove foras de jogo a adversários. Ganhou 46 duelos aéreos defensivos e recuperou 64 posses de bola.

Em 13 jogos viu apenas um cartão amarelo, mas acabou expulso no encontro com o Desp. Aves, em que curiosamente também marcou - recebeu vermelho direto depois de travar em falta Derley, quando o brasileiro seguia isolado para a baliza.