Tribuna Expresso

Perfil

Opinião

Bruma, Catió e a inegável desestrutura do FC Porto

O falhanço negocial com Bruma expõe mais uma racha na anteriormente intocável estrutura portista, cada vez mais distante dos tempos certeiros de Antero Henrique

Pedro Candeias

MIGUEL RIOPA

Partilhar

Há várias conclusões a retirar sobre a história Bruma → FC Porto, afinal Bruma → PSV.

A primeira, que Catió Baldé é um agente de futebol exímio a jogar o jogo das sombras e a lançar engodo gordo nas águas certas.

A segunda, que o FC Porto deixou de ser imune a trapaças e perdeu a eficácia.

A terceira, que os verbos “apontar“ e “abortar” vieram juntar-se aos clássicos intemporais “por dias” e “praticamente certo”.

Então, Bruma estava telescopicamente apontado ao FC Porto e o negócio abortou numa reunião à holandesa, num hotel às tantas da madrugada, dias depois de andar a ser dado como certo, o que foi quase verdade - e que inocenta de culpa os desportivos e as rádios e as televisões, enfim, a sinistra e avençada comunicação social.

A transferência estava realmente a ser montada, por alguns milhões, e acabou simplesmente por ruir porque o PSV pagou mais, deixando o FC Porto sem o substituto ideal para Brahimi. Mais uma racha na anteriormente intocável estrutura portista, outro argumento a favor de Sérgio Conceição quando lhe forem cobrados resultados.

Da próxima vez que o treinador e Pinto da Costa entrarem telefonicamente em direto no Porto Canal, talvez seja melhor não assumirem que o segundo está a tentar fazer as vontades expressas do primeiro, porque ambos ficam reféns da imprevisibilidade do mercado e sujeitos à crítica e ao gozo de mais um falhanço negocial.

A sensação que fica é a de uma desestruturação portista e que era Antero Henrique quem conseguia, ainda, manter juntos os cacos de uma ideia passada.

Vejamos: do plantel da última época, entre os realmente titulares e os mais utilizados, só Eder Militão e posteriormente Pepe foram contratados após a saída do antigo CEO do FC Porto, em setembro de 2016. Casillas, Alex Telles, Felipe, Danilo, Herrera, Brahimi, Corona, Aboubakar, Marega, Otávio, Tiquinho Soares, Óliver – todos eles foram contratados por ou com Antero Henrique, todos eles úteis.

Ironicamente, é provável que o problema do FC Porto seja estrutural.