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Miguel Cadete

Miguel Cadete

Diretor-Adjunto

Habituámo-nos a dizer que não gostamos daquele futebol, mas a verdade é que ele dá troféus

Miguel Cadete, diretor-adjunto do Expresso, escreve sobre o triunfo de Portugal na Liga das Nações - um triunfo que é, acima de tudo, de Fernando Santos

Miguel Cadete

Dean Mouhtaropoulos

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A taça é de Fernando Santos.

A vitória da Seleção – escrevo assim porque é desta maneira que também nos tratam na imprensa internacional – deve-se, antes de mais nada ao treinador Fernando Santos. Não vale a pena lembrar os queixumes e as lamúrias que se seguiram a outros jogos, mesmo que vitoriosos, ou, nesta Liga das Nações, ao estado em que a equipa estava.

A maior parte convinha que eram muitos jogadores vagabundos dentro de campo. Ou que muitos executantes especiais não faziam uma equipa. Obviamente que estavam certos. Mas, hoje, no dia da final, os que puxam para trás, felizmente, perderam.

Ao contrário do que sucedeu no jogo da meia-final com a Suíça ou, se quisermos ser mais exigentes, no dia em que Portugal foi eliminado do Mundial pelo Uruguai, a Seleção esteve sempre em controlo do jogo. Apesar das brilhantes exibições de todos e mais alguns, desde Rui Patrício a Ruben Dias, Danilo a Bernardo Silva, Bruno Fernandes a Cristiano Ronaldo, que soube pôr gelo sempre que foi preciso, a fatia mais honrada desta vitória cabe a Fernando Santos. Afinal, foi ele quem foi capaz de montar uma boa equipa para defrontar uma Holanda que se distinguia pela valia dos seus jogadores.

Contra os milhões das transferências de cada um dos da equipa laranja, Portugal apresentou um sistema que não deu hipóteses: ofereceu a posse de bola, sobretudo nos primeiros minutos da primeira parte, mas foi sempre quem teve as melhores oportunidades do jogo. Deixou a posse de bola para a equipa de Ronald Koeman, mas soube defender, atacar e contra atacar com muito mais perigo. Isso não foi um episódio da primeira parte. Foi com notória satisfação que notámos, após o intervalo, que essa predisposição se mantinha.

A Seleção foi de longe a equipa que mais mereceu ganhar este jogo. E, como em qualquer jogo, até o podia ter perdido. Contudo, as substituições de Fernando Santos acabaram com qualquer veleidade da equipa holandesa. Depois do míssil de Gonçalo Guedes, o que se viu da equipa adversária foi uma tímida tentativa de apresentar resultados sem que para isso existisse substância. Até nesse período final o engenheiro venceu.

Porém, a maior vitória foi ter colocado no jogo mais importante, precisamente a final, a equipa mais capaz. E com ela ter desenhado a estratégia mais eficaz. Se o facto, comprovado logo nos primeiros minutos, de não termos bola causava calafrios, o certo é que o veneno destilado deitou a Holanda por terra. A Seleção acabou a primeira parte a esmagar e veio para o segundo tempo com a mesmíssima predisposição de vencer o jogo. É raro, mesmo em equipas de Fernando Santos.

Eu, que estive na final de Saint Dennis, sei que o golo de Gonçalo Guedes é praticamente igual ao de Eder. O empenho da equipa – e, já agora, do público presente no estádio – também.

Não tenhamos dúvidas que apesar da consistência da equipa de Portugal, estes momentos são raros. Cristiano pode reformar-se quando temos Bernardo ou Bruno, mas ganhar finais assim, não é para todos; nem mesmo para os melhores. Por isso, esta conquista deve ser completamente dedicada a Fernando Santos. Obrigado, engenheiro, este ar do mar faz bem.