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Árbitros, Bruno Fernandes, diretores de comunicação, violência e zero: o glossário da época 2018-19, de A a Z, por Duarte Gomes

O antigo árbitro faz uma análise sintética ao ano desportivo que terminou com a conquista da Taça de Portugal

Duarte Gomes

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A época que findou, de A a Z, mas em bom português (sem K, W e Y)

A de árbitros - Injuriados, ameaçados, desrespeitados e agredidos. É assim desde sempre, acertem ou errem.

B de Bruno Fernandes - Fez uma época indescritível. É um jogador de exceção, com talento raro. Quando conseguir equilibrar o seu "temperamento", será dos melhores do planeta.

C de claques - Fundamentais no apoio às suas equipas. Quando servem de subterfúgio para a violência e criminalidade, são outra coisa qualquer.

D de Departamentos de Comunicação - Estruturas de apoio que servem para gerir a imagem das suas estruturas. Quando escolhem caminhos distintos, tornam-se protagonistas e os principais incendiários do nosso futebol.

E de estádios - À exceção dos chamados grandes (e de mais dois ou três), estão despidos de adeptos. A falta de competitividade, o preço dos bilhetes e algumas questões de segurança justificam parte significativa desse problema.

F de FPF - Liderança competente, com resultados à vista. Cresceu a olhos vistos e é hoje referência para as suas congéneres internacionais. Sabe que o caminho ainda é longo para devolver ao futebol português a qualidade e credibilidade que merece.

G de golos - Foram marcados e sofridos muitos (e bons) na época que agora findou. Nessa matéria não haverá seguramente razão de queixa por parte dos adeptos.

H de honestidade/hipocrisia - Andam de mãos dadas na boca de muita gente responsável. O futebol precisa de gente e discursos honestos, em permanência e com coerência. Dispensa perfeitamente os outros.

I de idioma - Elogiável a forma como vários agentes desportivos aprendem a língua de Camões em tão pouco tempo. Incompreensível a falta de esforço que outros fazem nesse sentido.

J de jornalistas - São os profissionais que ligam a voz dos protagonistas aos ouvidos dos adeptos. Há muitos, absolutamente exemplares. Há outros... diferentes. Como em tudo na vida.

L de Liga Portugal - Recuperou, com todo o mérito, uma situação financeira muito difícil. Tenta arduamente internacionalizar a marca. Tal como a FPF, sabe que o caminho é longo para devolver ao nosso futebol a qualidade e credibilidade que este necessita.

M de Marítimo - O eterno sobrevivente da Madeira no futebol profissional. Mérito a uma instituição que, em condições nem sempre fáceis, construiu um estádio de topo e mora há anos no escalão maior do futebol português.

N de Nuno Pinto - O grande herói da época. Começou em grande, foi apanhado por uma ratoeira ainda maior mas deu cabo dela a tempo de regressar aos relvados. Um exemplo para todos nós. Enorme.

O de ódio - É a antítese do que é estar no futebol. Dominou alguns discursos, intoxicando a opinião pública. O poder das palavras é tremendo. Merece reflexão profunda.

P de programas de TV - Vários têm qualidade, outros apenas alimentam conflito. A culpa é de quem serve o produto ou de quem o consome? Quem alimenta o quê? E porquê? Outra reflexão que se impõe.

Q de qualidade - Há qualidade potencial no nosso futebol. Há, em várias áreas do jogo, pessoas muito competentes e capazes. O problema está longe de ser esse.

R de relvados - Alguns muito bons, vários em condições precárias. Não parece ser prioridade absoluta por cá, mas devia: a qualidado do jogo e a segurança física dos atletas depende muito de um bom relvado.

S de SAD - Maior respeito por qualquer modelo de governação que os clubes entendam seguir. É pena que, nalguns casos (vários até), a ilusão inicial dê lugar a divisões conflituosas. Perde a instituição, os adeptos e o futebol.

T de treinadores - Do melhor que o futebol tem. Pessoas competentes e tantas vezes injustiçadas pelos resultados. Donos de uma dimensão técnica bem acima da média. Erram, excedem-se? Claro. Mas isso só percebe quem calçou botas e sentiu as emoções reais de um jogo.

V de violência - O Governo pede "Tolerância Zero" e eu também. Chega de agressões. E chega de atitudes feias que levam a agressões. Qual das duas a pior?

X de "X" - Uma cruz, a vermelho bem vivo, em tudo o que aconteceu e não devia ter acontecido: suspeitas de crimes, investigações policiais, perturbação de famílias, ameaças de morte, discursos corrosivos, demoras processuais e afins. Chega!

Z de zero - O ponto de partida perfeito. A nova época está à porta e com ela surge a oportunidade de tornarmos o futebol num desporto mais valorizado, saudável e ético. Respeito, desportivismo e educação são valores a reter. Não pode valer tudo.