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O desporto salva-vidas

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Maria Machado, gestora do projeto COP

Maria Machado

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Vivemos na era da mobilidade, mas nem sempre voluntária… a cada dois segundos, alguém tem de fazer as malas – alguns nem sequer isso – e deixar para trás o seu país sob grande ameaça. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) revela que, dos 68,5 milhões de pessoas deslocadas à força no mundo, 25,4 milhões são refugiados, 40 milhões são deslocados internos e 3,1 milhões requerentes de asilo.

Apesar de as migrações estarem na base das sociedades como as conhecemos – a multiculturalidade sempre foi um desafio entre os povos –, só atualmente, quando os refugiados começaram a bater às nossas portas, é que despertámos para a urgência de a Europa recuperar o seu papel de liderança dos direitos humanos. Repentinamente, tivemos de nos mobilizar para salvar vidas, descobrir recursos, mobilizar vontades, envolver os cidadãos, criar redes de resposta para o acolhimento e integração de milhares de pessoas que no seu êxodo chegam até nós.

É neste cenário humanitário de enorme complexidade que acreditamos no valor social do desporto, como uma ferramenta com elevado impacto no combate às inúmeras formas de exclusão social, política, cultural e económica que marcam o panorama de conflitos e tensões do mundo global. O desporto e, em particular, o olimpismo têm um legado de solidariedade e respeito que é cada vez mais vital quando se trata de promover a coesão social e criar laços entre os diferentes membros da comunidade.

O desporto exerce uma atração mágica nas pessoas – é uma atividade humana natural que nos envolve e nos pode integrar. É uma linguagem universal baseada no respeito pelas regras e igualdade de participação. Quando corretamente utilizado promove o fair play, a recetividade, a persistência, o desafio e a interação. Fortalece a amizade, criando elos mais fortes, e desafia a excelência para darmos o nosso melhor no jogo, na vida, na construção de um mundo melhor e mais pacífico.

Integrado no quadro de medidas da agenda migratória europeia, “Viver o desporto, abraçar o futuro” é o nome e a mensagem do projeto que o Comité Olímpico de Portugal desenvolve para o acolhimento de refugiados, onde o desporto é o elemento catalisador da integração de refugiados na comunidade portuguesa.

É este o desafio que temos em mãos: sermos exemplares na hospitalidade para combater a hostilidade, o medo e a violência. Para isso é necessário mobilizar a sociedade civil, envolvendo atletas, clubes, federações, escolas, autarquias para proporcionar um futuro de esperança àqueles que querem iniciar uma nova vida em Portugal.

E, porque JUNTOS SOMOS MAIS FORTES, estamos todos convocados!