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30 de março de 2001: O dia do primeiro recorde do Mundo de um garoto de 15 anos chamado Michael Phelps

Há precisamente 19 anos, Michael Phelps, então um jovem adolescente de 15 anos e 9 meses, batia o recorde do Mundo dos 200m mariposa, tornando-se no mais jovem recordista mundial da história da natação. Foi o primeiro dos 39 recordes mundiais que bateu

Lídia Paralta Gomes

Ross Kinnaird/Getty

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Em novembro de 2001, o "The New York Times" chamava a Michael Phelps, então um miúdo de 16 anos, "talvez o mais entusiasmante novo nadador da atualidade". No artigo, escrito por ocasião dos campeonatos norte-americanos de piscina curta, falava-se dos recordes do estado do Maryland que Phelps já batia dois meses depois de entrar pela primeira vez numa piscina de competição, aos 8 anos. Falava-se de como aos 12 anos, Phelps decidiu deixar para trás o lacrosse, o baseball e o futebol para se dedicar à natação, de como já era absolutamente sério em relação à preparação física, de como o seu treinador, Bob Bowman, que o foi do primeiro ao último dia, deixava no ar que o queria a fazer mais eventos que não apenas os 200m mariposa ou estilos. E de como, aos 16 anos, Michael Phelps já tinha tudo, "altura, corpo, força, noção de movimento e a intuição".

Aos 16 anos, Michael Phelps já estava longe de ser um potencial qualquer coisa. Em novembro de 2001, já Michael Phelps era recordista do Mundo dos 200m mariposa. Tinha acontecido há apenas uns meses, mas naquele 2001 em que o Mundo ficou de pernas para o ar em setembro, parecia já há uma vida inteira.

Foi a.9/11, antes de 11 de setembro, que Michael Phelps se tornou no nadador masculino mais jovem de sempre a bater um recorde mundial, com apenas 15 anos e 9 meses. A 30 de março de 2001, há 19 anos portanto, tocou na parede quando cronometro marcava 1:54.92 minutos, nuns campeonatos de seleção da equipa norte-americana para os Mundiais de Fukuoka, em julho, onde voltaria a bater o seu próprio recorde - e depois mais seis vezes até 2009. Um ano antes, ainda de cara intocada de barba, tinha ficado em 5.º na final dos 200m mariposa dos Jogos Olímpicos de Sydney.

Phelps em 2003 com Bob Bowman, seu treinador de sempre

Phelps em 2003 com Bob Bowman, seu treinador de sempre

Getty

Conta a NBC que nessa final olímpica, há 20 anos, o vencedor, o norte-americano Tom Malchow, deu uma pancadinha no ombro de Phelps no final da prova e disse-lhe: "O melhor para ti ainda está para vir". Talvez Malchow já soubesse que Phelps ia ser grande, mas seguramente não o maior, como dizem as 28 medalhas olímpicas, as 33 medalhas em Campeonatos do Mundo e os 39 recordes mundiais que bateu ao longo da carreira.

E mesmo que tivesse seguido o conselho do treinador, dedicando-se também a outras distâncias e técnicas, a verdade é que os 200m mariposa sempre foram a sua prova. Os festejos efusivos após recuperar o título olímpico no Rio de Janeiro em 2016, os seus últimos Jogos, quatro anos após perder de forma surpreendente o ouro nos Jogos de Londres, provaram isso mesmo.

O recorde que o miúdo de 15 anos e 9 meses bateu pela primeira vez a 30 de março de 2001, o dia em que começou a lenda, foi seu até há bem pouco tempo. Foram precisos 18 anos para que outro nome surgisse na lista dos mais rápidos nos 200m mariposa: a obra foi do húngaro Kristof Milak, húngaro de 19 anos, nos últimos Mundiais de natação, o ano passado, em Gwangju, na Coreia do Sul.