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José Manuel Araújo

José Manuel Araújo

Secretário-geral COP

Diplomacia desportiva: como o desporto tem o poder de mudar o mundo

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve José Manuel Araújo, secretário-geral do COP

José Manuel Araújo

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“O desporto tem o poder de mudar o Mundo” - Nelson Mandela, um dos maiores líderes políticos do final do séc. XX, assumiu desta forma clara a relevância do desporto na cena política internacional.

Os exemplos das manifestações de atletas contra o racismo nos Jogos Olímpicos do México em 1968 ou, muito recentemente, da aproximação das Coreias nos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, comprovam esta capacidade de, através da diplomacia desportiva, se alcançarem resultados impensáveis noutros domínios.

A sã convivência, no plano desportivo, de atletas de nações em conflito, são exemplos para o Mundo, felizmente exponenciados pelo impacto mediático do desporto.

O desporto, como atividade social, não difere das restantes no que diz respeito à necessária compatibilização de regras nacionais e internacionais, tendo de estar pronto para a globalização e a competitividade, designadamente entre diferentes modalidades desportivas. Disso mesmo é exemplo a disputa por um lugar entre as modalidades olímpicas, que ciclicamente vemos acontecer.

Esta questão assume vertentes distintas, sendo naturalmente uma delas a competição em termos internacionais e, em função da mesma, a sua organização internacional, resultante da associação das federações nacionais em federações internacionais ou europeias, no caso português.

A presença de um país na cena internacional faz-se com a presença nas grandes organizações internacionais, comprovando uma vontade expressa de compromisso do país perante a mesma. Por maioria de razão, também a presença ativa em federações continentais ou mundiais comprova a forma como cada país está comprometido com a evolução das modalidades desportivas.

Assim, não surpreende que as grandes organizações internacionais desportivas tenham dirigentes com longa tradição nas modalidades e uma presença assídua nas reuniões internacionais, permitindo um conjunto de relações que os levam a ser eleitos para os cargos mais relevantes das mesmas.

É também este o objetivo de qualquer federação portuguesa ou do Comité Olímpico de Portugal em termos europeus ou internacionais. Assim, recentemente conseguimos eleger três membros para órgãos do Comité Olímpico Internacional ou dos Comités Olímpicos Europeus – e só agora temos, pela primeira vez em décadas, a Presidência de uma Comissão dos Comités Europeus, ao fim de cinco anos de mandato nacional. Mas é um facto que, ainda assim, existe um bom número de dirigentes desportivos nacionais em federações internacionais.

Este dado, que é determinante e reconhecido por todos os que participam no movimento desportivo e olímpico internacional, deve ser tomado em linha de conta numa reflexão sobre a limitação de mandatos nas federações desportivas nacionais, que naturalmente limita também a capacidade de influenciar, de poder estar nos centros de decisão internacionais das modalidades, colocando-nos numa posição de inferioridade em relação às federações desportivas de outros países.

Assim, não se mudando o Mundo, podemos fazer com que os objetivos estratégicos das organizações desportivas nacionais possam mais facilmente estar em consonância com os internacionais.