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Os homens do título: Gabriel, o falso flop

Tal como para tantos outros jogadores que acabaram a época a festejar no Marquês, também há um pré e um pós-Bruno Lage para Gabriel, contratação sonante que nos primeiros meses no Benfica dava ares de flop. Mas quando o meio-campo se encheu do seu bom senso, logo se percebeu que apenas talvez estivesse mal aproveitado. A Tribuna publica uma série de artigos sobre os futebolistas do Benfica que chegaram ao #37. Um por um, com estatística da Goal Point

Tribuna Expresso e Tiago Pereira Santos (Ilustração)

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Nos primeiros meses da nova época, as hostes benfiquistas chegaram a temer que Gabriel, por quem o clube tanto havia lutado para contratar ao Leganés, poderia ser, na verdade, um flop.

Mas tal como para tantos outros jogadores que acabaram a época a festejar no Marquês, também há um pré e um pós-Bruno Lage para o brasileiro, que depois de alguns meses em que se dividiu entre o banco e o onze, mas sem nunca impressionar, tornou-se essencial para Lage, enchendo o meio-campo de decisões acertadas, colocando a bola onde bem queria com aquela precisão de passe, raramente apanhado fora do lugar, até uma lesão grave o deixar fora de jogo até ao final do ano.

Afinal, Gabriel não era flop. Só estaria a ser desperdiçado.

Em 17 jogos e 1253 minutos, Gabriel não marcou nos 17 remates que fez, mas deu uma assistência para golo e criou ainda mais três ocasiões flagrantes. Mas no meio-campo foi um monstro: contou 74 ações defensivas no primeiro terço, mais 56 no terço intermédio, conseguindo um total de 52 desarmes, 37 deles completos. Só inteceções foram 32 e bloqueios de passe 32.

Gualter Fatia/Getty

A Goal Point contou ainda 29 alívios, quase todos dentro da área (24) e 16 dos quais de cabeça. Mais impressionante ainda é o número de recuperações de posses de bola: foram 106. Gabriel fez-se ainda valer do seu poder físico (tem 1,87m e 83kg) para ganhar 60 duelos aéreos defensivos.

Ao longo da temporada, em jogos para o campeonato, Gabriel foi ainda admoestado quatro vezes com cartão amarelo, aos quais se junta o duplo amarelo que recebeu no clássico frente ao FC Porto.

Até sofrer uma lesão no ligamento lateral interno do joelho esquerdo no dérbi com o Sporting, Gabriel estava a ser um dos jogadores mais influentes e decisivos do Benfica de Bruno Lage. Na próxima temporada, e apesar do crescimento de Florentino, que o substituiu no onze, deverá voltar a ser um dos patrões do meio-campo encarnado.