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Ricardo Bendito

Ricardo Bendito

Coordenador Gabinete Atleta COP

Planos de carreira: a necessidade de uma visão global

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Ricardo Consiglieri Bendito, coordenador do Gabinete do Atleta do COP

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Ser atleta de elite nos tempos atuais é um desafio de caraterísticas singulares, dada a complexidade que carateriza essa “profissão”. Muitos desportistas são também, por exemplo, estudantes, empresários, gestores da sua marca pessoal, responsáveis de comunicação, para além de terem de assumir a condição de referências sociais.

Todos estes aspetos são peças de um puzzle que importa que encaixem de forma harmoniosa para que seja atingido o sucesso, numa visão geral sobre todas as áreas que compõem o plano de carreira do atleta. Porque um puzzle só está completo quando todas as peças se encaixam.

A performance desportiva de um atleta é regularmente escrutinada apenas pelo seu resultado, numa análise crua, onde os números não contam toda a história, tornando invisíveis fatores determinantes no desempenho do atleta, como sejam os objetivos estabelecidos para a competição, o estado de forma física e psicológica ou a situação pessoal e familiar.

Na Comissão de Atletas Olímpicos, preocupamo-nos com a pessoa e não apenas com o atleta. Após o término da carreira desportiva, os atletas têm pela frente largos anos de vida ativa que importa preparar atempadamente e apoiar, possibilitando que, também nessa fase, alcancem os seus objetivos.

Esta preparação passa, em grande medida, pelo apoio à compatibilização da carreira desportiva com os estudos e pela capacitação para a posterior integração no mercado laboral. Este trabalho tem sido desenvolvido no âmbito do Athlete Career Programme, através de um acompanhamento individual, assente em três pilares: formação, educação e habilitação para a vida.

Ao mesmo tempo, constata-se um baixo nível de literacia financeira entre os desportistas. Números internacionais demonstram uma débil saúde financeira de muitos atletas, tornando-os vulneráveis a situações menos condizentes com o seu estatuto de referências para a população. Perante este cenário, urge sensibilizá-los e aconselhá-los para a adequada gestão dos seus rendimentos e para a criação de hábitos de poupança, preparando a estabilidade futura.

Existem atualmente diversos mecanismos e programas de apoio ao dispor dos atletas, nas mais diversas áreas. No entanto, a sua ativação e o seu sucesso dependem do envolvimento e da procura dos próprios atletas. São eles que têm de dar o primeiro passo!

Para tal, todos os que direta ou indiretamente intervêm com os atletas desempenham um importante papel na sensibilização para estas temáticas e para a utilização dos recursos existentes.

Assume, portanto, vital importância a implementação de políticas de apoio centradas nos atletas, com uma visão global sobre o seu plano de carreira e que promovam uma fluida articulação entre todas as estruturas de apoio existentes, tornando-as mais eficientes.