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Filipa Cavalleri

Filipa Cavalleri

Treinadora de judo

Adotar boas práticas dentro da nossa organização desportiva

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Filipa Cavalleri, atleta olímpica e treinadora de judo

Filipa Cavalleri

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A igualdade entre as mulheres e os homens corresponde à ausência de assimetrias entre umas e outros em todos os indicadores relativos à organização social, ao exercício de direitos e de responsabilidades, à sua autonomia individual e ao bem-estar.

Pressupõe um reconhecimento do igual valor social das mulheres e dos homens, e do respetivo estatuto na própria sociedade. Implica ainda, uma participação equilibrada de homens e mulheres em todas as esferas da vida, incluindo a desportiva, sem barreiras em relação ao sexo. Atuar para conseguir a igualdade dentro da nossa organização desportiva implica compreender os problemas que limitam a participação das raparigas e eliminar todas as situações de discriminação e de desigualdade.

Para tal, torna-se necessário implementar um conjunto de boas práticas que promovam a igualdade de género, envolvendo todos os que nelas participam (treinadores/treinadoras, professores/professoras, atletas, pais/família, dirigentes), no seu dia-a-dia, tendo como finalidade:

· Respeitar, valorizar e desenvolver o potencial individual de raparigas e de rapazes na prática desportiva, através do estabelecimento de objetivos educativos e formativos, que contribuam para o seu desenvolvimento físico, motor, social e emocional, permitindo ainda o fomento de valores e atitudes que são cruciais para o seu desenvolvimento;

· A prática da modalidade tem de decorrer num ambiente positivo e inclusivo, permitindo nas diferentes atividades que as raparigas e rapazes tenham papéis de relevância que contribuam para o bem estar do grupo;

· Encorajar a mudança de comportamentos, de atitudes e de crenças que se regem por estereótipos de género em função do sexo, através dos valores implícitos da própria modalidade, na organização e gestão dos grupos no decorrer das sessões de treino e ainda através de campanhas específicas que visem desenvolver esta temática;

· Sensibilizar a população para a não discriminação em função do sexo, do género e da sua identidade de género, através de diversos meios, como cartazes, postais, que transmitam valores não discriminatórios;

· Utilização de uma linguagem inclusiva entre as raparigas e os rapazes, através de um discurso cuidado dirigido a todos os que fazem parte da prática desportiva;

· Promoção de ações de sensibilização, destinadas a raparigas e rapazes, que visem promover a prática da modalidade, através de campanhas específicas (podem ser acompanhas com vídeos promocionais que demonstrem imagens positivas de atletas em atividade, relacionado com o esforço, dedicação, derrota, vitória, entre outros...) ;

· Utilização de mulheres desportistas, treinadoras, árbitras, dirigentes como modelos de referência para as raparigas e para os rapazes, através de palestras, ações práticas, tendo em vista que as gerações mais novas conheçam os modelos de referência da sua modalidade e que compreendam o seu percurso nas diferentes áreas, tornando-se modelos de referência para todos;

· Promoção e divulgação com os meios de comunicação, utilizando as ferramentas que estão disponíveis para realçar o trabalho desenvolvido com as raparigas e rapazes inerentes à prática desportiva;

· Estabelecimento de parcerias com entidades ao nível do concelho, distrito e nacional, para junto da comunidade educativa (escolas) dar a conhecer o trabalho desenvolvido dentro da nossa organização.

Neste sentido, pretendemos com estas medidas, assumir o compromisso de contribuir ativamente para uma melhoria dos indicadores de género na nossa organização e para a progressiva superação das desigualdades existentes no mundo desportivo.

Cabe a cada um de nós ser um exemplo dentro e fora da nossa organização!