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Bruno Lage merece todos os elogios, menos um

O treinador e comentador Blessing Lumueno analisa o desempenho do Benfica à luz dos predicados do seu treinador, que confere agressividade, juventude e liberdade à equipa, à qual falta um foco coletivo no ataque. E é assim que se lança o Belenenses SAD - Benfica de sábado (19h), em que Lage defronta Silas, um técnico criativo e adaptável

Blessing Lumueno

SASCHA STEINBACH

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O Benfica de Bruno Lage vive dias de louvor por força dos resultados alcançados neste início como treinador do Benfica. Olha-se para as análises e Lage é constantemente exaltado pela astúcia táctica, pela abordagem estratégica, por não ter vergonha de atirar miúdos para dentro do campo, e pelo discurso apaziguador que acalma adeptos, jornalista, e conquista inclusivamente os rivais. Sim, Bruno Lage pode ser elogiado por tudo isso, e é justo que se realcem os méritos que tem.

Afinal, a mudança de dinâmica no Benfica muito deve a ele. Foi ele que acreditou que havia uma combinação muito forte entre jogadores vindos do Seixal (que não tiveram a devida oportunidade) e alguns veteranos (que pareciam ter encerrada a carreira no Benfica), foi ele que trabalhou a equipa para ser agressiva nos momentos que perde e ganha a bola; e mais do que isso, foi ele que voltou a focar os jogadores nas tarefas a cumprir dentro de campo.

Porém, o Benfica, como equipa grande que é, continua a não ser brilhante em ataque posicional. Tem soluções para jogar nesse momento, tem dinâmicas e movimentos trabalhados para auxiliarem o portador da bola na sua tomada de decisão; mas, não tem uma ideia de jogo ofensivo, de como furar, de que espaços procurar, de como entrar na área, que ligue todos os seus elementos. É tudo, cada vez que um jogador tem a bola, muito individual.

O seu treinador já nos disse por diversas vezes que não iria “matar” as decisões dos seus jogadores com bola porque era importante que cada um deles tivesse espaço para decidir sem a pressão do treinador. No fundo, Bruno Lage parece querer libertar os seus jogadores de um constrangimento na decisão por acreditar que um jogador dá tanto mais quanto mais liberdade tiver para decidir. Por isso, do ponto de vista colectivo, há muito mérito na agressividade com a equipa recupera e consegue em poucos passes atacar. Há mérito na forma como os seus jogadores interpretam esses momentos de jogo, e como individualmente os conseguem definir. Há mérito na agressividade com que a equipa ataca quando tem a posse, mas as dificuldades em ataque posicional costumam ser muitas por falta de criatividade colectiva.

No 1x4x4x2 de Bruno Lage, já se viu uma novidade: laterais por dentro, alas na largura. E sendo um dos laterais Grimaldo e o ala Rafa, vejo essa troca posicional com bons olhos. Contra a equipa de Silas uma das maiores dificuldades que deverá enfrentar é a pressão que o Belenenses SAD poderá exercer desde o momento de saída de bola.

Entre uma espreitadela ao Canal Panda e à BTV, Bruno Lage discursou contra a pressa dos tempos modernos

O treinador do Benfica lançou o jogo de sábado, contra o Belenenses SAD (19h), deixando apreciações várias sobre a Liga dos Campeões, Taarabt, Tomás Tavares e a sociedade de hoje, que quer tudo para ontem. Contexto: a crítica da comunicação social ao central Conti

Os jogadores da frente, que são referências para atacar e para defender (Kikas e Licá), fecham o campo, e apertam. Permitem por isso que a linha média suba, para apertar e fechar linhas de passe, e que a linha defensiva dê uns passos em frente. Isso resultará, se a abordagem for essa, em espaço atrás da linha defensiva – que pode ser um problema maior ou menor tendo em conta a forma como o guarda-redes participa na defesa desse espaço, e na agressividade e assertividade com que os jogadores da frente pressionam.

Como o próprio treinador confidenciou, recentemente, tenta sempre olhar para o adversário por forma a perceber por onde o deve atacar. Por onde consegue sair melhor a jogar. É muito por aí que Silas se distingue, e por consequência dessa forma de olhar para o jogo conseguiu formar a equipa mais criativa do ponto de vista posicional da época passada.

Há algumas referências que ele quer manter: dois jogadores no meio, à frente da linha defensiva adversária, que depois se podem movimentar em profundidade, e para os corredores laterais sempre que a situação se justifique. Mas Silas quer dois homens na frente. Licá e Kikas. Em Portimão, começou por sair à 3: com laterais projectados e três no meio. Ao intervalo mudou, e vimos um 1x4x4x2 losango.

O que esperar da estratégia de Silas contra o Benfica de Bruno Lage? Veremos… E como o Belenenses SAD quererá ter bola, o outro grande desafio da equipa de Bruno Lage será o de travar o domínio de jogo que o adversário tentará exercer, e não sucumbir, novamente, perante o único treinador que na época passada não perdeu contra o Benfica.