Pais, filhos e a (falta de) cultura desportiva
Todas as sextas-feiras, a Tribuna Expresso publica uma opinião em parceria com o Comité Olímpico de Portugal, sobre o universo desportivo no nosso país. Hoje escreve o atleta de canoagem João Ribeiro
11.10.2019 às 7h00
Mark Leech
Partilhar
Pertencemos a uma geração em que já existe maior sensibilização dos pais para a prática do exercício físico dos filhos. Seja em aulas de dança, patinagem, canoagem ou futebol, muitas são as crianças e adolescentes que ocupam os seus tempos livres neste tipo de atividades.
Sem dúvida que é uma mais-valia num país onde ainda se precisa incutir hábitos de prática desportiva e é necessário desenvolver a cultura desportiva.
A falta de cultura desportiva é visível quando nos deparamos com pais ambiciosos que querem que os seus filhos sejam os próximos Cristianos Ronaldo, sem saber se eles próprios o querem.
Fiquei mais sensibilizado para esta temática quando fui assistir um jogo de futebol do meu sobrinho. Vi-me no meio de pais aos gritos, chamando nomes aos árbitros, proferindo palavrões e insinuações e discutindo entre eles, num jogo de miúdos de 13 e 14 anos, onde o principal objetivo deveria ser vê-los jogar futebol e incutir o fair-play nos mais novos.
Que mundo queremos para os nossos filhos?
Não deveríamos ensiná-los que o desporto é bem mais do que ganhar ou perder?
Não deveríamos ensiná-los que o desporto ajuda à inclusão e não à exclusão?
Os pais não podem querer mais do que os filhos!
Os miúdos têm de perder para saber ganhar, porque no desporto são mais as vezes que perdemos do que as que ganhamos.
Mas nem tudo é mau, também é gratificante ver uma geração de pais mais dispostos a acompanhar os filhos nas atividades físicas, a levá-los aos treinos, a acompanhar as competições e a investir no seu progresso desportivo.
O Desporto e a Atividade Física devem ser um método de boas condutas, onde primeiro se formam grandes Homens e Mulheres e só depois grandes atletas.