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Pedro Roque

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Diretor desportivo COP

Esperanças Olímpicas: o tempo urge. Paris 2024 é já ali

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Pedro Roque, diretor desportivo do COP

Pedro Roque

Nick Laham

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A menos de dois anos de Tóquio 2020, começa a ficar cada vez mais definido o grupo de atletas e equipas que poderão garantir a sua qualificação para os Jogos Olímpicos. Alguns deles terão também expetativas de participação em 2024 e 2028. Mas não são os únicos.

Milhares de outros jovens têm o sonho de vir a representar Portugal em Jogos Olímpicos. Este é, aliás, o mais comum dos sonhos entre jovens desportistas.

No entanto, nem sempre o processo de treino está orientado para os objetivos dos atletas a longo prazo. Seja por desconhecimento dos treinadores ou por uma suposta necessidade urgente de vitórias, cometem-se erros nos escalões de formação muito limitadores de elevadas performances a longo prazo, sob o ponto de vista físico, técnico, tático ou psicológico.

Estudos longitudinais são claros nas suas conclusões ao apontarem uma linearidade muito mais frágil do que se poderia supor entre jovens campeões e os que conseguem elevadas performances enquanto adultos. Décadas depois dos primeiros estudos realizados em algumas das principais ligas mundiais que provaram uma maior incidência de atletas nascidos no primeiro semestre do ano de nascimento em relação ao segundo semestre, continua a verificar-se a mesma tendência nos dias de hoje, provando que os inúmeros erros na deteção e orientação de talentos, que privilegiam geralmente o produto em vez do processo independentemente do nível maturacional dos atletas, não foram ainda ultrapassados.

A ausência de uma filosofia e planeamento a longo prazo para os atletas, tendo em conta as etapas do seu desenvolvimento, adaptados às caraterísticas individuais dos mesmos e apoiados nas diversas áreas científicas, tem levado à perda de inúmeros talentos que se vêem preteridos nas escolhas de quem decide o seu futuro. Escolhas essas muitas vezes centradas no suposto talento excecional de um ou outro atleta que frequentemente acaba por não se confirmar, pelo facto das caraterísticas necessárias para o sucesso ao mais alto nível serem tão diferentes das que permitem o sucesso nos primeiros anos de prática.

Porém, felizmente existem exemplos de processos de treino centrados nas reais necessidades de longo prazo dos atletas e menos nas exigências, a curto prazo, de treinadores, dirigentes, clubes, federações ou pais. Onde o projeto desportivo é integrado no projeto de vida de cada um dos atletas. Em que o conhecimento das diferentes áreas científicas é integrado a partir da intervenção de profissionais especializados e posto à disposição das reais demandas dos atletas.

O Comité Olímpico de Portugal lançou o Projeto de Esperanças Olímpicas visando Paris 2024, onde o destaque nas apostas individuais é substituído por um enfoque no desenvolvimento de projetos de grupos de treino em conjunto com as diferentes federações. O objetivo é a melhoria do processo de treino e o aumento da experiência internacional de elevado nível em contexto de treino, onde a cultura de excelência e de trabalho sustentado em bases científicas sejam a prioridade. Procura-se criar uma dinâmica de equipa através de encontros anuais de Esperanças Olímpicas, onde será possível traçar um perfil geral de cada um dos atletas e implementar um plano de formação de treinadores focado em aspetos fulcrais da transição dos escalões de formação para seniores. Tentar-se-á ainda promover a valorização social dos atletas integrados e o apoio da sociedade local aos mesmos, sinalizando os espaços onde estes treinam.

O tempo urge. Paris 2024 é já ali!