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António Vasconcelos Raposo

António Vasconcelos Raposo

Comissão Treinadores COP

Profissão: treinador

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve António Vasconcelos Raposo, da Comissão de Treinadores do COP

António Vasconcelos Raposo

Adam Pretty

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O desporto é uma das atividades que reúne a capacidade de despertar grandes emoções nas sociedades modernas. Mesmo aqueles que se dizem indiferentes não deixam de manifestar uma opinião sobre um ou outro acontecimento desportivo.

Os Jogos Olímpicos são a expressão máxima da grande evolução do Homem e local privilegiado para avaliação das políticas desportivas de uma Nação. Neles sucedem-se os recordes Olímpicos, mundiais e europeus. Aprecia-se a evolução das capacidades físicas, técnicas, táticas e psicológicas dos atletas.

Estranha-se que, sendo os resultados obtidos pelos atletas uma consequência do trabalho desenvolvido pelos treinadores, de forma muito frequente não seja feita qualquer referência ao importante papel do treinador. A realidade é que sendo o treinador a figura central do processo da preparação desportiva dos atletas é urgente que se reconheça, em Portugal, a importância social e desportiva desta profissão.

As funções desempenhadas pelos treinadores têm um inequívoco impacte nas pessoas que treinam, na sociedade, nas actividades económicas e do mundo do desporto em geral.

Os treinadores só conseguirão um reconhecimento social pela competência e princípios éticos que demonstrarem possuir.

Esta competência resulta do seu Saber. Este Saber consegue-se através do estudo contínuo e pela participação em cursos e ações de especialização.

Ser treinador de Alto Rendimento e preparar candidatos e candidatas a participarem em Jogos Olímpicos, e aí classificarem-se para as meias-finais e finais, exige que possua sólidos conhecimentos científicos e profissionais. Devem possuir competências para gerir e liderar as equipas multidisciplinares com o objetivo de manterem um controlo na evolução positiva do rendimento desportivo dos atletas e das atletas. O Saber deve ser partilhado por treinadores de grande sucesso olímpico, em iniciativas específicas.

De forma sistemática, a formação dos treinadores que preparam atletas de Alto Rendimento e aqueles integrados nos Projetos da Preparação Olímpica, não são considerados no quadro nacional da formação de treinadores. Iremos continuar a assistir às exigências de resultados de topo, esquecendo que um dos pilares fundamentais para que os mesmos possam surgir, de forma regular e consistente, é a boa formação dos treinadores para as diferentes funções que desempenharão no sistema desportivo português.

Até agora e apenas nos últimos anos têm valido as formações dinamizadas pelo COP no sentido de capacitarem os treinadores com conhecimentos de dimensão olímpica.

Mesmo com esta ausência do reconhecimento, mesmo perante o facto de não serem referidos nos discursos oficiais, os treinadores portugueses continuarão a desempenhar as suas funções levando a que as equipas e os atletas individualmente dêem alegrias aos portugueses com as suas vitórias, coisa que, até agora, só esses o têm conseguido nas várias frentes nacionais e internacionais.