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“Take your marks…BIP!” (Diana Gomes explica por que razão um atleta de alta competição dedica tanto da sua vida ao desporto)

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Diana Gomes, atleta olímpica de natação

Diana Gomes

Diana Gomes a celebrar

DR

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Perguntem a qualquer atleta de alta competição porque treina tanto, porque dedica tanto da sua vida ao desporto. Perguntem-lhe porque escolhe a vida desportiva a uma “vida normal”. De qualquer atleta vão receber a mesma resposta: “Porque gosto!”. E alguns sentirão até que a pergunta não faz qualquer sentido.

A cegueira pela vitória, pelo 1.º lugar, por ser o melhor, por realizar os seus sonhos, pelo sabor único da adrenalina aquando de cada competição, nenhum estímulo externo pode provocar tal força de vontade. É uma sede que nasce com o atleta e que vive nele para sempre! É sobre esta sede do atleta, sobre aquele grãozinho de areia tão pequeno, que toda esta grande pirâmide que vive à volta do desporto deposita as suas esperanças.

Incontornavelmente, qualquer atleta dá por si na base. A olhar para cima.

Por vezes para o treinador, mas sempre para o presidente do clube, da Associação Desportiva, da Federação e, quando for o caso, para o presidente do Comité Olímpico, ou para a Secretaria de Estado do Desporto. Para além dos seus resultados, fica dependente da (boa) vontade de todos eles. Seja na seleção para as provas, nas condições logísticas proporcionadas, nos apoios financeiros, na seleção para os estágios e competições, e na definição dos mais diversos critérios.

Qualquer atleta que sobressaia notoriamente do comum, tem de se confrontar com os degraus existentes nesta grande escada. É precisamente neste momento que surgem novidades no percurso: o atleta encontra pela frente os chamados agentes e a comunicação social. Surge o perigo de esta sede se afogar, de os entraves se tornarem demasiados, de as barreiras chegarem a parecer intransponíveis e de os fatores externos entorpecerem e adormecerem este dom que faz mover o atleta.

Incólume desta luta nenhum atleta de alta competição sai. As “mazelas”, de maior ou menor monta, são inevitáveis. As quais depois poderá sarar, convertendo-as numa robusta experiência de vida. Possivelmente o maior dividendo desta grande aventura.

Mesmo depois de tantas ondas e de tantas cordas soltas no percurso, o que nos move a nós, atletas, é a chegada à meta. É perceber que somos os primeiros, é ver que o objetivo foi realizado e que os nossos sonhos são possíveis. É nesse momento que sabemos o porquê de nos dedicarmos com tanto afinco e porque gostamos tanto.

É por aquele exato momento de glória.

Esse, é esse o momento, que nunca se esquecerá e jamais poderá ser apagado da história.