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O futuro mora “aqui” – Esperanças Olímpicas Paris 2024

Ana Bispo Ramires escreve sobre a importância do Encontro Nacional de Esperanças Olímpicas, organizado pelo Comité Olímpico de Portugal, não só para os atletas mas também para os encarregados de educação

Ana Bispo Ramires

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No passado dia 26 e 27 de Janeiro realizou-se o Encontro Nacional de Esperanças Olímpicas, organizado pelo Comité Olímpico de Portugal.
Neste evento, cerca de 107 jovens atletas de 11 modalidades, acompanhados por 59 treinadores, foram convidados a participar num fim-de-semana onde foi possível participarem num conjunto de atividades e palestras (nas mais diferentes áreas que suportam a excelência desportiva) previstas para quem, à data, tem como ambição representar Portugal nos Jogos Olímpicos Paris 2024.

Pela primeira vez, e com o intuito de um claro reconhecimento institucional da importância do papel dos Encarregados de Educação no processo vital de suporte à carreira dos jovens atletas, os mesmos foram desafiados a participar numa ação especificamente direcionada para eles – mais de meia centena acederam ao convite, o que reforçou, de forma mais vincada, a intenção do COP em se associar aos Encarregados de Educação.

A Importância do Evento – Focado em Pessoas, que também são Atletas

De um ponto de vista meramente psicológico e comportamental, um evento desta natureza serviu quase como um exercício de “geo-referenciação” para os jovens atletas – todos eles foram avaliados do ponto de vista das suas competências físicas e psicológicas para a performance e puderam partilhar experiências e conhecimentos entre si.

Em boa verdade, desafiados a sair da sua “rotina” habitual, os atletas viram-se rodeados de um imenso grupo de pares que, tal como eles, ambicionam consolidar resultados para, em 2024, poder representar Portugal, na mais elevada competição desportiva entre nações – os Jogos Olímpicos.

A todos eles foram dadas orientações para permanecerem num percurso que deve aliar a sua performance desportiva, académica e bem estar.

Com a presença de 59 treinadores, a experiência elevou-se ainda mais, permitindo a partilha de experiências e de um conjunto de palestras de temáticas específicas no que respeita ao treino de jovens talentos - sempre com um propósito claro de uma aposta cada vez mais evidente no estreitamento de relações com quem, de forma quase anónima, dedica por vezes uma carreira, sem qualquer reconhecimento, à elevação do desempenho desportivo de quem escolhe representar uma nação.

De 2019 a 2024 – Um trajeto de incertezas, uma oportunidade de superação

Estando nós neste momento (e curiosamente) a aproximadamente 2019 dias do evento que decorrerá no verão de 2014 em Paris, mais de 107 Atletas, suas equipas técnicas e famílias estipulam para si próprios abraçar o desafio de assumir a vontade de estar presente neste evento – e de representar a todos os Portugueses. Para o “simples mortal” que se senta à frente de uma televisão para assistir ao evento, em pouco ou nenhum momento recordará que, em boa medida, terão decorrido 2019 dias de rotinas especificas, sacrifícios pessoais e familiares, dedicação quase exclusiva a um propósito que, por vezes, e lamentavelmente,
termina num processo de lesão que teima em não permitir que seja possível a concretização deste sonho – apenas interessam as medalhas.

A euforia das medalhas em que o país se acomete nestes períodos, acaba por ser um exercício de grande injustiça para todos aqueles que, com igual nível de dedicação, e por razões de infortúnio, acabam por não estar presentes. Por esta razão, importa ajudar estes jovens e famílias a traçar este trajeto com o maior número de apoios possíveis e, iniciativas como a do evento realizado, devem ser cada vez mais recorrentes, nas diferentes instâncias institucionais (clubes, federações e, naturalmente, COP).

O propósito, contudo, e pelas razões descritas (das incertezas que poderão impossibilitar a concretização do mesmo) deve ser, em última instância, centrado na construção e criação de oportunidades de crescimento, desafio e superação que servirão de competências de vida e não, meramente, de uma meta que se pode esgotar em 2024.

Esta deve ser, de resto, a MISSÂO pois, em boa verdade, estaremos a preparar mais de 107 jovens - alguns que trarão medalhas para casa e, outros que, seguramente virão a integrar e desempenhar papeis fundamentais na nossa sociedade. Ou não transportasse em si, o DESPORTO, a oportunidade de (trans)formar pessoas, consolidar afetos, ativar a paixão pelo conhecimento e pela vontade de superação e treinar a inestimável capacidade de traçar metas, desenvolver esforço, errar, aprender, repetir, encarar a frustração como alavanca de reação e, acima de tudo, ser capaz de CRER (acreditar em si próprio) e QUERER (mobilizar vontades).

Em boa verdade, o futuro mora em TODOS ELES, mesmo.

A Psicologia da Performance encontra-se especificamente direcionada para o delineamento de planos específicos de treino de competências psicológicas, para a promoção de desempenhos de excelência, através da elevação das capacidades psico-emocionais e físicas dos sujeitos, em contextos de superação (desportivo, académico, empresarial e Vida, de uma forma geral)