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Sílvia Saiote

Sílvia Saiote

Ginasta e coordenadora do Gabinete Olímpico do Sporting

Solidariedade, reconhecimento e liderar pelo exemplo

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Sílvia Saiote, ginaste e coordenadora do gabinete olímpico do Sporting

Sílvia Saiote

Cameron Spencer

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Sempre fui a pessoa que queria mudar as coisas, que não se contentava com o mínimo, que exigia sempre o máximo de mim e dos que estavam comigo. Desde muito cedo questionava o porquê de determinados processos ou formas de estar, gostava de participar em discussões e debates, mas nunca quis apenas fazer parte do grupo que tinha opiniões.

Liderar o gabinete olímpico de um dos mais ecléticos Clubes do Mundo enquanto ainda atleta integrada nas seleções nacionais, acumulando funções na gestão comercial para as modalidades, tem sido um dos maiores desafios, mas também algo que me faz chegar a casa com um sentimento de realização que dificilmente teria se estivesse ligada a outra área.

Tenho tido a sorte de conhecer pessoas incríveis, profissionais, dirigentes, staff, mas acima de tudo tenho tido a sorte de conhecer a realidade de Atletas das mais diversas modalidades que me inspiram e deveriam inspirar a todos nós. A solidariedade e o reconhecimento deveriam juntar-se mais vezes quando pensamos no desporto em Portugal – não deveria haver só solidariedade quando vemos histórias de atletas com limitações, nem reconhecimento só quando se ganham medalhas. E devemos reconhecer estes nossos Atletas, sabendo que há muito por conquistar, mas humildemente também reconhecermos que do lado da gestão do desporto há muito trabalho por fazer, financiamento privado por captar, e projetos por concretizar.

Tive a sorte de viajar por alguns dos melhores Centros Olímpicos e de treinos do mundo, treinar com atletas de várias nacionalidades, e quanto mais vivencio essas experiências mais reconheço que o caráter, a união, e o orgulho com que os nossos Atletas dão tudo para representar o seu País, faz-nos ser diferentes. Mas também nos distinguem as condições. Continuamos sem ter um Centro Olímpico, centralizado e disponível para dar resposta às necessidades reais das equipas nacionais das diversas modalidades ao longo da época, apetrechado com tecnologia e equipamentos de ponta e espaços para as equipas poderem treinar, descansar, comer, dormir, trabalhar – antes de se exigirem resultados no top3 mundial, temos também que refletir em que top é que estamos em termos de condições disponibilizadas para o Alto Rendimento.

E porque os Jogos não funcionam por convite e já foram iniciados processos de Apuramento Olímpico, chega a oportunidade dos Atletas poderem concretizar o sonho de uma vida passada entre treinos diários, bidiários, fisioterapia, recuperação, e muitos pavilhões – se conseguirem alcançar as vossas metas, o mérito deverá ser merecidamente vosso, se não, deverão estar cá as Instituições e Clubes para vos apoiar incondicionalmente e garantir que a frustração ou culpa não fique somente em vós.

Reconhecer, apoiar, e continuar a trabalhar diariamente, para garantir as melhores condições. Liderar pelo Exemplo. Porque no final do dia, são as pessoas que fazem o desporto nacional. E são as pessoas, somos todos nós, que podemos fazer mais e melhor pelo desporto nacional.