Tribuna Expresso

Perfil

Opinião

Marco Alves

Marco Alves

Diretor de Missões e Preparação Olímpica do COP

Espírito de (uma) Missão

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Marco Alves, diretor de Missões e Preparação Olímpica do COP

Marco Alves

Buda Mendes

Partilhar

A representação nacional é sem dúvida um dos momentos mais altos da carreira de qualquer desportista.

No calendário internacional de cada modalidade são já inúmeras as oportunidades em que Atletas, Treinadores, Equipas Multidisciplinares, Oficiais, Árbitros e Juízes levam consigo a bandeira nacional.

No entanto, nos eventos multidesportivos, à nossa bandeira acresce uma dimensão distinta, uma dimensão de equipa, uma dimensão de coletivo, uma dimensão de país, uma dimensão de missão.

Para além dos Jogos Olímpicos de Verão e de Inverno, o calendário olímpico inclui hoje em dia tantos outros eventos que se organizam sobre a égide do Comité Olímpico Internacional, tais como os Jogos Olímpicos da Juventude de Verão e de Inverno, os Jogos Europeus, o Festival Olímpico da Juventude Europeia, de Verão e de Inverno, os Jogos Mundiais, os Jogos Mundiais de Praia, os Jogos do Mediterrâneo e os Jogos do Mediterrâneo de Praia.

A participação nas Cerimónias de Abertura e de Encerramento de um qualquer destes eventos torna presente a sua dimensão, a partilha entre modalidades, a partilha entre países e muitas das vezes representa também uma experiência que leva o trabalho, o esforço e a dedicação a novos patamares.

Muitas das virtualidades destes momentos são vividos nas “Aldeias Olímpicas”. A partilha de um espaço comum fora de competição onde não existem influências de raças, de crenças políticas ou religiosas e longe dos holofotes da comunicação social, permite a cada um dos participantes um registo mais informal onde se constroem amizades, onde se trocam experiências, onde se priva com as referências de cada modalidade, onde se conhecem as semelhanças e as diferenças entre os caminhos, os desafios e a preparação de cada um.

Também a concentração dos melhores Atletas nacionais das diferentes modalidades desperta o interesse da comunicação social, tornando a atenção mediática sobre cada uma das Missões mais uma experiência para aqueles em que o acompanhamento e o reconhecimento da opinião pública não é tão presente como seria desejável.

Mas a Missão de Portugal é também a soma dos sonhos e das missões individuais de cada um. A exigência dos processos de preparação e das provas de qualificação, quando traduzida na seleção para a integração de uma Missão é, por si só, uma recompensa de um percurso dedicado ao desporto.

A possibilidade de disputar o momento singular de cada uma destas competições, a possibilidade de lutar pela entoação do hino nacional no final de cada prestação move cada um dos participantes do movimento olímpico.

E é esta exclusividade, esta singularidade de cada um destes momentos, que se encontra reservada a um conjunto restrito de atores, que inspira Atletas, Treinadores e todos aqueles se envolvem na preparação, na participação e na representação nacional nos diferentes palcos.

É por tudo isto, com orgulho de Portugal, com espírito de Missão, que em cada uma destas oportunidades vamos construindo a nossa história olímpica.