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Carla Ribeiro

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Vogal Comissão Executiva COP

Clubes desportivos: onde tudo começa

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Carla Ribeiro, vogal da Comisão Executiva do COP

Carla Ribeiro

Sascha Steinbach

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Nunca como hoje está evidenciada a importância da prática desportiva nas crianças e jovens para o seu desenvolvimento global. Tem sido amplificado o apelo à valorização – em todos os níveis de ensino - da educação física na escola e do desporto escolar, fundamentais na garantia da universalidade do acesso à prática desportiva.

No entanto, na base do desenvolvimento desportivo, existe outra peça fundamental e insubstituível: os milhares de clubes desportivos e recreativos distribuídos por todo o território nacional. A Conta Satélite da Economia Social, elaborada pelo INE/CASES em 2013, revela que cerca de 50% das entidades da economia social são associações de cultura, recreio e desporto, ultrapassando as 30 mil entidades. Destas, cerca de um terço estão envolvidas no movimento federado (Pordata/IPDJ 2017) e envolvem 624.001 praticantes, mas, seguramente, no universo mais amplo da prática desportiva informal, este número será bem maior.

Na sua maioria são entidades pequenas e com orçamentos reduzidos, quase sempre aquém das necessidades. Não obstante, garantem diariamente - sábados, domingos e feriados incluídos -, em particular a crianças e jovens, a possibilidade de se envolverem no desporto. Representam a diversidade e proximidade que o Estado não tem e na qual as autarquias têm dificuldade. São elementos agregadores de comunidades, de transmissão de valores identitários e de vivência de uma cidadania ativa. Para o desporto, é onde se inicia a prática e onde esta se desenvolve, sustentando todo o sistema. É onde começam as medalhas... E é onde são dadas oportunidades, através do desporto, para mudar percursos de vida que de outra forma dificilmente seriam possíveis.

Na prossecução desta missão, o movimento associativo desportivo tem de lidar com inúmeros desafios, resultado da crescente complexidade normativa, procedimental e financeira. Para os enfrentar estão, na sua larga maioria, dirigentes benévolos, inseridos em estruturas organizativas frágeis ou mesmo inexistentes. As despesas com instalações, o custo de participação nos quadros competitivos oficiais e o enquadramento legal para o transporte de crianças são apenas alguns exemplos das dificuldades reais que enfrentam a cada época.

A gestão de um clube desportivo é por isso um ato de elevada coragem e responsabilidade, muitas vezes com sacrifício da vida pessoal e, independentemente de casos mais ou menos alinhados com uma visão altruísta de contributo para a comunidade, o valor dos dirigentes desportivos é inestimável.

O melhor reconhecimento é estabelecer medidas que aliviem as dificuldades com que diariamente são confrontados. O Estado e as entidades desportivas de cúpula têm aqui um papel determinante. E o ganho é mútuo, porque muito do que o desporto pretende alcançar só será seguramente possível com clubes desportivos fortes, dinâmicos e focados na sua missão.