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Pedro Farromba

Pedro Farromba

Vogal Comissão Executiva COP

Estratégia Nacional para o Desporto

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Pedro Farromba, vogal da Comissão Executiva do COP

Pedro Farromba

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Aproxima-se um período eleitoral em que quase todas ou mesmo todas as políticas píblicas são reanalisadas, requalificadas e, eventualmente, redesenhadas. É nesses períodos que a palavra esperança se apodera de cada um dos portugueses. É nessas alturas que questionamos o que queremos para o futuro. E é sobre esse futuro que escrevo. Sobre o meu futuro enquanto português, mas sobretudo sobre o meu futuro enquanto membro ativo do dirigismo desportivo nacional.

Enquanto dirigente de uma federação desportiva, desde 2009 que vejo, salvo raras exceções, um cuidado paliativo do desporto. Apenas vamos tomando aspirinas quando, na verdade, já deveríamos estar na lista de transplante de órgãos. Não está tudo mal, mas também não está tudo bem.

O que mobiliza as pessoas em Portugal? A política? Não! O que mobiliza as pessoas é o desporto. Desde sempre que o desporto foi o fator de atração, o ponto de união. Quando vimos o país mobilizado para algo? Nas últimas eleições legislativas ou na medalha de ouro da Rosa Mota em Seul? Nas últimas eleições presidenciais ou na vitória no campeonato da Europa da seleção de Futebol? Urge devolver ao desporto a sua real importância, dar-lhe o espaço na sociedade que tem de ter e que, por maioria de razões, merece.

Quantas são as entidades que "tratam" do desporto?

IPDJ, FdD, CDP, COP, CPP, Desporto Escolar, Autarquias e algumas outras entidades que se multiplicam em tentar apoiar a prática desportiva. Será que o estão a fazer devidamente? Definamos o que queremos.

Queremos educar desportivamente os nossos filhos, dar-lhes uma prática desportiva regular para que sejam melhores alunos e que permite que, no futuro, o Estado, gaste menos em saúde com esses jovens? É um objetivo meritório mas será que chega?

Queremos fomentar a prática desportiva dos nossos jovens e ir conseguindo intrometer alguns esforçados jovens portugueses nos top 10 ou 20 da Europa ou do Mundo? É um objetivo meritório e confortante mas será que chega?

Queremos fomentar a prática desportiva, ter portugueses perto do topo e criar condições para termos campões do Mundo?

Para além do orgulho de ter um português como campeão da Europa ou do Mundo, que outros benefícios retiraria o país de uma desfaçatez deste calibre? A liderança pelo exemplo seria seguramente um deles. Quantos miúdos e miúdas começaram a correr por causa da Rosa Mota? Quantos miúdos vão olhar como possível uma carreira no motociclismo olhando para o Miguel Oliveira?

A solução é mais dinheiro para o desporto? Acho que não, mas acho que a solução é melhor dinheiro para o desporto.

Voltando ao início do texto sobre o ambiente eleitoral a oportunidade que se apresenta é, para alem da óbvia criação de um Ministério do Desporto, uma folha em branco.

Explico.

Repensar e readequar todos os recursos disponibilizados através de todas as entidades e direcioná-los, todos, com base numa Estratégia Nacional do Desporto, partindo de uma folha em branco, de um orçamento zero, de modo a respondermos à pergunta, o que precisamos para gerar mais heróis?