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Está tudo bem, Odysseas Vlachodimos?

Odysseas Vlachodimos foi o guarda-redes do mês de fevereiro, eleito exatamente um dia depois de um falhanço espetacular contra o Belenenses; e Odysseas Vlachodimos também é o guarda-redes número 1 da #reconquista do Benfica que o Benfica anda a desqualificar desde que o mercado reabriu

Pedro Candeias

Nils Petter Nilsson

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Experimente o que é viver constantemente no limbo como Odysseas, que é Odysseas para uns e Vlachodimos para outros, como se o nome próprio e o apelido se excluíssem mutuamente, que é grego e alemão, como se estes países fossem aliados históricos, e que é ao mesmo tempo competente e incompetente, uma análise indiscutivelmente esquizofrénica.

Mas é assim que o vemos, e não é de agora: Odysseas Vlachodimos foi o guarda-redes do mês de fevereiro, eleito exatamente um dia depois de um falhanço espetacular contra o Belenenses; e Odysseas Vlachodimos também é o guarda-redes número 1 da #reconquista do Benfica que o Benfica anda a desqualificar desde que o mercado reabriu.

No princípio era o nome Cillessen, e depois seguiu-se Keylor Navas e agora Mattia Perin: o primeiro não veio porque, enfim, achou que jogar em Portugal seria poucochinho para ele; o segundo, porque o que o Benfica tinha reservado para ele não chegava; e o terceiro porque, prosaicamente, tem caruncho.

Ou seja, Odysseas Vlachodimos viu a vida andar para trás ao ritmo das primeiras páginas dos jornais. Que o Benfica nunca desmentiu, mesmo estando em causa a sanidade do tipo que tem como profissão evitar desassossegos indesejados. Um holandês, um costa-riquenho e um italiano, e três escolas diferentes e três futebolistas diferentes depois, é Odysseas Vlachodimos quem joga, apesar de tudo, contra o Sporting, na Supertaça, ou contra o FC Porto e o Braga, no campeonato.

Durante este período, Odysseas Vlachodimos foi vendido e emprestado, passou de primeira opção a segunda a dispensável, pelo que o mais civilizado a fazer é perguntar-lhe se está tudo bem com ele. E recuperar o que Bruno Varela disse quando algo muito semelhante lhe aconteceu: “Não gostei da forma como fui tratado”.

O problema não está, obviamente, no valor dos jogadores, sendo pacífica a seguinte escadinha: Cilessen > Navas > Perin ≥ Odysseas Vlachodimos > Bruno Varela. O problema está na ideologia que alimenta o comportamento de grande parte dos clubes e também da generalidade dos grandes empregadores: os funcionários de perfil baixo são medidos asseticamente em bolsas de valores ou folhas de Excel, em que os vectores rendimento/custo se sobrepõem às expetativas e aos sentimentos mais básicos, como o da segurança.

É normal e legítimo um clube procurar uma melhor alternativa para um lugar específico. É anormal fazê-lo assim.