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Rui Bragança

Rui Bragança

Atleta olímpico de taekwondo

Muda o que for preciso para chegares onde queres

Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Rui Bragança. atleta olímpico de taekwondo

Rui Bragança

Rui Bragança, atleta olímpico de taekwondo

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Abrem a cortina. O preto que estava à tua frente transforma-se numa imensidão de cores, numa nova dimensão de emoções. A primeira coisa em que os teus olhos "veem" é a direção de onde vêm as vozes familiares…. BOOM, família, namorada e amigos atravessaram o oceano para ver a tua estreia nos Jogos Olímpicos e gritam a plenos pulmões! E uma energia que vai dos pés à cabeça 10 000 vezes por segundo aparece. Depois o combate começa, o mundo desaparece e com ele todas as emoções. A cabeça fica calma, só existe o adversário, o nosso treinador e o árbitro.

Aquilo era o teu sonho. Ou pelo menos num momento da tua vida foi o teu sonho. Não sabes bem o que é, só podes dizer que foi mudando. De algo impensável e inatingível, passou a ser uma miragem, um sonho… Depois uma luz ao fundo do túnel, um objetivo. E algures na tua vida, passou a ser um dado adquirido e naquele momento tu só queres mais e mais e mais! E as coisas vão a teu favor. Ganhaste o 1.º combate por gap, já estavas tão confortável que já tinhas voltado a ouvir a tua família a gritar por ti. Todo o pavilhão a gritar por Portugal. Consegues desfrutar por momentos e depois voltas à tua missão. O 2.º combate, o combate que daria acesso à meia-final, vai completamente ao contrário. Fizeste tudo que tinhas planeado mas simplesmente não deu. Foi falta de sorte? Foi azar? Foi falta de trabalho? Foi o que tinha de ser?

Na tua caminhada até aos Jogos, disseram-te que os quatro anos de preparação são para aquele momento, mas tu sabes que foi muito mais do que isso. Foi uma vida a preparares-te. Todos os treinos, todas as viagens, todas as lesões, todas as dietas, todos os sacrifícios… Os teus sacrifícios e os dos que estão perto de ti foram para aquele momento. E apesar de saber que deste tudo ficas angustiado por não ter corrido tudo na perfeição.

O teu sonho acabou de se desmoronar, e agora? Agora que parece que ficaste sem tapete?

Agora paras e desfrutas do que acabaste de conseguir. Tu querias mais, tu trabalhaste para mais e lá no fundo tu não estás satisfeito. Mas, quando paras e olhas para trás, percebes que tu e os teus fizeram algo completamente incrível! E depois do regozijo, começas a planear. Novas metas, novos objetivos, um novo rumo! Tu já viste o que consegues fazer, tu sabes que consegues sempre evoluir! Então agora sonha mais alto, trabalha ainda mais para os novos sonhos se tornarem em objetivos e mais tarde em conquistas. Analisa o passado e muda o que for preciso para chegares onde queres. Sem medos, sabendo que vais acertar muita coisa e falhar ainda mais. Mas sempre a andar para a frente, na direção daquilo que tu queres!

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Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje, escreve Melanie Santos, triatleta portuguesa