Benfica goleou porque a estratégia tem vida curta, mas o talento não
Marcel Keizer surpreendeu ao apostar num sistema com três centrais e equilibrou a primeira parte, mas assim que Bruno Lage acertou a equipa, Rafa e Pizzi marcaram as (muitas) diferenças, explica o treinador João Almeida Rosa
05.08.2019 às 11h26
SOPA Images
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Na antevisão a este SL Benfica-Sporting CP, quer na conferência de imprensa, quer no programa que opôs Bruno Lage a Marcel Keizer no Canal 11, o técnico encarnado referiu a possibilidade de os leões entrarem com uma linha de cinco defesas. A possibilidade parecia remota, uma vez que em nenhum momento durante a pré-época esse sistema foi testado, mas a verdade é que se verificou.
Do lado dos atuais campeões nacionais, o 4-4-2 do costume e nada que não se esperasse.
Embora Lage tenha parecido precavido no pré-jogo, a verdade é que as águias não pareceram bem preparadas nos minutos iniciais. Logo aos 3’, a pressão alta que o SL Benfica tentou foi batida, com Seferovic e Raúl de Tomás em inferioridade perante Neto, Coates e Mathieu e, face à desvantagem numérica, Pizzi a sair no central que faltava, libertando espaço para Bruno Fernandes, uma vez que Nuno Tavares foi pressionar Acuña no corredor.
Os leões aproveitaram o espaço dado e só Odysseas evitou o golo madrugador.
Ainda que com mais bola, por via de um 5-4-1 em organização defensiva do Sporting CP que permitia aos encarnados construir com tranquilidade, o SL Benfica raramente colocou dificuldades aos leões na primeira parte. Pelo contrário, foram os sportinguistas que saíram com mais perigo, ora por via de alguns erros na pressão dos rivais, ora por transições rápidas maioritariamente conduzidas por Wendel, um dos melhores dos leões, ou Raphinha. De uma ou outra forma, faltou eficácia para bater um Odysseas que reforçou a sua posição no plantel ao evitar o golo inaugural novamente aos 28’ e aos 38’.
A estratégia de Keizer ia parecendo resultar, pela forma como permitia aos seus jogadores sair para o ataque, mas também por acumular elementos na sua organização defensiva, um dos calcanhares de Aquiles da equipa desde que o holandês assumiu o comando do clube. Ainda assim, nem o jogador extra na linha defensiva verde e branca mascarou os maus comportamentos do sector. Aos 40’, após um bom apoio de Raúl de Tomás (e que bem esteve o espanhol neste capítulo!), Pizzi recebeu com espaço e serviu Rafa ao segundo poste, que não perdoou.
A assistência é de muita qualidade, mas a linha defensiva do Sporting CP nem com 5 elementos controlou bem a largura, deixando-se atrair em demasia para o lado da bola (como se vê no frame em baixo, segundos antes do cruzamento de Pizzi) e libertando espaço no corredor oposto. Pode parecer um erro de Thierry, mas o lateral não fez mais do que ajustar ao posicionamento dos centrais que, esses sim, estão excessivamente concentrados na zona da bola. Erro colectivo e eficácia encarnada a ditar o 1-0 ao intervalo que podia ser bem diferente nesta altura.
No regresso dos balneários, Bruno Lage consumou as correções que já havia feito no primeiro tempo relativas à fase de pressão da sua equipa, colocando Raúl de Tomás e Seferovic em linhas diferentes (ao contrário do que por vezes aconteceu nos primeiros minutos, quando os dois se encontravam lado a lado), o que retirou espaço a Doumbia e sobretudo Wendel para receber, além de permitir a Gabriel e Florentino jogarem mais recuados e assim controlarem melhor o espaço entre a defesa e o meio-campo, onde Bruno Fernandes procurava receber.
Em suma, os centrais leoninos dispuseram de mais espaço, mas perderam opções para progredir.
O ajuste táctico do SL Benfica ajudou a recordar o perigo de apostar todas as fichas na estratégia. Assim que o efeito surpresa acabou e o adversário corrigiu, também a equipa leonina deixou de criar quaisquer dificuldades ao rival. O erro de Mathieu, que aos 60’ quis fazer um túnel dentro da própria área, custou o 2-0 e antecipou a catástrofe que seria a segunda parte do Sporting CP.
No entanto, mais do que o francês, foi o talento de Pizzi e de Rafa que sobressaiu perante estratégias, surpresas e demais elementos que deviam ser apenas complementos na preparação de uma equipa, mas foram elevados a salvação de um colectivo que neste momento é, simplesmente, muito inferior ao do rival.
Uma tolice que acabou em goleada e choro
A última meia-hora, já com o Sporting CP sem os três centrais e de volta ao 4-2-3-1 habitual, acentuou ainda mais os problemas defensivos dos leões que, agora apenas com quatro na linha defensiva, viu as águias a criar sucessivas oportunidades. Terminou com 5-0, mas até poderia ter terminado com mais, embora os números acabem por ser pesados em virtude do que os verdes e brancos fizeram na primeira parte.
Do lado encarnado, além dos dois craques já referidos, realce para o bom envolvimento de Raúl de Tomás entre linhas, além de Florentino que encheu o campo e recuperou inúmeras bolas, permitindo à sua equipa atacar continuadamente. Tornar-se-á indiscutível na presente época e sairá por muito dinheiro. De negativo, somente o perdulário Seferovic e o inadaptado Nuno Tavares ao corredor direito.
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