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Blessing Lumueno

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Treinador de futebol

Shoya Nakajima, qualidade ao centímetro

O internacional japonês Shoya Nakajima tem apenas 1,64m e Blessing Lumueno crê que é por isso que, infelizmente, ainda não lhe reconhecem o devido valor: "O que interessa é a forma como a cabeça faz funcionar o corpo para resolver os problemas do jogo"

Blessing Lumueno

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Um dos jogadores mais talentosos da Liga portuguesa protagoniza o caso mais estranho do futebol português no último ano. Os números que conseguiu na época passada, numa equipa modesta em termos de aspirações, garantiriam para a maior parte dos jogadores um salto para um clube com outras ambições.

Infelizmente, o seu metro e sessenta e quatro parece ser um entrave grande para a sua contratação.

Aos 24 anos, Shoya Nakajima mostra-se com a qualidade que distingue os melhores. Executa os gestos técnicos com uma leveza que faz parecer fácil a quem vê de fora. É capaz em todo o lado: tanto nos espaços curtos como com espaço nas costas. É um jogador abnegado, que trabalha defensivamente, e que tanto solicita a bola no pé como no espaço. Já deu a entender, também, que não qualquer problema com a baliza, tendo utilizado o momento de maior pressão do jogo para mostrar criatividade na finalização.

Fez golos maravilhosos em momentos e em jogos de pressão máxima, e aquilo que mostrou no final do jogo com o Guimarães, desde o momento em que decide não disputar a bola com o central até a forma que escolhe para finalizar (um chapéu com o pé não dominante) é o que verdadeiramente o define: inteligência e classe. Muita classe.

Tendo em conta o cada vez menor tempo e espaço para executar que as equipas grandes enfrentam, fruto da abordagem defensiva das equipas com objectivos mais modestos, Nakajima é o jogador perfeito para sair com a bola controlada em combinações ou em ações individuais do meio das cabines telefónicas a que os jogadores dos grandes estão sujeitos.

Ele desembrulha e cria a imprevisibilidade necessária para abrir espaços nas defesas cerradas e ainda finaliza com classe. Se tivesse mais dez centímetros, os dez golos, as onze assistências e um sem número de lances que criou e morreram sem finalização seriam mais que suficientes para protagonizar uma transferência de valor assinalável.

E é uma pena que assim seja, porque o futebol está farto de nos mostrar que, mais centímetro menos centímetro, o que interessa é a forma como a cabeça faz funcionar o corpo para resolver os problemas do jogo.